sábado, 31 de maio de 2014

A Filha da Floresta, de Juliet Marillier



Depois de vários anos há espera, consegui ler este livro. Já era para o ter lido há muito tempo, mas optei por comprar outro e o tempo foi passando e quando fui para comprar este livro descobri que estava esgotado, havendo apenas os dois seguintes da trilogia. Assim, encetei uma demanda para encontrar o livro e procurei em várias lojas mais pequenas e nas bibliotecas. Acabei por encontrá-lo numa biblioteca e foi com grande prazer que o trouxe comigo. Finalmente, podia lê-lo! 


A Filha da Floresta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, irmã de seis rapazes, filha de Lorde Colum, governante de Sevenwaters, e de Niamh, sua amada esposa, que morreu depois do parto Sorcha. Sevenwaters fica em Erin (Irlanda). Sorcha é a narradora da sua história e da dos seus irmãos, Liam, Diarmid, Cormack, Conor, Finbar e Padriac. Criada praticamente pelos irmãos, na fortaleza e na floresta de Sevenwaters, Sorcha foi-se tornando numa menina independente, autónoma, inteligente, astuta, de grandes conhecimentos sobre ervas e curas, acabando por tornar-se curandeira. O seu pai parecia não lhe dar grande valor e isso fazia com que ela ainda sentisse mais amor pelos seus irmãos. Muito unidos, os sete filhos protegiam-se mutuamente e preservavam a memória da mãe, indo frequentemente junto ao seu vidoeiro, que tinha sido plantado por eles no momento da morte dela. Lá, refletiam, pensavam, brincavam e procuravam ajuda e conselho. 

Mas a guerra e as invasões de dinamarqueses e bretões, não dava descanso e as intrigas da guerra começaram a fazer os seus estragos na vida dos irmãos. À medida que cresciam iam juntar-se aos homens de armas e tinham de continuar o ódio contra os bretões, principalmente, que tinham, muito tempo atrás, conquistado as três ilhas mágicas dos irlandeses, começando assim uma luta sem tréguas durante muitas e muitas gerações. Quando um misterioso bretão é apanhado e levado para a fortaleza, Finbar, que era contra a guerra e contra a injustiça do não-diálogo entre os povos, pediu ajuda a Sorcha para ajudar a libertar o rapaz bretão. O plano acaba por vingar, mas Sorcha vê-se precisa perto do rapaz e parte para o ajudar. Acaba por simpatizar com ele, contando-lhe histórias e lendas. No entanto, os seus irmãos aparecem, tempos mais tarde, para a levar devido a um novo acontecimento: o noivado de Lorde Colum. Sorcha parte triste por abandonar Simon e, quando chega a sua casa, vê que o pior estava para vir. A madrasta dela, Lady Oonagh, acaba por revelar-se uma autêntica bruxa, cheia de ódio, acaba por transformar os seis rapazes em cisnes. Sorcha consegue fugir e mais tarde é visitada pela Dreidre, a Dama da Floresta, que lhe comunica a tarefa que tem pela frente: para conseguir trazer os seus irmãos de novo para a forma humana, terá de tecer e coser seis camisolas de morugem (uma planta espinhosa) e, quando todas tivessem terminadas, teria de as colocar aos pescoços dos cisnes. Durante todo o trabalho não poderia falar, nem gritar, nem chorar em voz alta. Não podia contar a sua tarefa por nenhum meio. E, durante esse tempo, poderia estar com os seus irmãos, em forma humana, apenas duas vezes por ano, no solstício de verão e no de inverno, durante o anoitecer e o amanhecer. 

E assim começa a provação, a jornada, o terror, a tristeza, o silêncio, a espera, a tortura, a privação. Assim começa a demanda de Sorcha pela liberdade dos seus irmãos, pelas suas vidas e pela sua própria vida.


É uma história muito bonita, triste em muitos momentos, mas muito bonita. A sua beleza reside na simplicidade de Sorcha, na sua determinação, na sua força de vontade, na sua angústia. É uma grande demanda, uma grande viagem cheia de perigos, intrigas, terrores e provações, mas é também uma história de amor, de coragem, de amizade, de perseverança, de virtude e de paciência. Emocionei-me por várias vezes, porque a história é muito comovente. Há momentos de grande brutalidade, de grande tristeza. E também me fez sorrir várias vezes. Porque nem tudo é escuro e a luz brilha onde menos se espera, onde por vezes nada é visível, onde por vezes a escuridão é total, quase eterna. Esta é uma história que nos diz que a luz está onde menos se espera, que é importante acreditar, continuar, não desistir, ter coragem para alcançar o que é necessário, mesmo que o caminho para lá chegar seja o mais tortuoso, mais hediondo, mais triste ou mais assustador. Sorcha é uma rapariga muito corajosa, que acompanhei desde pequena até aos 16 anos. Pude acompanhar um período extremamente rico da sua vida, um período cheio de desespero, mas também belo e alegre. Porque nada do que ela alcançou poderia ter sido alcançado sem o sofrimento do caminho por que teve de passar. Vi-a crescer, tornar-se mulher, vi como teve de se transformar, como foi doloroso, como foi confuso e como esteve sozinha. Vi como nunca deixou de acreditar, de lutar, de seguir em frente (sempre a caminhar...um pé à frente do outro..., como refere várias vezes). Mas não foi apenas Sorcha que me comoveu. Também me senti muito comovida com Finbar e Red, personagens tão ricas e profundas que me fizeram sentir uma grande empatia por elas. 

Todas as personagens são excelentes e as centrais, bastante complexas e interessantes. Gostei muito de Sorcha, de Finbar, de Conor, de Padriac, de Red e de Simon, principalmente. Também gostei dos outros irmãos, mas senti mais empatia com estes. Todas as personagens vão sofrendo uma evolução bastante grande, o que dá força ao enredo. Como principais vilões, Lorde Richard e Lady Oonagh estão muito bem, apesar de não terem sido assim uns “super vilões”, não daqueles que por vezes me fazem odiar profundamente ou até gostar. Claro que odiei Lady Oonagh e também Lorde Richard, mas o forte da história não são os seus vilões, a meu ver, o forte da história é a sua magia, o amor e amizade entre Sorcha e os irmãos, a força da família, a coragem, a sobrevivência, o amor e a amizade, a força de acreditar e de não desistir, de lutar sempre e de continuar, independentemente do que aconteça. A força desta história é a sua mensagem, a beleza da história de Sorcha, dos seus irmãos, de Sevenwaters, de Harrowfield. A força da união, da descoberta do íntimo de cada um, a descoberta dos sentimentos, das emoções, da Vida. É aí que a história é verdadeiramente boa. É linda e é uma boa história para contar. Sorcha e outras personagens contaram muitas histórias e o poder das histórias, das lendas, é também muito forte ao longo da história. Muitos são os paralelismos entre histórias contadas pelas personagens e a própria história das personagens ao longo da narrativa. E é também muito parecida com um conto tradicional, pois têm vários elementos que fazem lembrar histórias de princesas e infelizes raparigas com tarefas para fazer e perigos para ultrapassar. Esta é uma história que poderia ter sido verdadeira, uma história que se tornaria numa lenda, uma lenda celta, cheia de magia, de beleza, de misticismo. Uma balada, tão perfeita, tão esplendorosa. Sim, A Filha da Floresta é uma maravilhosa balada celta, uma balada cheia de sentimento e de emoção.  

Outro aspeto que me agradou bastante foi o contexto da história. O contexto histórico. Sendo uma narrativa com grandes laivos fantásticos, o contexto é muito real, está muito bem definido e faz todo o sentido. É uma história de fantasia, cujo contexto é real: Irlanda e Bretanha, no tempo das invasões bárbaras. A autora aliou uma história de magia com acontecimentos reais. E, todos sabemos que naqueles locais havia magia de verdade. Quem pode dizer que não havia? Por isso, a parte fantástica da história também se mistura com a realidade, o que é muito interessante.


Gostei do ambiente. As descrições são soberbas, cheias de vida, e permitem que o leitor se imagine lá, onde Sorcha está, perto dela. Senti várias vezes que estava lá com ela. Penso que senti isso durante toda a narrativa. 

Não é o primeiro livro que leio da autora. Já li O Espelho Negro, Danças na Floresta e O Segredo de Cibele. Destes três, o que mais gostei foi Danças na Floresta. E agora A Filha da Floresta passou-lhe à frente, se bem que por pouco espaço. Há várias semelhanças entre os livros da autora, mas essa é a sua magia. Se Juliet escrevesse um livro com outros temas, todos nos espantaríamos e até podia não ser tão maravilhoso como os que a autora tem escrito. 

E este é o primeiro livro de Sevenwaters. Vê-se perfeitamente que é apenas o começo e espero que o que vem a seguir continue a ser tão bom, ou, quem sabe, melhor.

Sorcha é uma maravilhosa narradora. Penso que, até agora, ainda só li poucos livros cujos narradores me encantaram muito. Os do Fitz, do Kvothe, Óscar, em Marina, de Zafón, e este. Um bom narrador faz maravilhas, e Sorcha convenceu-me completamente. Penso que ela seria uma mulher à altura de FitzCavalaria Visionário. Sim! Pensei várias vezes neles juntos, ao longo da leitura. 

Pois é, A Filha da Floresta entrou para o meu grupo de favoritos e poderá ser um dos melhores do ano. É o começo de uma história, trilogia ou mais, e é um bom começo, um começo forte e marcante. Agora é ler os seguintes.

NOTA (0 a 10): 10

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Vencedor do Passatempo A Lenda, de Inês Cardoso

Olá a todos!
O vencedor do passatempo que decorreu até ontem aqui no Blogue (em parceria com a Chiado Editora) é:

Mariana...Leal.

Parabéns à vencedora! Obrigada a todos os que participaram! Continuem a seguir o Blogue, aqui e no Facebook! Espero pelos vossos comentários; esperem por novos passatempos, pois eles hão de chegar! 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Noé

Independentemente de saber a história, fui ver este filme. É sempre com agrado que vejo filmes históricos/épicos e este é um deles. Com um casting muito bom e um realizador também bom, não esperava outra coisa se não qualidade. E, de facto, qualidade foi o que não faltou.


O filme conta a história de Noé e da construção da Arca que salvou a sua família e um casal de animais de todas as espécies aquando do Dilúvio. No entanto, existem vários aspetos diferentes nele presentes. A história é vista de um ângulo diferente, uma vez que explora ideias um tanto distintas daquelas que são mais comuns. Logo no início, é introduzida a história a partir de Caim, Abel e Seth e da sua descendência, de modo a que se compreenda as ligações e relações entre personagens, até se chegar a Noé. 


Este filme prima pelo cariz mais humanizado das personagens, pelo conflito entre o dever e o sentimento, o bem e o mal, o certo e o errado, bem como a intensa relação familiar e tudo a que a envolve. Noé vê-se na incumbência de, não só construir a arca e proteger os animais, mas também de proteger a arca de um povo, não descendente de Seth, cruel, canibal e assassino, cujo chefe (assassino do pai de Noé), ao saber da construção da arca, promete ficar com a arca para si. Com a ajuda dos Vigilantes, anjos caídos em desgraça, mas à espera de redenção, Noé constrói a arca, até ao momento do Dilúvio, que é também o momento do ataque do chefe assassino.


O filme tem uma abordagem ligeiramente diferente, não tão "fiel" ao Antigo Testamento como outras adaptações. No entanto, não é por isso que perde. Aliás, até ganha, uma vez que as alterações feitas serviram mais para preencher a história, dando-lhe um lado, se bem que mais humano, também mais fantástico. Eu gostei muito do filme. Gostei da adaptação feita, das prestações dos atores, principalmente de Russel Crowe, e da realização. Existem várias cenas do filme que são sublimes, especialmente uma em que se vê a evolução da maldade humana desde o assassínio de Caim até aos dias de hoje. O filme é, em parte, sobre o que se faz para sobreviver, os extremos a que se chega e como isso pode afetar as relações entre as pessoas.

Enfim, é uma adaptação de uma história muito conhecida, que trás uma visão um pouco diferente, mas bastante interessante também. Os efeitos especiais também estão bons, tal como a banda sonora, os cenários, os ambientes...enfim, o filme é todo ele, em todo o seu conjunto, um excelente filme.

NOTA (0 a 10): 9

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Werther, de J. W. Goethe

Werther é um dos maiores romances existentes. É um romance por excelência, um dos mais afamados, mais trágicos romances da história. Escrito/publicado em 1774, revolucionou os romances da época, bem como as mentalidades dos jovens europeus. Ora, tinha de ler este livro.

A história é narrada através das cartas que Werther, um jovem que vai para o campo para procurar repouso para o seu coração exaltado e emocional, escreve para o seu amigo, Guilherme. Estas cartas são escritas num período de mais ou menos meio ano, tendo início em maio e terminando pelo Natal desse ano.

Werther, nas nos seus passeios pelo campo e pela aldeia onde está a morar, vai relacionando-se com as pessoas, acabando por conhecer Carlota, uma jovem que vive com o seu pai e com os seus irmãos, cuidando deles e da casa.

Deste modo, a espiral de sentimentos em que Werther acaba por mergulhar faz dele o mais infeliz dos seres, infelicidade essa que nada consegue conter ou disfarçar.

A história dele é deveras triste. O autor consegue criar o ambiente perfeito para a história de Werther: um ambiente de abandono, melancólico, doentio, só, desamparado. Werther é uma personagem que me transmitiu imensa pena, compaixão e tristeza. Ver o desabrochar do seu amor por Carlota, ver como ele tenta colmatar os seus sentimentos por ela, e depois ver como tudo termina, provocou-me um sentimento de profunda amargura. Dei comigo a pensar: "Carlota! Não vês o quanto ele te ama? Será que não consegues vê-lo? Senti-lo? Faz alguma coisa! Fica com ele!", isto mesmo sabendo que a atitude de Carlota era a mais certa, adequada a uma mulher casada, com imensa responsabilidade no seio da sua família. Mas, por um lado, os sentimentos de Werther eram tão puros, tão ingénuos, doces, que não poderia ficar indiferente. Penso que, quem apreciar o livro, não irá ficar indiferente aos sentimentos dele. Não pode.

Sendo uma narrativa estruturada de forma epistolar, pode causar alguma apreensão ou aquele sentimento de "não gostar", mas a história vale todo o esforço que possa ser necessário para ler a obra. Esta organização da narrativa não é a minha favorita, tal como não o é os diários, mas nem me atrevi a desistir, tal não estava a ser a força da história, a emoção que me estava a despertar. É que Werther (ou Goethe) consegue referir, descrever e refletir de tal modo sobre o que observa, o que sente e o que deseja que dei por mim a ter uma imensa curiosidade sobre tudo o que ele estava a sentir, a ver, a pensar. E pensava: "Não posso abandonar Werther! Não posso... tão abandonado ele está...". A sério, fiquei muito emocionada com esta personagem. Penso que, por ser mulher, ler um texto sobre amor na perspetiva de um homem é algo fascinante; é como conhecer um bocadinho do seu íntimo, mesmo sabendo que Werther é uma personagem e a generalização é algo errado e falacioso.

É uma história profunda, com temas profundos. É uma reflexão sobre o amor e o que este provoca no ser humano, podendo levá-lo aos maiores extremos. Ao longo da narrativa, Werther vai apresentando outras personagens, que também têm as suas histórias particulares, histórias essas que também são bastante fortes, bastante humanas. No fundo, toda a história, a de Werther e a das outras personagens, é uma grande reflexão sobre a Vida e sobre o que o amor leva as pessoas a fazer.

Gostei muito desta obra. O final é bastante forte. Tudo o que acontece, o que é narrado, leva ao fim que a história apresenta, mas mesmo assim, é bastante forte e emotivo. Podia haver vários finais, mas o escolhido foi o que mais podia causar um sentimento de melancolia, por tudo o que acontece até ao desfecho. Ler esta obra é como fazer parte da vida de Werther durante o período de tempo presente nas cartas. No final, a história não é totalmente epistolar, uma vez que há a narração do "Editor". Essa parte é bastante, que também contém cartas de Werther e outros acontecimentos, foi a que mais me comoveu. A escrita é sublime e o sentimento com que tudo é dito, principalmente nas cartas escritas por Werther nesta parte do livro, fez-me ter uma grande compaixão por ele.

Sem dúvida, uma grande história de amor a reter no coração. 
Werther conhece-a quando a convida para um baile, ficando logo apaixonado, paixão essa que o deixa tremendamente infeliz ao tomar conhecimento que Carlota é noiva. Disposto a não melindrar a amada com os seus sentimentos, Werther vai vivendo a sua vida e o seu romance de modo solitário, apenas contando os seus sentimentos a Guilherme, nas cartas. Quando conhece Alberto, o noivo, compreende que este é um bom marido para a sua amada, sentido-se ainda pior em querê-la para si.


Citações:

Guilherme, que seria do mundo sem amor? Exatamente o mesmo que uma lanterna mágica sem luz! Mas logo que se lhe põe a lâmpada, refletem-se na alvura da parede as imagens multicolores. E, ainda mesmo que nada mais se veja do que fantasmas que desaparecem, nem assim esses fantasmas deixam de fazer a nossa felicidade, quando, pequeninos, os contemplamos, extasiando-nos ante essas maravilhas.
p. 41

Sofro o castigo. Saboreei esse pecado em toda a sua volúpia celestial, absorvi no meu coração o bálsamo da vida e a força. És minha desde então...minha, sim, Carlota! Vou primeiro do que tu. Vou reunir-me a meu pai, a tua mãe! Contar-lhe-ei os meus sofrimentos, e ele há-de consolar-me até que tu venhas...Então voarei ao teu encontro...Hei-de agarrar-te, e ficar junto de ti na presença do Infinito, num eterno abraço. 
p. 117

NOTA (0 a 10): 9

domingo, 11 de maio de 2014

A Marca das Runas, de Joanne Harris

Primeiro que tudo: FANTÁSTICO! 

Pois bem, A Marca das Runas, primeiro livro de dois, da autora Joanne Harris, é uma excelente obra de Fantasia. Tendo como base a mitologia Nórdica, este livro é uma janela para esse mundo, povoado por deuses, seres mágicos, magia, runas, a Ordem e o Caos. É um completo mergulho nestas lendas e serve-se extremamente bem delas para explorar a história.

Já há algum tempo que andava de olho nele, principalmente devido ao título e à sinopse, mas quando fiquei a saber que o Loki (e companhia) faziam parte do livro, não esperei mais. Tive de o ler! Sempre gostei das lendas nórdicas e muita da Fantasia que tanto gosto vai/foi lá beber. Então, quando vi os filmes do Thor, fiquei completamente apaixonada...pelo Loki, principalmente. Assim, foi com imensa curiosidade e entusiasmo que iniciei a leitura desta obra.

Depois do Ragnarók, os deuses caíram: foram presos ou mortos. Os Æsir foram destruídos, os Vanir banidos. A Ordem impôs-se, nasceu uma nova Ordem, feita de historiadores, clérigos, religiosos, que se uniram contra todo o conhecimento antigo, instaurando uma nova religião, única e verdadeira, baseada na Palavra e no culto ao Inominável. Tudo o que estava relacionado com magia foi banido e aqueles que, porventura nascessem com marcas de runas (humano ou animal) ou que a fizessem eram entregues para serem mortos, num processo inquisitório. A Ordem tinha a sua localidade grandiosa no Fim do Mundo, um tanto longe de Malbry, aldeia onde vivia Maddy Smith, filha do ferreiro da aldeia. Maddy nascera com uma marca numa das mãos e logo foi posta à margem. Era vista como bruxa e não tinha amigos. Mas Maddy não se importava muito, continuando a sua vida e o seu gosto pela magia que sabia poder fazer. Aos sete anos encontrou um velho zarolho na Colina do Cavalo Vermelho, lugar de superstição e magia, e viu que aquele homem sabia muitas coisas que ela quis aprender. A amizade entre eles foi crescendo, e todos os anos, por volta de Beltane, o Zarolho aparecia na Colina e Maddy ia ter com ele. O velho era um comerciante, que sabia muito dos Mundos e de magia e logo compreendeu que Maddy era especial e começou a treiná-la, mesmo sem que ela compreende-se na totalidade. Ensinou-lhe as histórias dos deuses e das guerras da Ordem e do Caos e alertou-a contra possíveis inimigos. Assim foi Maddy crescendo. Pelos seus 14 anos, o Zarolho deu-lhe uma tarefa: entrar na Colina e encontrar o Sibilo. Não lhe explicou nada mais, exceto conselhos contra o Impostor, apenas ajudando-a a entrar. Mas eles não estavam sozinhos: Adam Scatergood, um rapaz da aldeia, ajudante do padre e maldoso, ouvira tudo e logo foi contar ao padre, que depressa arranjou maneira de por o povo contra Maddy, acusando-a de bruxaria, guiando todos para um cerco à Colina e apelando para a Ordem, que enviou um Inspetor.

Sem nada para se orientar, Maddy viu-se dentro da Colina, num mundo de túneis, o Mundo Subterrâneo, sem saber o que fazer. Acabou por encontrar um conhecido seu, um goblin de nome Açúcar e Vinho, que a guiou durante um bocado, acabando por enganá-la. Depois de muito caminhar, acabou por ir ter a uma caverna com um poço de fogo, onde algo estava escondido.
Assim começa a aventura de Maddy pelos Mundos em busca de salvação para os deuses e para os Mundos, uma demanda perigosa, cheia de contratempos e de mudanças, onde nada parece o que é. É uma jornada pela sua vida, pelo conhecimento de quem é de verdade. E, sem saber o que fazer, acaba por ter de guiar-se pelas suas ideias, pela sua coragem e pelos seus companheiros, mesmo desconfiando deles.

Muitos são os enredos paralelos ao longo da história: a demanda de Maddy, a demanda do padre Nat Parson, a demanda do Zarolho, a demanda do Sibilo, a demanda de Loki, a demanda dos Vanir e de Skadi... os objetivos das personagens são variados e as suas decisões afetam tudo e todos. É uma história sobre sobrevivência, poder, sacrifício, coragem. A demanda de Maddy é enorme e sem ela saber, tudo o que dela parte pode mudar os Mundos, literalmente. O fundo do enredo, o grande plot, é muito mais denso do que se imagina inicialmente e só à medida que se vai lendo é que se vai compreendendo verdadeiramente quais os objetivos das personagens, os seus desejos secretos, sendo que tudo está interligado com várias profecias proferidas pelo Oráculo (ou Sibilo), uma vez que estás estão diretamente relacionadas com a vida das personagens.

Ou seja, o enredo é feito de um choque de desejos, que não posso estar aqui a mencionar ou iria contar a história toda! E, acreditem, não vale spoilar, porque a história é fantástica e é ainda melhor saboreada se se for à descoberta!

Gostei imenso. É um dos melhores livros que li este ano, sem dúvida. Gostei muito da escrita: bastante fluída, concreta, terra-a-terra, explícita. Ainda não tinha lido nada da autora e fiquei bastante agradada. A narrativa é muito coerente, muito coesa: tudo se relaciona, tudo está interligado; nada falha, nada fica de fora; todos os pormenores são importantes, até aqueles que, à partida, não parecem sê-lo. Aprecio bastante quando tal acontece, pois, como já referi várias vezes, tal demonstra mestria da parte do escritor. Enredos básicos, onde tudo se descobre "à descarada", sem nenhuma complexidade, neste género de livros principalmente, é bastante monótono e chato. Gosto de histórias que me façam pensar, encontrar teorias, planos...isso dá-me vontade de ler mais, de descobrir, o que faz com que mergulhe completamente na história: é como se estivesse lá com as personagens. É isso que eu procuro, principalmente, nos livros. É bom quando acontece e aqui aconteceu. Muito, muito agradavelmente.

A visão dos Nove Mundos, tudo o que se lhes relaciona, as descrições mágicas e fantásticas, são aspetos que também ajudaram ao meu gosto pela história. A viagem feita pelas personagens também foi feita por mim. É como se estivesse lá...as descrições são tão boas, tão compreensíveis e ao mesmo tempo fantásticas e até impossíveis, que permitem que tal seja possível ao leitor. Senti-me muito próxima das personagens e dos locais. A relação muito próxima com as lendas da mitologia Nórdica está muito bem desenvolvida.

E por falar em personagens, não podia deixar de referir a minha preferida: o Loki! Sim, de todas as personagens, o Loki é a melhor. Ele é fantástico: cheio de charme, de humor, intrigante, escorregadiço, inteligente, mentiroso, mas também bastante nobre e até bondoso. Sim, porque lá no seu intimo, ele tem bondade. Isso é possível de observar ao longo do livro. Também ele ajudou ao meu gosto pela obra. O seu humor, as suas respostas secas, inteligentes, sarcásticas, e também os momentos de perigo porque que passa ao longo da aventura, as suas dores, inquietações, medos, fizeram com que eu sentisse algo por ele, aquele sentimento especial que acontece entre o leitor e certas personagens...carinho, interesse e apreço. Mesmo podendo ser considerado como vilão, eu não o vejo como vilão e se não fosse ele, as coisas por que passou, as suas decisões e do que abdicou, o final da história não teria sido aquele que foi. Sem dúvida, Loki é das melhores personagens da história. Para mim, é a melhor. Ele é fantástico e consegui passar umas boas horas na sua companhia, torcendo por ele em vários momentos, ficando apreensiva noutros, temendo, rindo e alegrando. Assim, é de referir que todas as personagens são interessantes e complexas, sendo ótimas companhias de aventura, sendo que delas, destaco o Loki (que aqui é ruivo).

Em suma, aconselho a todos, sem reservas. É um livro fantástico, de Fantasia, onde a Mitologia se mistura com a imaginação da autora, onde tudo se interliga, havendo momentos de grande intensidade emocional. As personagens são fantásticas, os ambientes também (há mapas cruciais e maravilhosamente elaborados no início do livro, tal como uma lista de personagens e de runas utilizadas ao longo da narrativa). Esta é uma viagem aos Nove Mundos que fica guardada no coração e na mente. Muito, muito bom! Agora, é ler o segundo.

Profecias:

Vejo um exército pronto para a batalha.
Vejo um General isolado.
Vejo um traidor no portal.
Vejo um sacrifício.

E os mortos despertarão nas cavernas do Hel.
E o Inominável erguer-se-à, e Nove Mundos serão perdidos,
A menos que os Sete Adormecidos despertem,
E o Trovejante seja libertado do Mundo Subterrâneo...

p. 268

Quando Odin e o Sábio Mimir se encontrarem, o Caos entrará nos Nove Mundos. Vejo um Freixo no portal aberto - disse o Sibilo. - Atingido por um raio, mas de rebento verde. Vejo um encontro na orla do Mundo da Maldição, do sábio e do não sábio. Vejo uma barca de morte nas margens do Hel… e o Filho de Bór com o seu cão aos pés.
p.286

Citações: 

- Um mar sem marés ficaria estagnado – acrescentou Loki. – Do mesmo modo, um mundo que deixasse de mudar entorpeceria e tenderia para a morte. A própria Ordem precisa de algum Caos. Odin sabia isso quando me levou com ele e quando fizemos um pacto de irmãos de sangue. OS outros não compreenderam. Ficaram de olho em mim desde o primeiro momento.
p. 114



Vinte e dois segundos. Já viam o portal. A entrada não parecia maior que uma ogiva pontiaguda e Thor segurava-a com ambas as mãos,  o rosto visivelmente contraído pelo esforço, os ombros curvados como os de um boi, enquanto eles passavam velozes pela fenda estreita.

Vinte segundos.

- Não te preocupes. Vamos conseguir…

- Maddy… não…

O coração de Maddy estava quase a rebentar quando se esgueirou pelo portal, arrastando atrás de si Loki, que continuava a debater-se.

- Ouve bem! O Sibilo mentiu. Eu sei o que ele quer. Vi-lhe a mente. Sei desde o primeiro dia da nossa viagem. Não te contei, menti, pensei que poderia utilizar esse conhecimento para me salvar.

Quinze segundos.

Maddy forçou o braço de Loki.

Naudr, a Amarra, cedeu com um estalido.
p. 440

Porque um contador de histórias não morre nunca, mantém-se sempre vivo nas suas histórias enquanto houver alguém para as ouvir.

Tudo o que pode ser sonhado é verdadeiro. Procura-me no sonho.

p. 518

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Novidades Marcador

Desde já quero agradecer e anunciar a parceria que estabeleci com a Editora Marcador.
Venho apresentar as novidades da Editora Marcador:


O Homem Que Perseguia O Tempo, de Diane Setterfield


Sinopse:  

Num momento de rivalidade infantil, William deixa-se levar pelo entusiasmo e não hesita em apontar a fisga a uma gralha-calva poisada num ramo, acabando por matá-la.
Um ato que, apesar de cruel, não teve qualquer significado e depressa foi esquecido. Mas as gralhas-calvas não esquecem…
Anos depois, na idade adulta, já com mulher e filhos, entra na sua vida um desconhecido misterioso e a sua sorte começa a mudar, surgem então as consequências terríveis e imprevistas daquele incidente do passado.
Numa tentativa desesperada de salvar o único bem precioso que lhe resta, William celebra um acordo deveras estranho, com um sócio ainda mais estranho. Juntos, fundam um negócio inquestionavelmente macabro.

Sobre a autora:

Diana Setterfield é uma autora britânica. Nasceu em Englefield, em 1964. Passou grande parte da infância na localidade vizinha de Theale. A autora é, nas suas palavras, «em primeiro lugar, leitora, e em segundo, escritora». O primeiro livro da autora foi bestseller do The New York Times e está publicado em 30 países. Em Portugal chama-se O Décimo Terceiro Conto e é publicado pela Marcador.

À venda a partir de 6 de maio, por 18,50 euros.



Oscar Wilde Para Inquietos, de Allan Percy


Sinopse:

Neste livro encontra 99 máximas que tratam de assuntos variados como o amor, o dinheiro, a amizade, entre outros. O autor torna acessível a todos até mesmo a ideia mais refinada.
Oscar Wilde para inquietos é uma aula de filosofia extraída da vida e da obra do consagrado autor de O Retrato de Dorian Gray. Nas frases ditas por Wilde ou nas expressas pelas suas célebres personagens encontramos uma ironia única e uma sabedoria imortal que refletem o brilhantismo de um homem que aproveitou ao máximo os prazeres da vida, sem deixar de a observar criticamente.
Cada capítulo contém uma frase marcante do escritor que Allan Percy comenta e desenvolve. O leitor vai passar a ver a ver o quotidiano sob um novo prisma, irreverente, crítico, e ao mesmo tempo, sofisticado e cheio de esperança.

Sobre o autor:

Allan Percy é perito em coaching e autor de vários livros de desenvolvimento pessoal. É, atualmente, consultor de diversas editoras para além de viajar por todo o mundo em busca de novas inspirações para os seus livros.

À venda a partir de 6 de maio, por 15,00 euros.

Fonte: Editora Marcador

sábado, 3 de maio de 2014

Passatempo - A Lenda, de Inês Cardoso

Venho comunicar que está aberto o passatempo para oferecer um livro A Lenda, de Inês Cardoso, em parceria com a Chiado Editora.
http://www.chiadoeditora.com/index.php?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&product_id=1098&category_id=1&option=com_virtuemart&Itemid=171

Podem clicar na imagem para saberem mais sobre a história.
Para se habilitarem a ganhar este livro basta preencherem o formulário que está abaixo e, claro está, serem seguidores do Blogue, aqui, e no Facebook.

As regras são:
- participar até às 23h59 de 25 de maio de 2014;
- ser seguidor do Blogue aqui e no Facebook;
- ser residente em Portugal;
- só são aceites uma participação por pessoa e por morada;
- apenas haverá um vencedor, que será apurado através do site: random.org.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

O Grande Gatsby é um clássico que tem como pano de fundo os loucos anos vinte e tudo o que a eles está relacionado: festas, carros, amor, brilho, euforia, dinheiro, decadência.

A história é narrada por Nick Carraway, único amigo de Jaz Gatsby. Nick é um jovem homem que veio do Oeste dos EUA para o Leste, para ganhar a vida no negócio das finanças e economia, depois de ter servido na 1ª Guerra. Chegado a Long Island, Nova Iorque, Nick instala-se numa pequena casa no meio de casas ricas. Numa dessas casas vive Gatsby, um excêntrico milionário que dá festas enormes e loucas e que nunca aparece, sendo por isso uma misteriosa figura que todos comentam, especulando sobre a sua vida e a sua fortuna. Nick tem uma prima, Daisy, que é casada com um ex jogador de pólo bastante rico, Tom Buchanan. Daisy vive um casamento um tanto infeliz devido às amantes que o marido de vez em quando tem, mas para manter as aparências e pelo dinheiro, Daisy releva, vivendo numa euforia um tanto fútil e despreocupada, em conjunto com a sua amiga jogadora de golf, Jordan, pela qual Nick começa a nutrir um certo interesse. Maravilhado pelas festas de Gatsby, Nick sente uma enorme atração por este, acabando por conhecê-lo. Depois de o conhecer, logo fica a saber dos desejos de Gatsby: voltar a ver Daisy, sua antiga namorada e o seu grande e único amor. Nick decide assim ajudar Gatsby a rever Daisy e ajuda os dois no seu relacionamento às escondidas. Porém, quando Gatsby começa a pedir a Daisy para deixar Tom, tudo se desmorona.

Esta história é uma grande crítica ao Sonho Americano, à riqueza, à futilidade, ao interesse pelos bem materiais e à falta de moral e de escrúpulos. Depois da 1ª Guerra Mundial, no meio da euforia da vitória e da especulação monetária, da Lei Seca, dos gangsters, dos negócios ilícitos, os valores e as mentalidades não conseguiram estabelecer nenhuma clareza nem nenhuma grandeza, fazendo com que tudo o que se poderia ter ganho com o fim da guerra se desmoronasse, ficando tudo em estilhaços. Todo o glamour, toda a beleza, o brilho, a euforia se estilhaçou como um milhar de diamantes jogados no vazio e desfeitos. Não havia nenhuma preparação para estabelecer uma vida de valores depois da guerra e a euforia e a loucura levaram à decadência que teve com fim o aparecimento dos políticos que levaram o mundo à 2ª Guerra. Esta guerra foi a consequência de não se ter conseguido estabelecer regras e condutas depois da 1ª Guerra, no geral.

Isso está bem retratado ao longo da história. Nick, o mais pobre da história, não se consegue adaptar ao ritmo estouvado do que o rodeia em Nova Iorque. Não consegue acompanhar as mentalidades, nem os valores, acabando por se decepcionar fortemente com tudo o que pensava ser o melhor que havia. Acaba por descobrir que tudo não passa de uma feira de aparências e de futilidades, que o dinheiro compra tudo e vence tudo, que os sentimentos não passam de vazio e que são esquecidos com uma tamanha facilidade que é de enojar. A bondade, o amor, a verdade são sentimentos e ações que não podem combater com o dinheiro, as aparências, a euforia, a mentira e a criminalidade. Tudo é feito de mexericos e de mentiras e as verdades são assim postas de lado, esquecidas, pisadas e desfeitas e no fim, nada resta senão a mentira, o esquecimento, o vazio, o abandono. O grande Gatsby é grande exatamente por isso. É de facto, uma grande personagem. Uma personagem que no fundo é boa, com um bom coração e com bons sentimentos, que acaba por ter um final extremamente inglório. É revoltante. Nick consegue retratar muito bem este quadro de ações e sentimentos, sendo um excelente narrador.


Apesar de ter gostado da história, da sua moral e da forma como é narrada, da sua força e da sua vitalidade, não consegui gostar tanto como esperava. Não foi das leituras que mais apreciei, em parte devido a alguns momentos iniciais da história, dos diálogos e da futilidade de algumas das personagens. Gostei do enredo, dos momentos mais para o final, sendo que no início não senti grande emoção. Já sabia a história, uma vez que já tinha visto o filme de 2013, que está muito fiel ao livro, por sinal, exceto algumas questões na parte final. Gostei bastante da força do amor do Gatsby, que é praticamente a única personagem de que gosto do livro, mais o Nick. Não gostei da Daisy, nem do Tom, mas especialmente da Daisy. Nem no início, nem no meio, nem no final. É uma personagem que tem o que merece. A vida de adultério que Tom leva acaba por ser merecida para Daisy. É triste, enquanto mulher, chegar a esta conclusão, mas é verdade. O que ela fez ao Gatsby não se faz.

No fundo, a história é também um romance. O romance de Gatsby, o amor dele por Daisy, uma rapariga que ele amou antes de ir para a guerra, que fez tudo por ela, que enriqueceu para ela, que comprou a casa para ela, que esperou cinco anos para a voltar a ver, que organizou todas as festas na esperança de que um dia ela aparecesse e o visse e assim retomassem o seu romance. Uma rapariga extremamente fútil, indecisa e fraca. Os sentimentos de Nick, ao longo do livro e no final, são também os meus. Nada do que Gatsby fez por ela foi merecido. 


O livro é uma excelente crítica a tudo o que aconteceu naquele tempo, aos valores e às misérias humanas que perseveraram para infelicidade de muitos. Se se tivesse sido mais comedido, muito teria sido diferente desde aqueles momentos. De facto, a história é boa, apesar de não ter gostado muito. No entanto, recomendo pois o facto de não ter gostado não se deve à falta de qualidade, mas sim ao gosto pessoal, como já referi anteriormente.


O Gatsby acreditara na luz verde, no orgíaco futuro que, ano após ano, foge e recua diante de nós. Se hoje nos iludiu, pouco importa: amanhã correremos mais depressa, alongaremos mais os braços...Até que uma bela manhã...

Assim vamos teimando, proas contra a corrente, incessantemente cortando as águas, a caminho do passado que não volta. p. 172

NOTA (0 a 10): 7

Uma das músicas da banda sonora do filme (Jack White - Love is blindness):