segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O Labirinto dos Espíritos, de Carlos Ruiz Zafón

Sinopse:

Não perca o final da saga iniciada com A Sombra do Vento.

Na Barcelona dos fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo.

Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família.... embora a um preço terrível. 

O Labirinto dos Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com A Sombra do Vento, que alcança aqui toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida. (in Goodreads)




Opinião:

Depois de alguns anos à espera deste livro, assim que saiu agarrei-me a ele e só o larguei quando terminou. Não esperava outra coisa quando o comecei, sabia que ia ficar sedenta das palavras magicamente elaboradas do autor e confesso que cheguei a atrasar a leitura para poder saborear mais um pouco. 

É o sexto livro que leio do autor e é sempre como se fosse a primeira vez; é sempre algo mágico e rico. E é uma experiência que me delicia. 

Sendo A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e O Prisioneiro do Céu livros que me marcaram e que me deixaram em suspenso, esperava muito deste volume. E não fiquei desiludida. 

Este livro pega na história onde O Prisioneiro do Céu terminou. O mistério continua e muito há para descobrir. Daniel é pai de um menino, Júlian, Fermín continua com as suas atividades e mistérios, mas algo muito mais negro e perigoso entra em cena quando o ministro e ex-diretor da prisão de Montjuic desaparece. Rodeado de um mistério que envolve algo muito grande e perigoso, entra em cena Alicia Gris, uma jovem de profissão um tanto estranha: trabalha para uma espécie de organização-fantasma que ajuda a polícia a resolver casos muito difíceis, entre outros trabalhos arriscados. 

Numa trama a que Zafón nos foi habituando, todas as personagens têm uma ligação, todos os momentos são parte de um puzzle gigante e bem construído, onde cada momento encaixa na perfeição. 

Senti novamente uma grande afinidade com as personagens, todas elas. Uma vez que a história vai sendo contada através de várias personagens e dos seus olhares (apesar de só uma parte ser na primeira pessoa), é possível observar como a teia está interligada e tecida. As pontas, que parecem mais desfeitas do que nunca, vão se aproximando, aproximando...para revelar algo que é acaba por surpreender, e que já vou referir mais à frente. 

Em relação às personagens, devo referir que todas, sem exceção, estão soberbas. Desde as maiores até às menores, todas elas fazem o seu papel na perfeição, com propósitos bem definidos e distintos. Gostei de todas elas e da forma como apareceram na história e deixaram a sua marca. Daniel continua a ser aquele jovem amigável e simpático, se bem que muito mais complexo e que acaba por se mostrar bastante obscuro a dado momento. Fermín continua a ser um mistério e a personagem mais carismática da saga. Sempre pronto a ajudar e sempre com algo a dizer. Beatriz também está muito bem...mas claro, uma das personagens deste livro, aquela que tem mais destaque, é Alicia. Complexa, obscura e sedenta de conhecimento sobre tudo o que a rodeia, ela é a agente secreta perfeita. Com a ajuda do agente da polícia Vargas, fazem uma excelente dupla a resolver o mistério do desaparecimento de Valls, personagem que se vai tornando mais horripilante à medida que a história avança. 

Mas há muitas mais personagens...personagens que regressam, personagens que aparecem só por momentos, personagens que aparecem apenas em conversas entre outras ou por cartas, mas que são o eixo central de toda a história. Todas elas são únicas e especiais e eu gostei de todas. 

Quanto à narrativa, há tanto para dizer...tanto para contar e para comentar... mas não quero adiantar-me muito pois o mais certo seria começar a contar spoilers e este é aquele tipo de história que merece que se vá sendo surpreendido a todo o instante, sem spoilers. Fiz um esforço por não ir à frente e confirmar algumas das minhas teorias, mas lá consegui. Contudo, posso dizer aquilo que senti. 

A história está perfeita. Além do facto de tudo encaixar, a trama está riquíssima. É poderosa, complexa e surpreendente simples. O que parece tão complicado a certa altura e em livros anteriores, acaba por ser algo tão simples que surpreende por si só. Todo o passado acaba por vir à tona e muitos mistérios dos livros anteriores são trazidos a lume, se bem que muito fique nas entrelinhas, o que também me agradou bastante, uma vez que fixa a ideia de mistério que sempre me prendeu à obra. 

Poder, política, corrupção, um enredo sórdido e triste, que no seu âmago leva a uma pequena história, a uma história simples, de amor, amizade e lealdade. No meio de uma trama gigante e rocambolesca, narrada com mestria, está o amor, simples e despido de complexos. É como o desfolhar de uma rosa. As pétalas vão saindo, até mostrar o centro, o motivo de toda a história, de todos os mistérios desvendados e que ficam por desvendar. Porque, afinal, o que move tudo e todos é o amor. O amor em todos os sentidos, seja de que forma for, seja por quem ou pelo que for. Por uma pessoa, pelo poder, pelo prestigio. 

E não é só a história em si que extraordinária e perfeita. É também a forma como é contada. O jogo de palavras, a construção das frases, dos parágrafos... há um motivo para cada palavra estar onde está. O constrói cada frase com o propósito de criar algo único e de conduzir o leitor pelo labirinto. Assim, não se é apenas conduzido pelas personagens e pela história, como pela própria linguagem. A linguagem é ela própria personagem, por assim dizer. Aliás, é como se ela fosse a grande narradora. Como se a história fosse narrada pelas próprias palavras, como se elas se escrevessem a si mesmas e criassem elas mesmas a história. 

É uma história sobre histórias, sobre livros, sobre a arte da escrita e da leitura, sobre o que estas duas artes nos dão e nos tiram. É uma lição de como contar um história e de como apreciá-la e vivê-la. É uma história comovente, grandiosa e inesquecível, que deixa algo em nós e que também fica com algo nosso. Aliás, isso mesmo é descrito a dado momento, o que promove a forma como a escrita faz parte da própria história. 

Zafón volta a surpreender, volta a dar-nos uma maravilhosa história de amor e luta. Luta pela Vida, luta pela justiça, por algo melhor. Por mais violência e descrições cruas e negras que haja, por mais nojeira e asco que apareça, está lá o amor e amizade para as vencer. 

E, mais uma vez, leva-nos por uma brilhante visita a Barcelona. 

Assim, recomendo vivamente a todos os leitores que gostam de histórias poderosas, complexas, densas, misteriosas e belas. É, sem dúvida, uma viagem única e que nos arrebata. Todos devem ler estas histórias, pois são preciosas e mágicas.

NOTA (0 a 10): 10 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Leonor de Aquitânia - A Rainha do Verão, de Elizabeth Chadwick

Sinopse:

Jovem, bonita e privilegiada, Leonor tinha tudo para viver um futuro brilhante como herdeira da próspera Aquitânia. Quando o seu pai, Guilherme, Duque de Aquitânia, morre subitamente no verão de 1137, Leonor tem de abandonar a sua infância e assumir-se como duquesa.

Enviada para Paris e forçada a casar com o príncipe herdeiro Luís VII, Lenor pouco ou nada se tinha ainda adaptado à sua nova vida quando o rei morre e ela se torna Rainha de França.

Com apenas 13 anos, tem de deixar tudo para trás e aprender a viver na bruma complexa da Corte e do Clero. Depois de se confrontar com os mais diversos desejos, intrigas e ambições, Leonor apercebe-se de que poderá controlar o futuro se souber escolher o momento certo para agir. 

Com Leonor de Aquitânia. A Rainha do Verão, Elizabeth Chadwick dá início a uma trilogia sobre Leonor de Aquitânia, onde nos deslumbramos com a sua história, triunfos e tragédias, e nos deixaremos levar numa fascinante viagem ao alvor da Idade Média. (in Topseller)


Opinião:

Não é o primeiro livro que leio sobre Leonor de Aquitânia, mas é sempre com grande gosto que viajo pela sua história. 

Leonor foi, sem dúvida, uma rainha extraordinária e diferente das rainhas da altura: muito mais avançada, interessante e visionária. E isso faz com que goste bastante de ler sobre a sua história. 

Este livro está maravilhoso. Gostei muito da forma como a autora contextualizou toda a época, desde as personagens, passando pelo espaço, e indo principalmente aos costumes e tradições. 

Em relação às personagens, gostei muito de Leonor, como seria de esperar. Uma menina nascida para ser duquesa de Aquitânia que se aos 13 anos prometida ao rei de França, D. Luís, que toda a vida tinha estudado para servir a Igreja. Depois de um casamento magnifico e de muito lhe ser prometido, Leonor, à medida que cresce, vai amadurecendo e percebendo toda a trama que a rodeia, vendo-se obrigada a jogar com tudo o que tem. Num mundo de homens, ser mulher não é fácil, pois mesmo com todo o poder que tem, outras coisas se elevam e os homens tentam-se aproveitar do facto de ela ser mulher e de ter uma grande riqueza. O modo como ela faz frente a tudo isso é um hino à bravura feminina, à coragem e à paixão pelo respeito e pela honra. 

Também gostei das outras personagens, uma vez que estão todas muito bem trabalhadas e criadas. D. Luís mostrou-se, mais uma vez, num homem mesquinho e frio, que poderia ter sido diferente se não fosse tão reprimido e subjugado por personalidades mais fortes. Mas foi D. Henrique que muito me agradou. Jovem, honrado e corajoso...o par ideal para Leonor. 

Todas as personagens estão excelentes e povoam brilhantemente esta história, cujo contexto está maravilhoso. Detalhe histórico, detalhe visual. Tanto os acontecimentos históricos estão bem fundamentados, trabalhados e recriados, como todos os pormenores visuais da época estão ótimos. Vestidos lindos, paisagens belas, espaços bem descritos, com o rigor da época sempre presente e sempre bem contextualizado. As questões morais, religiosas e tradicionais estão sempre lá, muito bem assentes e enraizadas, criando ainda mais realidade e veracidade, uma vez que estamos em plena Idade Média. 

Já li outro livro da autora e não estava à espera de menos, uma vez que é das melhores escritoras sobre a História Medieval. Rigor, detalhe e fundamentação. Três pontos chave e todos com nota máxima. 

A história em si, o enredo, está muito bem concretizado. A autora criou a história de modo a parecer uma jornada e isso está excelente. Desde pequena até à faixa etária dos 20 anos (para lá dos 20), a história de Leonor é aqui contada de uma maneira fluída, mágica, cheia de romance, ação e intriga. Leonor tem muitas escolhas a fazer, muitos perigos para enfrentar e muitas batalhas em vários campos para ganhar. A história está bem recheada de aventuras, romance e muita emoção. 

Todos os leitores vão gostar deste livro e vão querer continuar a ler esta história, que já está à venda. A Coroa do Inverno já está nas lojas e vou querer ler brevemente, pois fiquei imensamente curiosa para saber mais sobre Leonor e sobre o que aconteceu depois deste primeiro volume. Recomendo totalmente, a todos os leitores que gostam de histórias fortes, ricas e bem narradas. E, ainda, de referir o excelente trabalho gráfico a nível da capa e exterior, como do interior, que está muito belo.

NOTA (0 a 10): 10 

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Os Venenos da Coroa, de Maurice Druon

Sinopse: 

Apenas alguns meses depois da morte de Filipe, o Belo, os conflitos, as intrigas, os ódios e a luta pelo poder ameaçam submergir a França numa instabilidade devastadora. O legado de 3 décadas de eficácia administrativa, económica e política escapou-se como água por entre as mãos de Luís X, que permitiu que a confrontação entre ministros burgueses e nobres conservadores se saldasse pela perda do domínio das províncias. 

Estava-se no verão de 1315. De acordo com o cognome por que é conhecido na corte, Luís, o Teimoso, começou a regência com a obsessão de se livrar da mulher, Margarida de Borgonha, e de sentar a seu lado uma nova rainha. Com Margarida assassinada e a bela princesa Clemência, da casa de Anjou-Sicília a caminho, vinda de Nápoles, para se tornar rainha de França, Luís X parece preparado para assumir a responsabilidade pelo seu reinado. 

No entanto, num alarde de grandeza, próprio de quem tem o poder, mas não a capacidade de o conservar, o rei envolve-se numa guerra absurda contra o conde da Flandres, enquanto o seu povo morre de fome. 

No Mediterrâneo, as tormentas mergulham os pensamentos da futura rainha Clemência nos mais negros presságios. O veneno volta a correr nas veias de França, e nada parece poder evitar que venha a ameaçar a Coroa.

Descubra Os Venenos da Coroa, o segundo volume da saga de Os Reis Malditos que inspirou os livros de George R. R. Martin, autor de A Guerra dos Tronos. (in Marcador Editora)



Opinião: 

Li, no ano passado, O Rei de Ferro e a Rainha Estrangulada, e gostei muito. Um excelente romance histórico, muito bem narrado e muito bem contextualizado. Então, foi com grande interesse que comecei a ler o segundo. 

Com o povo num estado lastimoso e o reino num estado também estranho, tudo está em aberto para o segundo livro. O Rei Luís está novamente muito bem, cheio de pose e grandeza, mas com muito pela frente.

A história pega muito bem nos acontecimentos anteriores e segue o mesmo caminho: ação, mistério, intriga e romance. Mas mesmo muita intriga. Diria até que a intriga é o maior fator deste livro. Tudo é feito e apresentado no meio de intrigas, no meio de mistérios e duplas intenções, e nada é o que parece. 

Gostei muito da forma como os acontecimentos progrediram e de como foram encaminhados. O autor construiu tudo muito bem, criando personagens reais únicas e perfeitas, muito complexas e de grande personalidade. Criou uma intriga excepcional e muito elaborada, com detalhes históricos muito interessantes e importantes. Conseguiu construir um enredo grandioso e ambicioso, muito bem narrado e muito bem tecido. É, de facto, um dos melhores romances históricos que já li! 

Em relação às personagens, gostei muito de todas. Luís é, de facto, digno do seu cognome: o Teimoso e a rainha Clemência também tem a sua magia. Menores ou maiores, todas as personagens têm o seu papel na história, e todas têm algo a acrescentar ao enredo. 

Com uma escrita muito fluída e capítulos breves, este livro lê-se num ápice. É como que devorado e o leitor acaba por ficar a querer mais e mais. É um livro pequeno, com uma história grande e rica, tanto em detalhes, como no enredo, como nas personagens e na própria escrita. 

Mais um belo romance histórico que nos ensina algo sobre História e que nos deixa ver um pouco como eram verdadeiramente os reinos, os reis, as cortes e tudo o que girava à sua volta. Um mundo de traições e intrigas, sem nada de cor de rosa ou amoroso. Uma leitura maravilhosa! 

Recomendo vivamente a todos os amantes de bons romances históricos e a todos os fãs de histórias com carácter. Os meus parabéns à Marcador pela aposta no autor e espero ler o terceiro brevemente! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 12 de novembro de 2016

Rei dos Espinhos, de Mark Lawrence

Sinopse: 

O Príncipe Jorg Ancrath jurou vingar a morte da mãe e do irmão, brutalmente assassinados quando ele tinha apenas 9 anos. Jorg cresce na ânsia de saciar o seu desejo de vingança e de poder, e, ao fim de quatro anos, cumpre a promessa que fez - mata o assassino, o Conde de Renar, e toma-lhe o trono. Aos 18 anos, Jorg luta agora por manter o seu reino, e preparar-se para enfrentar o inimigo poderoso que avança em direção ao seu castelo.

Jorg sempre conquistou os seus objetivos matando, mutilando e destruindo sem hesitar, e agora não pretende vencer a batalha de forma justa, mas sim recorrendo aos mais terríveis segredos.

Será que o anti-herói mais maquiavélico de sempre vai conseguir reunir os recursos e as forças necessárias para enfrentar uma batalha que parece invencível? (in Goodreads)



Opinião:

Este é sem dúvida um dos melhores livros que li este ano. Simplesmente fantástico. 

Há muito tempo que esperava por ler estes livros e foi com grande entusiasmo que comecei o primeiro. Gostei muito, é muito bom, mas confesso que lá no fundo eu esperava mais. Esperava que mexê-se mais comigo, que me transtornasse ou que me emocionasse muito. Foi muito bom, bem escrito, boas personagens, tudo bom, mas faltou alguma coisa, pouquinha, mas faltou. 

Mas este livro...oh, este livro é o melhor segundo livro de uma trilogia/saga que já tenha lido. O livro é fenomenal, é fantástico e está soberbamente bem contado. Há um desenvolvimento imenso, tanto a nível das personagens, como da própria história e, mais importante ainda, do contexto da história. Fiquei fascinada com o contexto. No primeiro livro já está tudo lá, a Terra. Mas não há muito que refira o passado, nada que faça prever a forma fantástica como o autor estava a planear tratar a história do nosso mundo.

A forma como o autor se apoderou do nosso mundo e o transformou está excelente, muito bem pensado e bastante original! Não foi inventar um mundo novo, nada. Foi fazer algo mais brilhante do que construir um mundo de raiz. Claro que construir um mundo de raiz e criá-lo, dar-lhe tudo o que é necessário para o elaborar e tornar real é um feito esplêndido e único, mas num mundo literário onde cada vez aparecem mais mundos imaginados, pegar na nossa História, no nosso mundo, e transformá-lo está muito original. E o mistério à volta do que aconteceu na Terra roí-nos à medida que lemos. A história passa-se num futuro distante, onde tudo voltou a uma espécie de Idade Média, em que ainda existem alguns edifícios "modernos" e objetos de outros tempos, como relógios e outras máquinas...e até globos de neve! Os objetos mais normais de hoje, são autênticas relíquias nesse futuro elaborado pelo autor. E a vontade de saber mais sobre o que aconteceu para a Terra voltar aos tempos medievais depois de um mundo tecnológico de ponta é enorme. Estou mesmo muito curiosa para ler o terceiro volume, para saber mais sobre estes aspetos e para saber mais sobre Jorg. 

Jorg. Depois do final estrondoso do primeiro livro, onde ele ascende a rei depois de dizimar populações inteiras e o seu tio, Jorg vê-se a mãos com um desafio: reinar e fazer do seu reino algo prospero e poderoso. Claro que ele não quer ficar por ali e o seu objetivo é ganhar a Guerra dos Cem (todos os reinos querem que o seu rei seja o Imperador) e tornar-se Imperador. Quatro anos depois dos acontecimentos passados no primeiro livro, Jorg está numa situação muito delicada, com o seu castelo a ser sitiado pelo Príncipe da Flecha, aquele que todas as profecias dizem ser o futuro Imperador. E vê-se também na iminência de se casar com uma jovem de 12 anos, Miana, sua prometida. 

Tendo em conta a situação delicada em que se encontra, Jorg começa a história por narrar as suas aventuras no presente, indo depois ao passado, quatro anos antes, para explicar ao leitor tudo o que está para trás daqueles acontecimentos presentes...o porquê de estar a ser atacado, o porquê de estar para se casar e o porquê de muitas outras coisas que lhe aconteceram naquele espaço de tempo, coisas essas que ficaram presas dentro de uma caixa mágica que que está à espera de ser aberta, mas que não o deverá ser. 

É impossível contar mais pormenores da história sem referir spoilers, por isso vou ficar sossegada quanto aos acontecimentos da narrativa, mas é difícil! A história é tão boa!!! 

Pois bem...as personagens estão muito melhores neste livro. Jorg está muito melhor. Mais maduro, mais sóbrio, mais adulto. Não está sempre a pensar em matar e em planos mirabolantes, mas os planos que traça são muito mais inteligentes, complexos e brilhantes. Vê-se que houve um grande crescimento a nível psicológico e isso reflete-se na própria forma de narrar a história. Há mais amor, mais remorso e mais melancolia na forma como Jorg vai narrando as suas aventuras e os seus planos. Há uma busca desenfreada pelo amor que perdeu em criança, pelo amor da sua mãe e do seu irmão, também pelo amor que queria ter tido do seu pai, e também da sua amada. Jorg não se apresenta tão cruel, mas sim com uma revolta latente, criada pela falta de amor e pelo ódio em que cresceu. Gostei da forma como ele procurou a sua história e a sua família e como tentou agarrar algo que lhe faltava, algo por que sempre ansiou...o amor. 

Também as outras personagens estão mais complexas. Os Irmãos do Bando estão mais complexos, com histórias mais complexas e definidas. As novas personagens também são muito interessantes. Miana é excelente. Inteligente, engraçada e perspicaz. O Príncipe da Flecha também tem o seu interesse e todas as personagens familiares de Jorg que aparecem neste livro mostram um outro lado de Jorg muito mais belo do que aquele que se conheceu no primeiro livro. E Katherine, que também aparece para criar emoções fortes. No fundo, todas as personagens estão excelentes. 

As descrições estão muito mais elaboradas, criando um efeito visual muito forte e bom. A escrita continua fluída, criando uma leitura rápida e frenética. Jorg tem uma forma única de narrar a história, uma forma que dá todo um lado com humor a uma história que não tem muito de divertido. Mas Jorg sabe dar a sua pincelada de humor, à sua maneira. 

Como referi anteriormente, o contexto e toda a história por detrás da enredo está muito mais complexo e bem elaborado do que no primeiro livro e isso torna o livro muito mais rico e muito mais poderoso. Dá-lhe corpo e força e o mistério do que é que aconteceu à Terra é prefeito. Aqueles momentos com o holograma...lindo. 

Ora, o que há mais para referir? Apenas que espero ler o terceiro em breve. Espero que esteja ainda melhor, apesar de ser difícil, pois este está maravilhoso. Emoção, ação, amor, ódio, redenção, batalhas terríveis e muito bem descritas, planos mirabolantes e reviravoltas únicas e estonteantes são os ingredientes deste livro que eu recomendo a todos os leitores de Fantasia, a todos os que gostam de histórias fortes, com garra e a todos aqueles que gostam de uma história única e que fica com o leitor para sempre. É uma história que nos agarra e que nos consome. Recomendo vivamente! 

NOTA (0 a 10): 10 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Britannia, de Simon Scarrow

Sinopse:

Britânia romana, 52 d.C.. As tribos ocidentais preparam-se para firmar uma posição, mas conseguirão elas igualar a disciplina e coragem dos legionários?

O centurião Macro, ferido em combate, é deixado para trás como responsável por um forte, enquanto o Perfeito Cato lidera uma invasão nas montanhas. A missão de Cato: esmagar o baluarte dos druidas e assim cimentar o triunfo de Roma. Mas com a chegada do inverno, o terreno torna-se impossível de atravessar co ma chuva e as tempestades de neve.

E quando as patrulhas de Macro relatam que os nativos próximos do forte são pequenos em número, uma suspeita terrível apodera-se da mente do soldado. Terá o Governador no poder, o Legado Quintato, subestimado o inimigo? Um plano sofisticado e letal poderá já estar em marcha pelos nativos e serão Cato e os seus homens a pagar um preço elevado...

Conseguirão os nossos heróis enfrentar a astúcia de um inimigo que tudo fará para não se vergar perante o poderio de Roma? (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Este é o primeiro livro que leio de Simon Scarrow e depois de o ler fiquei encantada. Vou querer ler todos os livros anteriores, uma vez que este é o décimo quarto de uma belíssima saga. Sei que devia ter começado pelo primeiro, mas li este com imenso gosto e muito agrado. 

A história, as personagens, o contexto, as descrições, a ação...tudo é esplêndido. É romance histórico ao mais alto nível, como a Saída de Emergência já nos tem vindo a habituar. 

Gostei muito das personagens. Macro e Cato são excelentes personagens. Fortes, complexas, têm todos os adjetivos que deveriam ter para criar um contexto romano perfeito. Sempre imersas em ações e decisões importantes, tudo depende deles. Também as outras personagens são ricas e interessantes, mas Macro e Cato são únicos. 

O contexto histórico está excelente. As descrições estão muito bem elaboradas, precisas e sempre decisivas, criando o ambiente ideal e fiel. Todo o contexto histórico e político está muito bem trabalhado. As questões romanas e bretãs estão presentes, as lealdades, os acontecimentos, as questões políticas e sociais da época estão muito bem trabalhadas e apresentadas ao leitor, criando um contexto fiel e único. Sente-se a paixão do autor por esta época em cada página!

Toda a intriga está muito bem elaborada. O enredo é complexo, rico e denso. Há muito para nos fazer pensar e muito para nos intrigar. Gostei muito da forma como o autor mexeu na história e nas personagens, criando momentos únicos e muito bem conseguidos. 

Quanto à linguagem, está é cuidada, pertinente e fluída, dando ao leitor momentos de grande emoção e de muito prazer. A ação também está excelente, uma vez que a intriga está muito bem elaborada...todos os detalhes foram pensados ao pormenor. A intriga é complexa, inteligente e criativa. O autor é ambicioso e isso é excelente. 

Senti a falta da leitura dos volumes anteriores, uma vez que o contexto é riquíssimo, as personagens são complexas e brilhantes. No entanto foi com grande prazer que desbravei este volume. É daqueles livros que não só nos transporta para um ambiente único, interessante e real, como nos ensina algo. O romance histórico, quando é bem escrito, bem elaborada, com pesquisa cuidada e bem contextualizado, torna-se num excelente meio de aprendizagem e conhecimento. Cada vez que leio um bom romance histórico aprendo alguma coisa (ou muita coisa!). Aconteceu isso e fiquei muito satisfeita. 

Ler por entretimento e prazer é excelente. Quando se pode acrescentar a aprendizagem, principalmente de temas que me agradam e me fascinam, então é uma experiência única e maravilhosa. Por isso recomendo vivamente a leitura desta saga. Todos os leitores irão gostar! 

NOTA (0 a 10): 10

Brandon Sanderson em Lisboa, a 7 de novembro

Dia 7 de novembro, pelas 19h30, o famoso autor da saga Mistborn - Nascida nas Brumas e de outras fantásticas histórias, vai estar em Lisboa, na Fnac Colombo. Será uma excelente oportunidade para os fãs conhecerem o autor e poderem ter os seus livros autografados. Será um momento único que não podem perder! Apareçam!!! 

Está também a decorrer um passatempo no Facebook da editora Saída de Emergência. O passatempo consiste em publicar uma foto com um ou mais livros do autor, na caixa de comentários do post no Facebook. O autor/a da foto mais criativa terá a possibilidade de conhecer pessoalmente o autor no dia 8 de novembro. Só será aceite uma participação por pessoa e é até dia 3 deste mês. Só serão aceites fotografias com as edições portuguesas. Participem e divirtam-se!!!




Aniquilação, de Jeff Vandermeer

Sinopse:

Vencedor dos Prémios Nébula e Shirley Jackson de Melhor Romance de 2014

Área X. Uma zona misteriosa e isolada do resto do mundo. Onde a natureza reclamou para si qualquer vestígio de civilização. Sucessivas expedições são enviadas para investigar o mistério que levou à sua contaminação, mas todas redundam em fracasso e os seus membros regressam meras sombras das pessoas que partiram. 

Até que chega a vez da 12ª expedição. Composta por quatro mulheres (antropóloga, topógrafa, psicóloga e bióloga), a sua missão é desvendar o enigma. Mas acontecimentos bizarros e formas de vida que ultrapassam o entendimento minam a confiança entre os membros da expedição. Nada é o que parece e o perigo espreita a cada esquina. Que novos horrores se escondem na Área X? Será a 12ª expedição capaz de revelar todos os segredos...ou estará condenada à pior das tragédias? (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Este é o primeiro livro da trilogia. Assim que saiu por cá que fiquei logo de olho nele e foi com grande entusiasmo que comecei a sua leitura. É daqueles livros que não sabia muito bem o que esperar; sentia um misto de curiosidade e mistério; e quando comecei a ler fiquei bastante entusiasmada. Fiquei porque o livro tem um começo muito misterioso, denso e aterrorizador, em parte, devido ao ritmo frenético do início (que acompanha toda a história) e também devido à linguagem e ao contexto, que agarra logo o leitor.

A história é bastante misteriosa. As personagens não têm nome, tem um passado dúbio e todas as suas ações são duvidosas, pois nunca se sabe muito bem os seus motivos. A narradora é bastante inteligente e interessante, com um passado complexo e estranho. O clima de tensão que envolve as personagens ao chegarem à Área X é bastante desconfortável e intenso, o que causa vários acontecimentos de tirar o folgo. 

Existe muita ação, muito mistério, um clima de terror muito bem preparado e muito bem pensado, uma vez que não é nada previsível, sendo tudo um mistério por resolver. Toda a história está envolta em mistério, todas as personagens e toda a Área X. Os porquês são muitos, tudo é um enigma, tudo pode ser tudo. Não há respostas prontas e o leitor fica sempre a querer mais: mais explicações, mais detalhes. Houve algumas partes que a história fez-me lembrar o filme Alien - O Oitavo Passageiro, devido à personagem do filme e do livro, bem como por causo do clima de mistério e terror pulsante ao longo de ambas as histórias. Também me fez lembrar os contos de Lovecraft, também pelo mesmo motivo: o terror latente, à espreita, sem se mostrar e sem se ficar a saber o que é que de facto está a aterrorizar, ficando apenas a sensação, forte porém. 

Gostei muito do livro. Gostei das personagens, em especial da bióloga, que é a narradora. Gostei da forma como o contexto é abordado, gostei do clima de suspense, misturado com ficção científica. A linguagem está excelente, o ritmo é perfeito, alucinante e muitíssimo rápido. O livro lê-se num ápice, é simplesmente devorado. A premissa da missão está muito bem elaborada: descobrir o que aconteceu na Área X. Está bem elaborada porque há um mistério grande e convincente, que faz o leitor querer saber mais e mais...querer estar lá a explorar também. 

Nunca tinha lido nada igual e fiquei completamente fascinada. Não posso referir muito mais porque este é o típico livro em que apenas um spoiler já vai influenciar toda a leitura. Quero que os leitores descubram e tenham uma experiência fantástica e única ao ler esta narrativa. 

Recomendo vivamente a todos os leitores e parabéns à Saída de Emergência pela aposta nesta trilogia.

NOTA (0 a 10): 8

sábado, 29 de outubro de 2016

História do Novo Nome, de Elena Ferrante

Sinopse:

Este romance continua a história de Lila e Elena, tendo como pano de fundo a cidade de Nápoles e a Itália do século XX. 

Lila, filha de um sapateiro, escolhe o caminho da ascensão social no próprio bairro e, no final de A Amiga Genial, vemo-la casada com um comerciante. Elena, pelo contrário, dedica-se aos estudos. 

Ambas têm agora 17 anos e sentem-se num beco sem saída. Ao assumir o nome do marido, Lila tem a sensação de ter perdido a identidade. Elena, estudante modelo, descobre que não se sente bem nem no bairro nem fora dele.

No início, vemos Elena a abrir um caderno de notas onde Lila fala sobre a vida com o seu marido e as complicadas relações com a Mafia e os grupos neofascistas, que invadem os bairros com as suas proclamações.

Lila e Elena hesitam entre a tendência para a conformidade e a obstinação em tomar nas suas mãos o seu destino, numa relação conflitual, inseparável mistura de dependência e vontade de autoafirmação, em que o amor é um sentimento "molesto" que se alimenta do desequilíbrio até nos momentos mais felizes. (in Goodreads)



Opinião:

Depois de ler o primeiro e maravilhoso livro da tetralogia de Elena Ferrante foi com grande expectativa que comecei a ler o segundo. 

Neste livro continuamos a acompanhar a história das amigas Elena Greco e Raffaella Cerullo, ou Lenucia e Lila. Depois do casamento atribulado com que termina o primeiro volume, tudo está em aberto para este. Depois de descobrir que o seu marido Stefano Carraci não é aquilo que lhe pareceu durante o noivado. E agora, como senhora Carraci, Lila tem muito que descobrir e que enfrentar, e o que eram coisas de raparigas e rapazes, brincadeiras e caprichos, logo passam a ser acontecimentos sérios, trágicos e fortes. 

Lila continua a ser o foco da história contado por Elena, que continua a ser uma excelente narradora. Aliás, é aqui uma narradora melhor, mais adulta, mais sábia, mais calma. A narração não é tão incerta, tão infantil, como por vezes se apresenta no primeiro livro. O facto da escrita acompanhar a maturidade e idade da narradora é brilhante e revela grande mestria por parte da autora. É maravilhoso acompanhar a evolução da escrita e linguagem da narradora enquanto ela própria cresce e se torna mulher. A amizade de ambas é posta à prova muitas vezes e por motivos por vezes terríveis. Dividida entre o amor da sua Vida e a sua melhor amiga, Elena vê-se numa situação difícil e ingrata, uma vez que nunca se conseguiu impor frente a Lila. E esta continua ser o sol em torno do qual Elena gira, sempre à volta, sempre de fora, sempre a girar...até que a dado momento começa a tentar encontrar outra órbita, uma órbita sua, através dos estudos. Elena consegue revelar, a dado momento, mais personalidade e mais vontade e amor próprio e isso é excelente para a personagem, porque dá-nos também uma perspetiva diferente dela e deixa-nos conhecer mais dela, que também é bem interessante. 

A amizade das duas continua a ser o grande ponto forte e a força motriz da história, mas agora também o amor e a sedução entram em cena, e de uma forma bastante forte e arrebatadora. Com descrições bastante ousadas e cruas, o amor é mostrado como algo sem grande magia, como algo mundano e descartável. As questões sociais e emocionais relacionadas com o casamento e família têm aqui o centro da história, em grande parte. Infidelidades, traições, guerras familiares...moralidade e preconceitos. Tudo está ao rubro neste segundo volume e tudo é tratado sem pudor e sem qualquer filtro para mascarar a crueldade e a fealdade dos acontecimentos. 

As personagens continuam a ser maravilhosas, ricas, complexas e extraordinariamente comuns. É como se fossem pessoas reais e não de uma história. Tudo é narrado de forma como se se estivesse a passar agora, mesmo ali, no momento. Há paixão nas suas ações, nas suas ideias, mas também há violência e desapego. Tudo continua a ser novo e cativante. 

A escrita continua a ser soberba e única, cruel e brilhante. É excelente a forma escolhida para narrar esta história, tão peculiar e tão comum. Uma história do quotidiano, que mostra o dia a dia das personagens, as suas vidas, as suas ações mais normais. Nada é especial, tudo é comum e está tudo tão bem narrado e tão bem escrito, com uma linguagem que dá vida e forma às personagens e às suas ações, uma forma única e especial, que transforma uma história que podia ser tão comum, em algo único e especial. 

Mais uma vez fiquei arrebatada por esta história e espero ler em breve o terceiro livro. Recomendo vivamente. Uma escrita que nos agarra, que nos comove, que mexe no nosso interior, que nos revolta, que nos apaixona e que deixa sempre água na boca. De facto, os livros do momento. 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 16 de outubro de 2016

Star Trek Volume 2, de de Mike Johnson, Joe Corroney e Joe Phillips

Sinopse:

Operation: Annihilate!

Kirk e a sua tripulação vêm-se a braços com uma misteriosa realidade de uma colónia quando tentam contactar os seus habitantes sem sucesso. Ao aterrarem lá descobrem que a população foi atacada por uns estranhos organismos que sugam as personalidades, emoções, ideias dos seus hospedeiros para depois colocarem as suas ideias neles, ideias essas com um propósito único e firme. Ora, quando Kirk descobre o seu irmão George nessa colónia e que tem a sua família presa em casa, rodeada por tais organismos. Também tudo se agrava quando Spock é atacado por um desses seres, o que acaba por ajudar a solucionar a questão. 

Vulcan's Vengeance

Depois de Vulcano, o planeta dos vulcanos (Spock e seus conterrâneos), ter sido destruído totalmente por Nero, do planeta Romulus, alguns vulcanos tentam de tudo para se vingar. Quando conseguem encontrar partículas da matéria vermelha que fez destruir o seu planeta, logo querem usá-las para se vingar do ato de Nero. Quando Kirk e companhia cai na malha desta intriga, tentam fazer de tudo para ajudar a que não haja mais uma guerra.


Opinião:

Este segundo volume continua na peugada do primeiro, com histórias muito bem conseguidas e cheias de emoção, onde as personagens estão sempre rodeadas de perigos e grandes aventuras.

Novas personagens, novos perigos e novos desafios. Kirk, Spock, Bones e Uhura continuam no seu melhor, sempre a fazer tudo para salvar a nave e a sua tripulação, bem como os seus amigos. Na primeira história temos muita ação e muitos perigos, especialmente por causa dos estranhos organismos que atacam as personagens e que se infiltram nos seus cérebros. Gostei bastante desta história, porque tem uma vertente mais emotiva e mais sensível. Aparecem alguns familiares de Kirk e tudo se torna mais pessoal. Também Spock tem um papel mais relevante e fica em apuros, o que dá emoção à história. Também há um bocadinho de romance à mistura, o que me agradou.

A segunda história tem um enredo mais ambicioso, que vai diretamente buscar o seu âmago ao filme de 2009. Apresenta uma intriga mais densa, com mais politica à mistura e mais questões éticas. Também tem emoção, mas não tantas aventuras. É uma boa história, que complementa perfeitamente os acontecimentos do filme e que dá solidez a todo o contexto e à narrativa. Gostei da forma como a intriga foi elaborada e como a narrativa foi conduzida. Aqui a tripulação não tem um papel tão acentuado na trama, mas está excelente, e a emotividade entre algumas das personagens está em grande evidencia. 

A arte presente nas imagens está excelente, a visualização é perfeita, como se o leitor fizesse parte da Enterprise e da sua tripulação. 

Recomendo a todos os fãs de Star Trek e a todos os que gostam de boas histórias de Ficção Científica. 

NOTA (0 a 10): 10

Vencedor/a do passatempo Reunião de Heróis

Já há vencedor/a do passatempo que decorreu no Blog até ontem! 

Obrigada à Chiado Editora e a todos os que participaram! Continuem a ser seguidores, porque haverá mais passatempos e posts sobre as leituras. 


E o/a vencedor/a é:

48 - Tiago (...) Afonso

Parabéns ao vencedor! Será contactado por mail brevemente. 

sábado, 15 de outubro de 2016

A Filha do Professor, de Joann Sfar e Emmanuel Guibert

Sinopse: 

Lillian Bowell é filha de um famoso professor de arqueologia, que tem um museu. E é também uma rapariga um tanto atrevida para a época, (época vitoriana) com ideais diferentes. Apaixona-se por uma múmia que estava a cargo do seu pai e decide casar com ela. No entanto, o plano não corre como esperado e sucedem-se várias aventuras.


Opinião: 

Quis ler este livro por causa das ilustrações, principalmente. Cores entre o sépia e o preto e branco, detalhes muito bem feitos e grande beleza no desenho das personagens foram os pontos que mais me atraíram, já há bastante tempo, quando vi o livro pela primeira vez. Ao encontrá-lo em promoção decidi comprá-lo. Acabou por revelar-se uma experiência interessante.

A história é engraçada. Há várias aventuras, muita ação e situações caricatas, com uma boa dose de humor à mistura. Mas não me agarrou totalmente. Gostei muito mais da parte gráfica, mas mesmo muito mais, do que da história. Sem dúvida. Não é que a história seja má, mas podia ter algo mais, principalmente no início, porque parece que ficou algo para contar e que era necessário para contextualizar melhor as personagens e o enredo em si. 

Gostei das personagens, são interessantes e engraçadas, mas sem grande complexidade. 

Em suma, é uma banda desenhada muito bela, com ilustrações maravilhosas, de um detalhe perfeito e cores belíssimas, com uma história engraçada. Recomendo

NOTA (0 a 10): 7

sábado, 8 de outubro de 2016

Passatempo Chiado Editora - Reunião de Heróis, de Ricardo Formigo

Começa hoje um novo passatempo aqui no Blog, desta vez em parceria com a Chiado Editora. O livro que vai ser sorteado é Reunião de Heróis, de Ricardo Formigo. Obrigada desde já à editora por permitir o passatempo!

Sinopse:

Estes são tempos difíceis para os habitantes de Morlômbia!

Depois de meio século de guerra, o Rei Travis morre em batalha e é sucedido pelo seu primo Fallow, um tirano que apenas se preocupa com o poder, devastando tudo e todos em busca do que quer. 

Annabelle, irmã de Travis, fica em perigo de vida e escapa da cidade de Madrasis rumo ao imponente Elmo do Martelo, uma fortaleza escondida nas montanhas, para proteger os Morlombos dos invasores Ingols.

Com a chegada iminente da guerra civil, cada um dos lado esforça-se por reunir aliados e conquistar a sua lealdade. Mas quem serão os heróis dispostos a lutar por cada um dos pretendentes ao trono de Morlômbia? (in Chiado Editora)



Para participar é preciso: 

Ser seguidor do Blog;
Preencher todos os campos do formulário.

Regras:

Participar até às 23h59 do dia 15 de outubro de 2016;
Ser residente em Portugal Continental;
Só é aceite uma participação por pessoa/morada;
Haverá apenas um vencedor, que será apurado através do site random.org;
O Blog não se responsabiliza por possíveis falhas/extravios dos correios.

Conto com as vossas participações e divulgações! 

Capricho de Veludo, de Loretta Chase

Sinopse:

O corpete perfeito deve saber convidar ao seu desapertar...

O charmoso Simon Fairfax, Marquês de Lisburne, aceitou regressar relutantemente a Londres para cumprir obrigações familiares. Quando conhece a fogosa modista Leonie Noirot, decide arranjar tempo para um jogo de sedução, mas Leonie é quem decididamente não tem tempo para ele. Está obcecada em transformar a insipida prima do Marquês, Lady Gladys, num cisne. 

A cidade inteira conhece o talento de Leonie, mas o formoso Marquês está demasiado ocupado a tentar seduzi-la para conseguir apreciar o seu génio. A modista está determinada a ensinar-lhe uma lição, mas não será fácil concentrar-se na tarefa que tem em mãos e corre o perigo de desviar-se do bom caminho... Conseguirá escapar às atenções insistentes do Marquês e operar uma transformação milagrosa? (in Edições Saída de Emergência)



Opinião:

Mais um bom livro de Loretta Chase, que nos presenteia com mais uma boa história e uma continuação à altura dos anteriores.

Neste livro o foco vai para a terceira irmã: Leonie Noirot, a irmã ruiva e entendida nas contas da loja. Mais uma vez, é uma boa personagem, interessante e com personalidade. O seu interesse no marquês Lisburne está muito bem arranjado e é muito bem trabalhado. Simon Fairfax, marquês de Lisburne, é uma personagem encantadora e bastante intelectual, com graça e beleza. 

Mais uma vez está presente o dilema entre romance/negócio, que caracterizou os livros anteriores, bem como as questões das classes sociais: comerciantes/aristocracia. O tema não foge muito ao dos anteriores, se bem que este tem um cariz mais sério e mais introspetivo, a meu ver. As questões sociais voltam em grande fulgor, uma vez que no segundo há mais aventuras e emoção. 

A história e o seu contexto está de acordo com a personalidade de Leonie, tal como aconteceu nos outros livros, e que mostra uma grande preocupação por parte da autora em criar um contexto de acordo com as personagens e uma linha narrativa sempre diferente. Não que seja diferente, ou muito diferente, porque existe uma previsibilidade ao longo dos três livros em relação aos acontecimentos das histórias, mas diferente em relação com as peculiaridades de cada personagem (cada irmã Noirot). Leonie é mais atinada, logo a história também o é e foca-se em temas mais sérios. 

A escrita continua fluída, rápida e divertida, cheia de sarcasmo e piadas. Isso ajuda bastante ao ritmo da história e à criação de uma diferenciação face a outras histórias deste género. Ler um romance com humor e piada, um romance leve e que não tem grande seriedade, quer-se com uma escrita fluída e engraçada. Loretta Chase consegue isso muito bem. 

Quanto às descrições estão, mais uma vez, perfeitas. Não são em demasia e prendem-se mais com os vestidos do que com outros aspetos do ambiente, mas estão sempre um mimo. 

Gostei da forma como a autora conduziu a história, como a alimentou e fez crescer. Gostei muito das personagens e do cariz sério com que foram apresentadas. Também gostei das personagens secundárias, que foram muito importantes e cruciais para o enredo todo. 


Em suma, uma excelente aposta da Saída de Emergência! Romance ao mais alto nível, divertido, leve, rico em detalhes frescos e sumarentos. Uma história inesquecível! 

NOTA (0 a 10): 9

Divulgação de promoção - Os Hóspedes, de Sarah Waters

Venho dar a conhecer uma excelente promoção que está a haver no site da Wook, referente ao lançamento do livro da autora Sarah Waters, Os Hóspedes. Está em pré-venda e o envio será feito a partir de dia 14 de outubro. Com portes grátis e um desconto de 10%, fica a 16,65 euros e ainda trás outro livro: Cada Dia É Um Milagre




Aproveitem, é uma promoção muito interessante! 

Aqui está o link para a promoção. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada, de J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

Sinopse:

Baseada numa nova história de J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, Harry Potter e a Criança Amaldiçoada - a nova peça de teatro de Jack Thorne -, cuja estreia mundial decorreu no West End, em Londres, no passado dia 30 de julho, é a primeira história oficial de Harry Potter a ser apresentada na versão teatral. 

Foi sempre difícil ser Harry Potter e não é mais fácil agora que ele se tornou num muito atarefado funcionário do Ministério da Magia, casado e pai de três crianças em idade escolar. 

Enquanto Harry luta com o passado que se recusa a ficar para trás, o seu filho mais novo, Albus, tem de se debater com o peso de um legado que nunca desejou. Quando o passado e o presente se cruzam, pai e filho confrontam-se com uma desconfortável verdade: por vezes as trevas vêm de lugares inesperados. (in Goodreads)


Opinião:

Depois de uma longa espera e que durante tanto tempo nem espera foi porque não se esperava mais livros da saga, foi com enorme expectativa e alegria que me vi a pegar novamente num livro do Harry Potter, num livro novo, já que por vezes gosto de reler os outros.

Dezanove anos depois do final d' Os Talismãs da Morte, este livro foca-se em Albus Severus, o segundo filho de Harry e Ginny. Albus não se acha parecido com o seu pai, não se acha nada heróico e quando é colocado nos Slytherin então ainda fica mais confuso. Sem amigos, sem o brilho que se esperava dele e sem coragem aparente, Albus esconde-se e dedica-se apenas ao único amigo que tem, o único filho de Draco Malfoy: Scorpius, seu companheiro de equipa. 

Foi com grande alegria que comecei a ler o livro e foi com alguma surpresa que dei por mim completamente maravilhada com ele, pois confesso que estava com um bocadinho de receio por causa do livro ser em texto dramático. Acho que a autora devia ter escrito um livro narrativo, com todos os detalhes e tudo o que se tem direito, mas esta história serviu para matar saudades e para reviver aquele mistério e expectativa em ler os livros do Harry Potter, mistério esse que já lá vai o tempo em que aconteceu no sétimo livro, lido pela primeira vez. Aquele bichinho dentro de mim, nas minhas mãos, coração e mente. Voltei a sentir isso e a dar por mim a "correr" para a leitura. 

As personagens estão excelentes, o que não é nada de espantar, uma vez que sempre foram. Gostei de ver onde e como estão as personagens, de como seguiram as suas vidas. Também gostei de conhecer as novas personagens. Gostei muito de Albus, mas gostei mais de Scorpius. Albus, por causa do seu conflito com Harry, fez-me, por vezes, sentir irritação face às suas ideias e ações. Encontrei em Scorpius alguém muito mais ponderado e doce, algo que sempre achei que havia nos Slytherin mas que não tinha sido explorado. Também a personagem mistério está muito bem, apesar de achar que podia ter sido melhor explorada e que podia ter tido um desfecho mais emocionante, depois de tudo o que fez. Estou a referir-me a Delphini Diggory.

Em relação à ação, tenho a dizer que esta está sublime. Mais uma vez encontrei aqui o clima perfeito, onde tudo faz parte de um plano, onde nada falha, como mil engrenagens numa máquina. É uma leitura fluída e rápida, mas que merece todo o carinho e atenção, especialmente por isso. Porque começa logo com aspetos que vão ser cruciais para compreender toda a história. É algo a que a autora sempre habituou os seus leitores e que mais uma  vez se apresenta aqui. O enredo tem alguma complexidade, porque o grande contexto é a utilização do Vira-Tempo para modificar certas situações no passado das personagens e da própria História: não deixar Cedric Diggory morrer no Torneio dos Três Feiticeiros e não deixar Voldemort tentar matar Harry Potter. Isto por causa de uma nova profecia que prevê o regresso de Voldemort. São criadas várias possíveis realidades alternativas aquando da modificação das situações no passado, e isso é muito interessante de observar, uma vez que podiam ter acontecido realmente.

As emoções e sentimentos estão sempre ao rubro ao longo da história. Conflitos pessoais, dilemas, dúvidas, preconceitos, velhos hábitos, receios, ódios, amores...tudo aqui está e todas as personagens têm algo a acrescentar à história. É uma história adulta, que se lê bem em qualquer idade. 

Quanto à escrita, não há muito a referir, uma vez que é texto dramático. As descrições necessárias vêm nas didascálias e só há falas. Porém, é como se estivesse tudo lá. É como se houvesse descrições e tudo isso. É totalmente possível regressar a Hogwarts, caminhar por lá, viver lá. E isso também acontece com os outros locais presentes na obra. 

É o típico livro que não se pode dizer muita coisa para não cair em spoilers, porque tudo o é e é tão bom saborear a sua leitura e sermos surpreendidos com os acontecimentos e com as personagens. Foi uma delícia regressar, de novo, a este mundo que está tão gravado no meu coração. O livro é tão bom, que até em peça de teatro cumpre todos os seus propósitos e continua a maravilhosa história que começou com A Pedra Filosofal. É uma maravilha! 

Assim, recomendo vivamente a todos os fãs de Harry Potter e a todos os que gostam de um bom livro. 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft, de Howard Phillips Lovecraft

Sinopse:

Finalmente uma edição, em Portugal, digna da obra do mestre do terror Howard Phillips Lovecraft. Com organização do Prof. José Manuel Lopes, da Universidade Lusófona, e introduções aos contos de Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft traz até junto do público nacional alguns dos contos mais marcantes do Mito de Cthulhu. Obra feita com um intenso amor pelo legado de H.P.L, todo o design da capa e interior procura recuperar o imaginário barroco dos contos do autor. 

Este primeiro volume inclui os seguintes contos:

O Despertar de Cthulhu;
A Criatura na Soleira da Porta;
O que Sussurra nas Trevas;
A Aventesma do Escuro;
A Sombra sobre Innsmouth;
Com a Lua;
A Sombra Vinda do Tempo;
A Celebração. 

(in Goodreads)



Opinião:

Foi com imenso gosto que peguei neste belíssimo primeiro volume de contos de Lovecraft editado pela Saída de Emergência. A capa e todo o design está excelente, os meus parabéns!

A primeira vez que li este autor foi há dois anos, se não estou em erro, e gostei bastante. Li Nas Montanhas da Loucura e achei muito bom, tremendamente misterioso. Fiquei sempre a pensar naquela história e em todo o seu contexto e foi com grande entusiasmo que encontrei neste livro muito material que tem o mesmo contexto e que respondeu a algumas questões que ficaram em aberto aquando da leitura desse livro.

Confesso que o meu conhecido sobre o autor não é muito, nem sobre a sua obra, mas sempre tive interesse. Com este primeiro volume fiquei a conhecer muito mais a sua obra, se bem que apenas comecei a deslindar algum do seu material, aquele que está presente neste primeiro volume. Há muito mais para descobrir nos outros volumes.

Gostei de todos os contos, se bem que mais de uns do que de outros. Gostei (muito) especialmente d' O Despertar de Cthulhu, A Criatura na Soleira da Porta, O que Sussurra nas Trevas, A Sombra sobre Innsmouth e A Celebração

Em todos eles há uma espécie de fio condutor que os trespassa, mesmo que subtilmente em alguns deles. Gostei bastante da forma como foram organizados, uma vez que existem contos que, apesar de  não terem as mesmas personagens, complementam-se na perfeição, dando sempre um acréscimo de significado aos anteriores.

Toda a mitologia criada pelo autor é excelente, cheia de detalhe e muito pulsante. Ao longo da leitura é possível sentir uma espécie de receio em relação aos acontecimentos das narrativas, receio esse que é bastante subtil mas presente e até incomodativo, no bom sentido. Isso é sinal que a história, as personagens e o surreal presente nelas está bem feito, bem criado e bem apresentado. Demonstra a mestria do autor sublimamente. Não é um terror forte e feio, daquele terror que por vezes acaba por meter mais nojo do que medo. Não! É um terror inteligente, um terror psicológico e que se agarra à mente. É um terror bastante subtil, até tímido, mas que consegue agarrar o leitor de uma maneira bastante forte, sem se fazer notar logo à partida. Senti isso quando li o outro livro e voltei a senti-lo agora.

O forte aqui não são as personagens, se bem que todas elas são muito boas e bem desenvolvidas, muito complexas. O forte é o ambiente descrito, criado e trabalhado. É a sensação de terror ao virar da esquina, de algo inexplicável e misterioso, que faz com que se fique agarrado ao livro. É muito bom mesmo. Tendo em conta a altura em que os contos foram escritos (1920-1930, mais ou menos), é ainda mais fascinante uma vez que muito do que é descrito é puramente uma visão de algo que poderia ser futurista. O medo do desconhecido é o que mais está presente ao longo de todos os contos e está muito bem elaborado

Em suma, é um excelente livro, uma excelente escolha de contos. Uma escrita inteligente, cheia de significados, de palavras brilhantes e descrições sublimes e perfeitas. De facto, um nome imenso da Literatura Mundial. Recomendo totalmente!

NOTA (0 a 10): 9

domingo, 25 de setembro de 2016

A Seleção, de Kiera Cass

Sinopse:

Para trinta e cinco raparigas, A Seleção é a oportunidade de uma vida. 

É a possibilidade de escaparem de um destino que lhes está traçado desde o nascimento, de se perderem num mundo de vestidos cintilantes e joias de valor inestimável e de vivem num palácio e competirem pelo coração do Príncipe Maxon.

No entanto, para America Singer, ser selecionada é um pesado. Terá de virar costas ao seu amor secreto por Aspen, que pertence a uma casta abaixo a sua, deixar a sua família para entrar numa competição feroz por uma coroa que não deseja, e viver num palácio constantemente ameaçado pelos ataques violentos dos rebeldes. 

Mas é então que America conhece o Príncipe Maxon. Pouco a pouco, começa a questionar todos os planos que definiu para si mesma e percebe que a vida com que sempre sonhou pode não ter comparação com o futuro que nunca imaginou. (in Marcador Editora)


Opinião: 

Este é o primeiro livro desta saga. Com uma capa maravilhosa e uma sinopse interessante, aqui está um livro que me despertou a atenção há muito tempo. Li-o agora e tenho a dizer que achei-o bastante peculiar. 

Gostei das personagens, em especial dos rapazes, o príncipe Maxon e Aspen. Não desgostei de America, a personagem principal, mas não me encheu as medidas. Achei-a igual a tantas outras personagens do género e não se mostrou muito bem à altura do desafio. Mas também, o desafio não era assim tão grande, uma vez que o enredo é um tanto previsível. Existe um triângulo amoroso e a luta entre as raparigas para serem selecionadas é renhida, mas tirando essas três personagens, não senti nenhuma que se destacasse mais. 

Em relação à história em si, tem uma premissa interessante. Toda a ideia da Seleção em si, da competição e do casamento está engraçada. Também a contextualização está adequada e bem elaborada, uma vez que a autora teve a preocupação de criar bases para todo o contexto. Os momentos em que Maxon está com America são muito bons e gostei das suas conversas, tal como gostei de ver America e Aspen. E o que me deixa mais curiosa nesta história é mesmo saber com qual delas ela fica ou o que é que acontece ao trio amoroso. 

A linguagem é bastante fluída, o que faz com que a leitura seja bastante rápida. Também ajuda o facto de haver muita ação e diálogos. As descrições não são muitas, mas as que existem estão muito bem e úteis para visualizar o espaço e ambiente. Não há nada de muito profundo a nível destes pontos, tanto da linguagem como das descrições.

Outro aspeto que me agradou foi o facto de haver mais do que só o foco na Seleção em si, na escolha da eleita para o príncipe. Toda a parte das revoltas e dos revolucionários está bastante boa e consegue captar facilmente a atenção, uma vez que é a parte onde há mais ação e emoção, apesar de não estar muito presente ao longo da narrativa. 

Também gostei da forma como a autora foi narrado os acontecimentos. A história segue um caminho suave, e, para o género de livro que é, isso não é mau, antes pelo contrário. No entanto, apesar de ter ação, estava à espera de mais, principalmente dentro do grupo de selecionadas. 

Em suma, é um primeiro livro engraçado, leve e que entretém. Espero gostar mais do segundo e espero que haja um maior desenvolvimento tanto a nível das personagens como da história em si. Recomendo a todos os que gostam de um livro leve e descontraído. 

NOTA (0 a 10): 7

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Star Trek Volume 1, de Mike Johnson, Steve Molnar e Joe Phillips

Sinopse:

Where No Man Has Gone Before

Enquanto a tripulação da nave Enterprise e o seu capitão James Kirk andam a explorar o Espaço, encontram uma cápsula de uma nave muito antiga que está a transmitir uma mensagem com um conteúdo assustador em relação a acontecimentos a bordo. Quando James pede para intersetar a mensagem e se aproximam da cápsula, algo estranho acontece a bordo da Enterprise, ficando um dos membros da tripulação com estranhos comportamentos, criando o pânico a bordo da nave.

The Galileo Seven

A nave Enterprise está numa missão de entrega de medicamentos a New Paris para ajudar no combate a uma doença, quando se aproximam de um género de formação quasar. O capitão Kirk envia Spock, Bones e mais alguns membros da tripulação para explorar, mas a lancha é atraída pelo campo magnético do quasar e acabam num local desconhecido e sinistro, sem energia para voltar para a nave.


Opinião:

Este volume é composto por duas histórias, sendo elas Where No Man Has Gone Before e The Galileo Seven. E ambas são muito boas, inspiradas na série e nos filmes.

Em relação às personagens, tanto na primeira como na segunda história, estão muito bem. Gostei de encontrar Spock e Kirk na literatura, algo que ainda não tinha acontecido, e gostei muito porque foi uma experiência engraçada e agradável, uma vez que gosto muito destes dois. Quanto a outras personagens, estão todas bem, Uhura está sempre lá para salvar o dia e as outras personagens que aparecem para completar o enredo também estão bem, interessantes e complexas.

A primeira história é bastante interessante, tem um clima mais denso, tanto a nível das relações entre as personagens, como a nível do problema que aparece a estas para resolver. Existe um conflito entre a amizade e o dever, em que Kirk tem de escolher bem por causa da salvação da nave e tripulação e isso enriquece a história. Tem bastante tensão, emoção e aventuras.

Na segunda história, temos as personagens principais novamente em grande estilo e rodeadas de perigos. É outra história engraçada, com alguns momentos de humor, emoção, aventura, um bocadinho de drama e romance. Está bem elaborada e tem um enredo interessante. Gostei da forma como foi construída e como tudo foi resolvido.

Gostei de tudo e foi uma leitura que me encheu as medidas. É bom ler banda desenhada, é diferente, descontraído e uma excelente experiência. Recomendo vivamente! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 17 de setembro de 2016

O Rouxinol, de Kristin Hannah

Sinopse:

Na tranquila vila de Carriveau, Vianne despede-se do marido, Antoine, que parte para a frente da batalha. Ela não acredita que os nazis vão invadir a França...mas é isso mesmo que fazem, em batalhões de soldados em marcha, em caravanas de camiões e tanques, em aviões que enchem os céus e largam as suas bombas por cima dos inocentes. Quando um capitão alemão reclama a casa de Vianne, ela e a filha passam a ter de viver com o inimigo, sob risco de virem a perder tudo o que têm. Sem comida, dinheiro ou esperança, e à medida que a escalada de perigo as cerca cada vez mais, é obrigada a tomar decisões impossíveis, um atrás da outra, de forma a manter a família viva. Isabelle, a irmã de Vianne, é uma rebelde de dezoito anos, que procura um objetivo de vida com toda a paixão e ousadia da juventude.

Enquanto milhares de parisiences marcham para os horrores desconhecidos da guerra, ela conhece Gäetan, um partisan convicto de que a França é capaz de derrotar os nazis a partir do interior. Isabelle apaixona-se como só acontece aos jovens...perdidamente. Mas quando ele a traia, ela junta-se à Resistência e nunca olha para trás, arriscando vezes sem conta a própria vida para salvar a dos outros. Com coragem, graça e uma grande humanidade, a autora bestseller Kristin Hannah capta na perfeição o panorama épico da Segunda Guerra Mundial e faz incidir o seu foco numa parte íntima da história que raramente é vista: a guerra das mulheres. 

O Rouxinol narra a história de duas irmãs separadas pelos anos e pela experiência, pelos ideais, pela paixão e pelas circunstâncias, cada uma seguindo o seu próprio caminho arriscado em busca da sobrevivência, do amor e da liberdade numa França ocupada pelos alemães e arrasada pela guerra. Um romance muito belo e comovente que celebra a resistência do espírito humano e em particular no feminino. Um romance de uma vida, para todos. (in Goodreads)



Opinião:

Um bom romance é sempre um bom romance. Quando existe um contexto rico e fértil então, esse romance tem tudo para ser maravilhoso. Neste caso e com o contexto presente, maravilhoso de belo não seria, mas seria maravilhoso de grandioso e forte. 

Uma história de guerra, de sobrevivência, de amor, de superação e de perdão. Assim se pode adjetivar este livro, que é um marco brilhante na caracterização da vida das mulheres durante a Segunda Guerra, pelo menos de algumas. 

Vianne e Isabelle. Duas irmãs que são o posto uma da outra: Vianne, a mais velha, calma e obdiente; Isabelle, desobediente e aventureira. Com um pai ausente, as duas veem as suas vidas afastadas, enquanto Vianne começa a constituir família e Isabelle foge de colégio em colégio. Até que a guerra começa e as suas vidas alteram-se para sempre. Vianne vê o seu marido partir para a guerra e fica sozinha com a sua filha e Isabelle só tem como desejo alistar-se no corpo médico ou fazer algo de útil para o bem dos franceses. 

Com duas personagens cheias de personalidade e muito diferentes era de prever uma história forte e isso aconteceu. Gostei muito de ambas, acabando por não ter preferência por nenhuma delas, uma vez que, à sua maneira, ambas são especiais, ambas deram o melhor de si e ambas fizeram o que podiam fazer durante aqueles tempos. Vianne consegue transmitir uma calma aparente que por vezes faz desesperar, mas é uma personagem excelente e com uma história de vida muito grande, enquanto Isabelle agarra logo à primeira vista por causa de ser audaz e destemida. Ao terem as duas as suas guerras pessoais nos locais onde estão, mostram todo o seu ser, todo o seu coração e pensamento, e, através dos seus olhos, é possível atravessar os devastadores anos da Segunda Guerra até ao seu final. 

Não é um livro sobre a guerra em si, mas sobre o que a guerra fez às pessoas, como as mudou, moldou e traiu. É uma história forte, triste e bela, que evoca o pior e o melhor do Ser Humano. A forma como a autora conseguiu criar personagens que são tão reais e tão transparentes e complexas está excelente. Não são apenas as irmãs que são complexas, mas sim todas as outras personagens, desde Beck (o nazi que fica em casa de Vianne) até às crianças que aparecem na história. Todas as personagens têm um propósito e dão o seu forte contributo para a história do livro e para a História em si. São autênticos testemunhos da crueldade do que aconteceu, mas também da misericórdia e compaixão que existiu naqueles tempos negros. 

As descrições estão perfeitas. Existe um cuidado em descrever certos detalhes que dão vida à história e ao contexto das personagens, detalhes esses que servem para enriquecer o ambiente e a emoção. É possível imaginar-nos lá com as personagens, ver mesmo os locais, os objectos, as situações. Isso acontece também com as descrições dos sentimentos e emoções das personagens. 

Também a nível do enredo está tudo excelente. A história é poderosa, a linha narrativa é muito rica, muito bem elaborada, criando uma cronologia dos acontecimentos sem nos darmos por isso. Existem momentos de grande ternura, momentos de amor e momentos de grande tensão, bem como de grande tristeza. Mas também existem momentos de alegria e grande beleza. Não é uma leitura fácil, precisamente por isso. É uma história que nos entra no coração e na mente, que nos deixa a pensar e que nos faz refletir sobre muitos temas. Gostei bastante da forma como Isabelle atravessou imensas vezes os Pirenéus para salvar os pilotos Aliados e de como lutou pela libertação da França, bem como da forma sofrida como Vianne protegeu os seus.

Em suma, é uma obra de arte. Uma ode à Mulher, à Coragem e à Sobrevivência. Também ao Amor e ao Perdão. De facto, é um dos livros com a Segunda Guerra como contexto em que menos mostra a guerra, mas em que os seus estilhaços mais cortam. Gostei muito da forma como a autora descreveu o quotidiano das personagens, as suas aventuras e os seus esquemas, tal como os seus romances, medos e alegrias. Recomendo a todos os que gostam de uma história poderosa e forte. 

NOTA (0 a 10): 10