sexta-feira, 14 de abril de 2017

Nove Príncipes de Âmbar, de Roger Zelazny

Sinopse:

Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam. 

Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar. (in Edições Saída de Emergência)




Opinião:

Não conhecia este livro, ou melhor, estas crónicas. Fiquei a conhecê-lo através da Saída de Emergência e tenho a referir que é uma excelente aposta da Editora. Uma obra de Fantasia com um toque muito especial e diferente. Penso que uma potente banda sonora de Rock daquele a ir para o Metal seria a forma mais fiel de o definir: uma balada Rock/Metal. E está excelente! 

Corwin é uma personagem excelente! Uma personagem complexa, forte, inteligente, charmosa, divertida e com um grande carisma. De facto, o único e melhor narrador que a história podia ter, um vez que fez com que a narrativa fosse uma delícia. Mas há mais. Todos os irmãos de Âmbar, os príncipes, são muito bons: cada um há sua maneira, todos diferentes e muito complexos. Gostei de todos os irmãos, em especial de Corwin. 

Como a própria Âmbar. Âmbar é o reino mais real que pode haver e todos os outros, incluindo a Terra, são uma mera sombra dele. Achei este contexto excelente, bastante original e audacioso. Tal como as diferentes formas de comunicação entre as personagens, em especial os Trunfos (cartas mágicas que representam a realeza de Âmbar e a própria Âmbar e que permitem a comunicação e transporte). É uma forma interessante de magia que aqui é encontrada para estabelecer diversas pontes ao longo do enredo. 

Tendo em conta a extensão dos acontecimentos e o enorme número de aventuras que acontecem ao longo da narrativa, esperava um livro maior, mais extenso. Percebo que a forma rápida e frenética com que a história é contada nas partes em que acontecem certos acontecimentos seja uma forma de dar ritmo à história, mas eu gostaria de ter lido mais sobre esses momentos (apesar de ter gostado deste ritmo). 

O autor deu dois grandes ritmos à obra: momentos mais introspetivos e pessoais para Corwin são mais lentos e detalhados, em oposição os momentos mais descritivos e longos, onde a ação é mais constante e diversa. É uma forma original de organizar os acontecimentos e a própria estrutura narrativa, que me agradou por ser diferente e uma lufada de ar fresco dentro do género. 

Outro ponto que me agradou bastante foi a ação constante, a escrita frenética, que permite uma maior velocidade na narrativa, e as personagens complexas e o mistério que as envolve. Espero que no segundo volume muitos desses mistérios comecem a ser desvendados, pois têm muito para oferecer! 

Não é muito possível referir muito mais sem contar aspetos  importantes e dar spoilers. Porém, referir que este é o começo de uma obra que promete deliciar-me é algo que me deixa satisfeita. Uma história bem contada, bem contextualizada, num mundo muito original e diversificado, repleta de personagens intrigantes e complexas, a juntar com um contexto rico em detalhes e história, é a junção perfeita e imensamente original. 

Humor, ação, mistério, muitas batalhas e uma busca incansável pelo poder são os ingredientes mais sonantes desta obra que vai fazer as delícias de todos os fãs do género Fantástico. Recomendo sem reservas. Espero que o segundo volume saía em breve! 

Quero, também, referir o excelente design, tanto a nível da capa como do interior. A capa é linda. 

NOTA (0 a 10): 9,5

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Star Trek: Ongoing, Vol. 5, de Mike Johnson

Sinopse:

Hendorff

Neste conto, o protagonista é Hendorff, um membro dos engenheiros. Ele está a contar aos pais como está a ser a sua estadia na Enterprise, como se dá com o Capitão, com os colegas e como é ser membro dos engenheiros, acabando por contar algumas peripécias e uma aventura bastante interessante. 

Keenser's Story

Keenser, o eterno ajudante do chefe engenheiro Scott. Neste conto, o leitor tem acesso à sua história, conhecendo assim como é que foi para a Frota Estrelar e como conheceu Scott. 

Mirrored

E se os mundos paralelos fossem uma realidade? O que estaria a acontecer nas infinitas linhas temporais em simultâneo com a realidade? E se a realidade não passasse de uma linha de tempo, nenhuma delas sendo a verdadeira, mas sim, todas elas como reais e verdadeiras? Este é o tema de conversa entre Bones e Scott.

Assim, numa dessas linhas de tempo, poderia ser que Spock fosse o capitão, Kirk o comandante e a luta contra Nero tivesse tido outro desfecho. E se Kirk quisesse mais do que aquilo que parece querer e se tornasse num perigo para a Enterprise e para o Império?




Opinião:

Uma banda desenhada recheada de aventuras, ação e mistério. Os contos são todos fantásticos. Gostei de todos, mas, sem dúvida, Mirrored destaca-se imenso. 

O primeiro conto é interessante, pois dá-nos a conhecer o dia-a-dia na Enterprise pelo olhar de uma personagem secundária que não aparece muito. Dá-nos também uma aventura muito engraçada em que as personagens são surpreendidas por elementos bastante exóticos e misteriosos, o que é sempre bom de encontrar nestas histórias. 

O segundo também é muito bom. Keenser é uma das personagens mais misteriosas a bordo da Enterprise, uma vez que não fala, praticamente, é super inteligente e, por isso, misterioso. Gostei de saber sobre o seu passado e de como se tornou tão amigo de Scott. 

Quanto ao terceiro conto, tenho a referir que é o melhor dos três. Isto porque, além de ser mais extenso, apresenta uma história imensamente forte, com um enredo diferente, mais sombrio e perigoso. As personagens estão diferentes, mais misteriosas e estranhas. Nada é o que parece e isso torna-se um tanto assustador. Gostei de ver este lado mais sombrio, tanto da história como das personagens. E também apreciei a forma como a narrativa foi evoluindo. 

Tenho também a mencionar as belas ilustrações, que, tal como nos volumes anteriores, têm sido uma parte crucial de toda a narrativa. 

Em suma, mais uma excelente banda desenhada deste universo, que recomendo a todos os fãs! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 8 de abril de 2017

Star Trek Ongoing Vol. 3, de Mike Johnson, Stephen Molnar e Claudia Balboni

Sinopse: 

The Return of The Archons

Neste conto, a tripulação da Enterprise vê-se numa missão à revelia da Federação. No planteta Beta III, supostamente, teria desaparecido uma nave da Federação há cem anos: a Archon. No entanto, a Federação nunca revelou a verdade e tal virou mito. Assim, ao passarem perto do planeta, Kirk e companhia decidem investigar. Sulu e um outro membro vão até ao planeta, acabando raptados. Então, Kirk, Spock, Bones e outro elemento, vão até lá para salvar os companheiros. O que eles não estavam à espera era de encontrar uma cultura medieval com um grande e poderoso mistério.

The Truth About Tribbles

Os tribbles são uns dos seres mais fofos da saga. Mas o que não se sabia era como tinham sido encontrados e em que circunstâncias. Neste conto, tal é desvendado. 



Opinião:

Gosto muito de Star Trek, especialmente da versão mais recente, e há algum tempo que não lia nada relacionado. Portanto, decidi continuar a coleção desta banda desenhada, cujos desenhos são excelentes e o enredo, igualmente. 

Tanto o primeiro conto como o segundo estão excelentes. 

O primeiro tem um enredo bastante forte, cheio de ação e mistério. A inspiração medieval e o mistério todo que embala esta aventura está muito bem conseguido. Muitos perigos e conspirações fazem desta aventura, uma das mais interessantes da saga. As personagens também estão muito bem, como seria de esperar, uma vez que são o grande motor. Kirk e Spock continuam uma dupla cheia de adrenalina e emoção, com Bones à mistura para fazer tudo ficar ainda mais engraçado. Gostei da forma como a história evoluiu. 

Quanto ao segundo, também está muito bom. Com um ambiente menos negro e mais descontraído, o Capitão Kirk e os seus companheiros veem-se numa confusão que é bastante engraçada e que serve de introdução e explicação para a existência das famosas bolas de pelo que aparecem de vez em quando nos filmes e séries. Gostei do clima descontraído e bem disposto que a história apresenta e também de ficar a saber mais sobre os tribbles. Claro, as aventuras continuam a ser muitas, bem como os perigos que vão aparecendo às personagens. Portanto, é mais um conto cheio de emoção e ação. 

Todos os desenhos estão fantásticos, tendo os ilustradores feito um excelente trabalho para que o leitor se sinta como um dos membros da tripulação da Enterprise. 

Assim, recomendo a todos os fãs de Star Trek e àqueles que gostam de FC! 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 4 de abril de 2017

Illusionarium, de Heather Dixon

Sinopse:

Jonathan é filho de um famoso médico em Fata Morgana (uma bela cidade aérea). Quando uma misteriosa doença (Venen) começa a atacar as mulheres em Arthurise, incluindo a Rainha, o Rei vai até Fata Morgana para pedir ajuda ao pai de Jonathan. Para salvar as mulheres será apenas preciso desenvolver a cura, em conjunto com a médica mais famosa de Arthurise: Lady Florel. E a cura passa por usar um misterioso ingrediente, o fantillium (uma substância que provoca ilusões). 

Quando Jonathan vê a mãe, a irmã e a sua amada ficarem doentes, começa a querer desenvolver a cura a todo o custo, mesmo que para isso se veja enredado na maior confusão da sua existência: a ida para Nodn'ol, uma espécie de Arthurise alterada e louca, onde há um duplo de todos os habitantes de Arthurise e onde impera a ilusão e a mutação: as pessoas estão a fragmentarem-se e a ganharem vários olhos, bocas, dedos e por aí. 

Assim, Jonathan tem como objetivo tentar encontrar a cura e salvar-se a si mesmo, a sua família e todo o povo de tais cidades. 


Opinião:

Há muito tempo que queria ler este livro. Não sei se foi pela capa, se pela sinopse...porventura terão sido ambas as razões para o meu grande interesse na sua leitura. Foi uma experiência bastante interessante.

Gostei do livro. Sem dúvida, a capa é belíssima e todo o seu design interior também. Sendo eu grande apreciadora de Steampunk, e havendo alguns laivos deste ao longo da obra, lancei-me totalmente neste mundo: uma espécie de Londres ou outra cidade por lá perto (Fata Morgana, uma cidade aérea século XIX). A Inglaterra é agora Arthurise e por lá flagra uma epidemia de uma doença que só ataca as mulheres: Venen. Ora, cabe ao filho do médico mais famoso de Fata Morgana, Jonathan, e ao seu pai, a honra de ajudar a mais famosa médica de Arthurise, Lady Florel, na luta contra esta doença, sendo que o Rei vai até Fata Morgana, no seu zepelin gigante e maravilhoso, pedir-lhes ajuda, uma vez que a Rainha ficou doente.

Ora, a premissa é excelente e a promessa de aventuras, ação e muita emoção está lá. Também gostei das personagens, apesar de achar que podiam estar muito melhores, isto é, mais complexas, ricas e adultas. Por vezes, senti um excesso de reações desfazadas da realidade nos comportamentos das personagens: por vezes reagiam um tanto demais, outras de menos, e por vezes não havia uma relação entre as suas ações e os acontecimentos que as despoletavam. Isto fez com que a história ficasse um tanto infantil, o que podia ter sido evitado se a autora tivesse optado por criar personagens com atitudes mais maduras e mais reais.

Outro aspeto bastante interessante prende-se com o mundo criado. A autora conseguiu criar um mundo bastante rico e cheio de interesse, bem imaginado. Todo o ambiente envolvente, a imagem visual que é possível estabelecer...tudo isso promove um excelente contexto para a história. Também a reviravolta que acontece quando Jonathan vai parar a Nodn'ol (uma Londres completamente arruinada, onde as pessoas se estão a transformar e a alterar o seu aspeto de uma forma grotesca e bizarra, onde as pessoas são uma versão arruinada das suas homonímas verdadeiras, onde as leis são completamente estranhas e a rainha é uma outra Honoria, uma versão dantesca de Lady Florel) e vê o seu objetivo de descobrir a cura para a doença de pernas para o ar, está muito interessante.

Também gostei de ver alguma relação entre Steampunk, a lenda do Rei Artur e a História de Inglaterra.

Em relação à narrativa em si, esta é feita a um ritmo frenético, com tantas e tantas reviravoltas que a dado momento dei por mim a pensar: "Vá lá... soluciona isto..."

Não é mau, uma vez que é sinal que o enredo tem vários caminhos. O problema é quando as peripécias são muitas vezes iguais e óbvias, deixando o leitor aperceber-se do que deveria ser uma surpresa ao longo do enredo. Ou seja, a história podia ter sido melhor desenvolvida, no sentido do seu contexto (o mundo criado podia ter sido explorado de uma forma mais calma e mais profunda), bem como também podia ter deixado mais espaço para o relacionamento entre personagens e a própria conclusão, que acabou por ficar um tanto apressada. 

A linguagem utilizada é bastante simples e fluída, permitindo uma leitura rápida e emocionante. As descrições estão muito boas, o que permite imaginar muito bem o mundo criado pela autora. 

Em suma, este é um livro muito interessante e engraçado, com imensas reviravoltas e personagens engraçadas. Porém, podia ter sido todo ele, nas suas diferentes componentes, melhor explorado: personagens, enredo, contexto. Recomendo a todos os que gostam de uma bela aventura! 

NOTA (0 a 10): 8

sábado, 25 de março de 2017

Corações de Pedra, de Simon Scarrow

Sinopse:

A coragem feroz dos homens e mulheres da resistência grega dispostos a sacrificar tudo pela pátria. 

1938: Três jovens vivem um verão perfeito na ilha grega de Lefkas, isolados dos problemas políticos que fervilham na Europa. Peter, de visita da Alemanha enquanto o pai lidera uma expedição arqueológica, desenvolveu uma forte amizade com Andreas e Eleni. À medida que o mundo resvala para a tragédia e Peter é forçado a partir, os amigos juram encontrar-se de novo.

1943: Andreas e Eleni juntaram-se às forças da resistência contra a invasão alemã. Peter regressa - agora um oficial inimigo e espião perigoso. Uma amizade formada em paz irá transformar-se numa batalha desesperada entre inimigos dispostos a sacrificar tudo pelos países que amam... (in Edições Saída de Emergência)


Opinião: 

Este é o segundo livro do autor, tendo sido o primeiro o Britannia. Este é totalmente diferente no contexto e mantém o mesmo nível de qualidade e relevo histórico. 

A história está dividida em diferentes momentos, sendo uns em 2013 e outros em 1943, passando por alguns em 1938, antes da Segunda Guerra. Todos os momentos estão entrelaçados e todos os acontecimentos convergem para os mesmos aspetos, mostrando assim a genialidade do autor. 

Todas as personagens estão extremamente bem criadas e são muito reais. É possível sentir todas as suas emoções e seguir os seus pensamentos e ações. Gostei muito de todas elas, em especial do trio de amigos que se veem numa termenda confusão e conflito, com a sua amizade posta em risco da forma mais cruel e sórdida que poderia haver.

A nível do enredo, é de referir a perfeita sincronia com o passado e presente, bem como o suspense que está sempre no ar, que paira em todas as páginas, permitindo ao leitor andar sempre a tentar levantar um pouquinho do véu de mistério da história. Toda a tensão entre amor, amizade, dever e guerra consegue formar um nó de grande emoção e tensão, que faz com que o leitor esteja constantemente a sofrer pelas personagens. Existe grande drama, ação, aventura, amor e amizade, e tudo o que a estes aspetos está inerente. 

O contexto histórico está muito bem elaborado. O autor criou aqui, mais uma vez, um cenário muito bem contextualizado, com dados importantes e cruciais. Não é tão comum ler sobre a Segunda Guerra noutros países que não "os principais" (ou pelo menos eu não conhecia este lado da guerra). Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Japão, Rússia... mas tendo a Grécia como pano de fundo, ainda não tinha lido nada. 

Os livros tendo como contexto a Segunda Guerra Mundial são sempre livros com histórias fortes, grandiosas e que comovem. Não esperava algo diferente vindo daqui e foi isso que aconteceu. Encontrei uma história repleta de horrores, mas também de momentos de grande beleza, onde a lealdade, o amor e amizade são a grande base da obra. 

Também gostei muito de ver a História, Arte e Arqueologia aqui presentes, com papéis de grande relevo, servindo como base para ligar todos os momentos espaciais e temporais. Mais uma excelente ideia do autor! 

Em relação à escrita, esta é bastante fluída, encerrando um mundo de beleza e alguma frieza, sendo ela mesma uma das armas do livro. 

Sendo assim, encontrei neste livro uma fonte de conhecimento e uma fonte de beleza, que me comoveu bastante e me alegrou. Tem todos os ingredientes que uma boa obra deve ter, despertando no leitor variados sentimentos e emoções. Mais uma vez, recomendo a todos aqueles que gostam de uma boa história, sendo Romance Histórico ou não. É para todos! E, mais uma vez, aqui está outra excelente aposta da Saída de Emergência!

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 22 de março de 2017

Imperador dos Espinhos, de Mark Lawrence

Sinopse:

Um rei em busca de vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.

Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária. 

Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos. (in Goodreads)


Opinião: 

O tão aguardado terceiro volume. Jorg e a sua subida ao poder. A sua subida até ser Imperador do Império Arruinado. Jorg, o pequeno Jorg que tanto sofreu e fez sofrer, finalmente, tenta chegar onde muitos já tentaram chegar: ao Trono Imperial, em Vyene.

Tendo ficado completamente rendida aos dois primeiros livros, era com grande curiosidade que esperava pelo terceiro. E não podia ter sido uma história melhor! 

Depois de conseguir ser príncipe e rei, só o império pode satisfazer Jorg Ancrath. Este livro começa a história cinco anos depois da do livro anterior, tanto na parte presente como na parte passada, onde são narrados os acontecimentos a partir da saída de Jorg do reino dos seus avós maternos, como ficou no livro anterior. Jorg continua a ser aquela personagem forte, imprevisível e brutal, mas há algo que mudou. Ele tornou-se muito mais maduro, mais melancólico e mais preocupado e isso torna-o muito mais interessante. Jorg acaba por mostrar o seu lado mais sensível neste livro, lado esse que sempre lá esteve, mesmo que bem camuflado. As diferentes formas de agir, que vão sendo sempre acompanhadas pelos seus pensamentos, tornam-se mais complexas, havendo muitos dilemas pela sua frente que não lhe passavam pela cabeça nos livros anteriores. 

Em relação às outras personagens, também tenho a referir que todas elas mostraram algumas diferenças, se bem que acabem por ser um tanto eclipsadas pela luminosidade de Jorg. Continuei a gostar muito de Miana. Katherine volta em força, criando situações de grande emoção. Chella também aparece, com a sua própria parte da narrativa, o que se mostrou crucial para o enredo. Há novas personagens, como Kai Summerson, e o Rei Morto, que é o grande mistério da história. Todas as outras personagens, novas e já dos outros livros, estão muito bem e todas têm o seu contributo essencial para a narrativa. 

Este volume é diferente dos anteriores. É mais calmo. A parte do presente é uma narrativa de viagem, narrada enquanto Jorg vai para o Congresso para se eleger Imperador. A parte do passado (cinco anos antes), vai encontrar Jorg a tentar descobrir peças do puzzle do misteriosos Construtor Fexler, partindo para lugares como os Ibéricos, passando pela África e indo até Vyene, onde tudo permanece em segredo. Nesta parte da narrativa, Jorg anda sozinho, estando algumas vezes em contacto com outras personagens, personagens essas que vão ser relevantes para a sua vida. Esses momentos são muito mais introspetivos e serenos, mostrando a plena evolução psicológica de Jorg. Também há alguns capítulos dedicados a Chella, a necromante do Rei Morto, que também acabam por ser essenciais para toda a história. 

Mais uma vez, Jorg mostra-se um narrador exímio. De uma capacidade fantástica para prender o leitor com a sua linguagem forte e ousada, criando autênticos retratados dos locais por onde anda, ele é um narrador único. Sem dúvida, é um dos pontos chave do sucesso desta trilogia: o narrador. 

Mas não só. 

Já tinha referido o meu fascínio pelo contexto da história nas outras opiniões. E aqui volto a referi-lo. A Europa e o Mundo, com cerca de 3000 anos, num pós acidente ou guerra nuclear, de volta à Idade Média. Não há mundos criados de raiz, nada. Há uma Terra que sofreu algo que poderá acontecer e o que acontece depois disso, porventura, imaginado e criado com esmero pelo autor, que conseguiu criar um dos universos mais originais a meu ver, exatamente por ter adaptado a nossa realidade, em especial a Europa e a nossa História. Há vários momentos e descrições que nos fazem sorrir ao lembrar acontecimentos reais ou até personalidades e personagens dos nossos tempos, que ali aparecem, vários séculos depois, num período que nos é estranho e misterioso. É completamente genial. 

A história em si é única. É muito mais do que um livro de aventuras. Para quem acha Jorg um monstro (e muitas das suas ações o comprovam como tal), neste volume tudo acaba por ser visto por outra perspetiva, uma perspetiva muito mais benévola e até bastante agridoce. O final é extremamente diferente daquilo que estava à espera, apesar de, lá bem no fundo, esperar algo assim. Porque, como poderia ser diferente? Comoveu-me bastante, algo que não esperava nesta trilogia e que me surpreendeu. 

As descrições continuam sublimes e cheias de vigor. Há uma pujança enorme na escrita, na escolha de palavras e termos, que promovem uma leitura fluída e frenética. Demorei mais tempo a ler o livro porque fiz de propósito. Andei a prolongar a leitura porque estava a gostar muito e queria ter mais um bocadinho da história comigo. 

Mark Lawrence conseguiu introduzir também algumas criações bastante mecânicas e cheias de detalhes a roçar o Steampunk, que estão muito bem conseguidas, criando um ambiente único e belíssimo. 

Em suma, recomendo este livro a todos os que gostam de um livro bom, com uma história grandiosa, forte e emocionante. Há momentos de grande terror, emoção e drama. Mas também há momentos de extrema beleza, amor e amizade, que, tenho a certeza, não vão abandonar o leitor. Há uma moral da história tão bela e tão grande, tão sensível, que toca todos os leitores, deixando-lhes sentimentos únicos e nada esperados ao longo desta trilogia.  Esta história é um hino ao amor, principalmente ao amor familiar e não podia ter sido contada de outra forma. Uma história de redenção.

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 21 de março de 2017

Vencedor do Passatempo Os Hóspedes, de Sarah Waters

Já há vencedor do passatempo que esteve a decorrer aqui no Blog por estes dias que passaram! 




O vencedor foi...

39 - Nuno Patrocínio

Parabéns ao vencedor e obrigada a todos os que participaram e que divulgaram esta iniciativa. Muito obrigada à Editorial Bizâncio por ter permitido a realização deste passatempo. Continuem a seguir O Imaginário dos Livros e a participar. Em breve haverá mais passatempos!

segunda-feira, 13 de março de 2017

Passatempo Os Hóspedes, de Sarah Waters

Olá!

É com imenso prazer que vos venho informar que está a decorrer um novo passatempo aqui no Blog, em parceria com a Editorial Bizâncio. O livro em passatempo é o mais recente de Sarah Waters, Os Hóspedes. Um livro excelente, que recomendo totalmente!

Sinopse:

1922. Londres vive dias de tensão. 

Numa casa de gente bem-nascida, no sul da cidade, cujos habitantes ainda não recuperaram das perdas devastadoras da Primeira Guerra Mundial, a vida está prestes a modificar-se.

A senhora Wray e a sua filha Frances - uma mulher com um passado interessante a caminho de se tornar uma solteirona - vêem-se obrigadas a alugar quartos.

A chegada de Lilian e Leonard Barber, um jovem casal da "classe média", traz uma série de perturbações: a música do gramofone, o colorido, o divertimento. As portas abertas permitem a Frances conhecer os hábitos dos recém-chegados.

À medida que ela e Lilian são empurradas para uma amizade inesperada, as lealdades começam a mudar. Confessam-se segredos e admitem-se desejos perigosos; a mais vulgar das vidas pode explodir de paixão e drama.

A autora de Afinidade e Falsas Aparências, entre outros, surpreende-nos, mais uma vez mais, com esta história de amor que é também a história de um crime. 

Esta é Sarah Waters no seu melhor: tensão permanente, ternura verdadeira, personagens autênticas e surpresas constantes.

Livro do Ano - Sunday Times (in Editorial Bizâncio)





Para participar é preciso: 

Ser seguidor do Blog;
Preencher todos os campos do formulário.

Regras:

Participar até às 23h59 do dia 20 de março de 2017;
Ser residente em Portugal Continental;
Só é aceite uma participação por pessoa/morada;
Haverá apenas um vencedor, que será apurado através do site random.org;
O Blog não se responsabiliza por possíveis falhas/extravios dos correios.

Conto com as vossas participações e divulgações!


domingo, 12 de março de 2017

Para Sir Phillip, Com Amor, de Julia Quinn

Sinopse:

Sir Phillip sabia que Eloise Bridgerton tinha já 28 anos e era, pois claro, uma solteirona. Foi por isso mesmo que pediu a sua mão em casamento. Sir Phillip partiu do princípio de que Eloise estaria desesperada por casar e não seria exigente ou caprichosa. 

Só que...estava enganado. No dia em que ela lhe aparece à porta, torna-se óbvio que é tudo menos modesta e recatada.

E quando Eloise finalmente para de falar, ele percebe, rendido, que o que mais deseja é...beijá-la. 

É que, quando recebeu a tão inesperada proposta, Eloise ficou perplexa. Afinal, nem sequer se conheciam pessoalmente. Mas depois...o seu coração levou a melhor e quando dá por si está numa carruagem alugada, rumo àquele que pensa poder ser o homem dos seus sonhos. Só que...estava enganada. Embora Sir Phillip seja atraente, é certo, é também um bruto, um rude e temperamentalmente bruto, o oposto dos gentis cavalheiros que a cortejam em Londres.

Mas quando ele sorri...e quando a beija...o resto do mundo evapora-se e Eloise não consegue evitar a pergunta: será que este pesadelo de homem é, afinal, o homem dos seus sonhos? (in Goodreads)


Opinião:

Neste quinto livro encontramos a irmã Eloise Bridgerton. Já quase com 30 anos, Eloise está em risco de ficar solteira. Até que começa a corresponder-se com Sir Phillip, um homem também por volta dos 30. Em Para Sir Phillip, Com Amor, Julia Quinn oferece-nos mais uma aventura romântica bem apimentada e divertida, como ela tão bem sabe escrever! Até agora gostei de todos os livros da série e não desilude, mantendo-se fiel ao seu estilo, tanto a nível de escrita como de enredo. 

Gostei das personagens. Eloise já me tinha agradado nos outros volumes onde aparece e neste então, está mesmo bem. Muito "senhora de si", cheia de personalidade e muitíssimo faladora e cheia de opiniões, Eloise é uma mulher interessante, perspicaz e muito independente, daí ainda não ter casado, tendo mesmo recusado muitas propostas de casamento pelos motivos mais pequenos, mas relevantes para ela. Também gostei de Phillip, um intelectual e homem do campo, a fazer lembrar uma mistura de Heathcliff (O Monte dos Vendavais, Emily Brontë) e Gabriel Oak (Longe da Multidão, Thomas Hardy). A forma de interação das duas personagens e toda a embrulhada romântica em que se metem está excelente! É uma autêntica aventura, com alguns laivos de drama e tensão à mistura. 

A forma como todo o enredo em torno do romance acontece está muito bem. Não há alta sociedade, nem bailes, como nos livros anteriores. Há campo, aventura e muita emoção. Também há mais questões morais, existências e emocionais envolvidas e as personagens são bastante adultas, bem maduras e com muita fibra. Apesar da formula do enredo ser semelhante à dos volumes anteriores, neste livro há espaço para menos momentos de indecisão e embirrações das personagens femininas em relação a certos aspetos que acabam por ocorrer em certas alturas da história. 

Também gostei do contexto. Uma casa de campo, longe daquela azáfama da alta sociedade londrina, a intriga social...isso é colocado de lado neste volume, tornando-o diferente. Não há o mistério da autora das críticas sociais, uma vez que fora desvendado no volume anterior, o que deu espaço para outras paragens e outros contextos que não a cidade e os bailes mais frequentados e mais chiques de Londres. 

A autora mantém a escrita a um ritmo muito fluído, emocionante e divertido, sabendo sempre dar a entoação correta, através da construção frásica, de acordo com os diferentes momentos e sentimentos que vão decorrendo ao longo da narrativa. Apesar da narrativa em si ser bastante linear e parecida com a dos anteriores, as situações e peripécias que Julia Quinn dá às suas personagens são sempre únicas e excelentes, sempre de acordo com as personalidades das personagens. 

Mais uma vez encontrei de tudo um pouco: emoção, perigos, drama, diversão, amor...tudo o que um bom romance deve ter! A juntar a isso tudo, a beleza gráfica destes livros. Devo referir que a capa deste é maravilhosa, a meu ver. Muito muito bela e mais de acordo com a seu interior do que as dos livros anteriores, com excepção do segundo, Peripécias do Coração, que também está muito bem. 

Assim, recomendo sem reservas a todos os que gostam de um bom romance! 

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 3 de março de 2017

Divulgação Lançamento Treine com uma Estrela, de Nuno Fernandes


A Saída de Emergência, na chancela Chá das Cinco, edita hoje um livro bastante interessante para aqueles que querem descobrir o treino ideal. 

Está também a dinamizar o lançamento da obra, dia 6 de março, na Fnac do Colombo (Lisboa), pelas 18h30. Apareçam! 

Fica o link para conhecerem mais sobre o livro, no site da editora e também o link para o booktrailer



Loki, de Robert Rodi

Sinopse:

Loki venceu a batalha e agora governa Asgard. Com Thor aprisionado, bem como os outros deuses que sempre fizeram troça dele, Loki tem a sua chance de vingança e de mostrar que é mais do que apenas um renegado, um refém, um filho dos Gigantes de Gelo e não um membro de Asgard, de pleno direito. Assim, na luta para ser popular e para gostarem dele, Loki vê-se numa situação difícil: reinar é mais chato do que aquilo que parecia. Peticionários, favores...e ele que só se queria divertir...e ser amado pelo seu irmão, principalmente.

O que fará para conquistar o seu maior desejo? Irá matar Thor? Irá perdoá-lo? 

Uma história bastante interessante e cativante.



Opinião:

É a terceira banda desenhada sobre Loki e Thor que leio. Está bastante interessante, com uma história cheia de ação e momentos de grande emoção, ou não fosse a personagem principal Loki. 

Pois bem, as personagens estão muito interessantes, bem desenvolvidas e bem contextualizadas. Gostei da interação entre elas, bem como do enredo. Encontrei outras personagens do mundo de Asgardian que não costumam aparecer tanto, o que também é bom, porque dá a conhecer mais elementos deste mundo. Achei Loki bem engenhoso, se bem que aqui aparecem outras nuances dele. O lado mais humano, mais melancólico e amigável acaba por estar em conflito com o seu "eu" mais manhoso e intrujão.

Uma vez que esta ambiguidade é um dos fatores que mais interesse dá à personagem e que mais a demarca das outras, posso referir que esta dualidade está extremamente bem delineada neste volume, sendo a base para todo o enredo. A forma de lidar com o poder, de lidar com o irmão...bem como com todos os que o rodeiam está muito bem elaborada e vai ao encontro daquela chama de bondade que ele parece ter, mesmo que esteja bem lá no fundo. 

A linguagem está bastante rica e fluída, com muito sarcasmo e ironia à mistura, o que é bastante agradável. Lê-se num instante. 

Gostei bastante do enredo, achei-o relevante para o contexto asgardiano e para os seus mitos, bem como para os caminhos que a Marvel tende a dar a esta história. No entanto, não gostei muito da caracterização física (os desenhos em si) das personagens. As cores estão muito belas, bem como todos os pormenores, que dão toda a beleza visual que a história merece.

Em suma, uma banda desenhada interessante, que todos os fãs de Asgard gostarão. E, no fundo, para todos os fãs da Marvel. 

NOTA (0 a 10): 7

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

City of Fallen Angels, de Cassandra Clare

Sinopse: 

Neste quarto livro dá-se início a uma nova fase na saga Os Instrumentos Mortais. Depois de Valentine morrer e de toda a ameaça do Círculo ser banida, os Caçadores de Sombras estão sossegados, até que começam a aparecer Caçadores de Sombras mortes e bebés humanos com garras e olhos complemente negros, também mortos. A lutar contra os seus novos hábitos vida de vampiro, Simon, vê-se no centro de uma grande disputa entre forças poderosas, que não compreende. Enquanto isso, Jace vê-se a braços com os terríveis sonhos de assassinar Clary que anda a ter, até que a suspeita de serem algo mais do que sonhos começa a aparecer no horizonte: estará alguém a influenciar Jace?


Opinião:

Depois de alguns aninhos de intervalo entre a leitura deste e a de A Cidade de Vidro (terceiro desta saga), foi com grande curiosidade que voltei a ler as aventuras dos Caçadores de Sombras. Não é novidade que gosto muito deste mundo, especialmente na trilogia As Origens, portanto, não estava à espera de me desiludir com o livro. Mas também não estava à espera de gostar tanto. 

Gostei bastante das personagens....de revê-las. Achei-as bem contextualizadas neste novo ciclo, mais maduras e complexas. Simon está muito bem. Toda a sua dualidade entre a humanidade e o vampirismo está muito bem encontrada. Nada de estranho ou excessivo ali se encontra, apenas os medos de um jovem que tem pela frente toda a eternidade como vampiro. Também as outras personagens continuam interessantes. Até Clary e Jace (as que menos gosto) mostraram um grande desenvolvimento: estão mais crescidas, mais inteligentes e menos exageradas. Gostei bastante da evolução das personagens. 

E também gostei da evolução do enredo. As novas personagens que voltam para assombrar os momentos pacíficos dos Caçadores de Sombras estão muito interessantes, o que promove um enredo muito mais complexo e, também ele mais interessante. Há mais ação, mais suspense, mais aventuras e menos romance, apesar de continuar a haver bastante entre Clary e Jace, e que não era necessário ser tão meloso em alguns momentos. Mas isso é compensado com os momentos finais, cheios de terror e ação. 

Existem várias referências a personagens (e algumas aparecem mesmo!) da trilogia As Origens, em especial Will Herondale, carismática personagem d' As Origens. E Jem...que belo aparecimento! Camille...só faltava Tessa aparecer neste volume para termos aqui reunido o fantástico trio.

Não existem tantas lutas entre as várias raças nem nada disso, mas as lutas que existem estão muito bem coordenadas e orquestradas. Não há nada excessivo neste departamento, o que é bom, porque também dá espaço para outros desenvolvimentos a nível do enredo. 

Em relação às descrições e à própria escrita, Cassandra Clare continua a mostrar que sabe muito bem compor boas histórias, com o ritmo certo, com as descrições certas, que são o bastante para nos fazer visualizar os espaços, sem demorar muito tempo a atenção nisso. A escrita é bastante fluída e lê-se muito bem, depressa. 

Em suma, recomendo a todos os gostam dos livros da autora ou que gostam de uma boa história com ação e aventuras, e algum romance à mistura. 

NOTA (0 a 10):10

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A Rainha Perfeitíssima, de Paula Veiga

Sinopse:

No século de ouro dos Descobrimentos, quando Lisboa era a capital das riquezas exóticas, viveu a mais rica, culta e fascinante princesa da Europa: Leonor de Lencastre. Esta é a sua história.

Em 1458 nasceu uma formosa infanta a quem chamaram Leonor. Destinada a ser rainha, a jovem cresceu e transformou-se na mais notável monarca que reinou em Portugal. Mas se a sua vida é uma inspiração, também o foi um rosário de tragédias.

Casou com o primo, D. João II, mas o casamento não foi feliz. O Príncipe Perfeito passou o reinado em conflito com a nobreza que o tentou assassinar. A alegria por ver o marido sobreviver foi destroçada quando o seu próprio irmão foi é acusado de traição e morre às mãos do rei.

Mas a maior tragédia da sua vida chega quando o filho morre de forma suspeita. Acidente ou atentado? Na terrível dor de uma mãe que perde o filho, Leonor nem teve o apoio que esperava do rei: D. João II estava mais preocupado em colocar no seu trono o filho bastardo que tivera com outra mulher. (in Edições Saída de Emergência)


Opinião:

Com uma capa muito bela, uma premissa brilhante e uma sinopse interessante e sugestiva, a juntar ao Romance Histórico e à excelente coleção histórica da Saída de Emergência, não podia deixar de ler este livro.

E há muito para referir.

Em primeiro lugar, a autora está de parabéns pelo trabalho que realizou, tanto a nível de escrita e criação, como também, e imprescindível neste género, a nível da pesquisa. A história está muito bem contextualizada e tudo está muito bem delineado.

A rainha D. Leonor é a narradora, dando ao leitor uma boa visão sobre o que a rodeou e sobre o que aconteceu durante o seu reinado. É uma narradora bastante agradável.

As personagens estão muito bem. Penso que a autora deu a conhecer algumas das perspetivas destas personalidades históricas, que alguns podem conhecer melhor do que outros, mas que é sempre bom de se saber mais.

Fiquei a saber mais factos sobre a vida destas personalidades que foram tão importantes para a nossa identidade nacional e para a nossa História. Leonor aparece como uma rainha muito boa, caridosa e preocupada com os outros, mostrando a sua faceta mais conhecida. Também gostei de ver os diferentes reis e outras personalidades, em especial D. Manuel I, que também esteve em grande destaque ao longo da obra.

Gostei da escrita, que está extremamente fluída e simples. O livro lê-se num instante! Existem muitos diálogos e é uma forma excelente de se ficar a saber mais sobre este período histórico: de uma forma leve e emocionante.

Penso que podia haver mais descrições, bem como ação. Não é que não estejam presentes ao longo da obra, mas as descrições não são muitas, pelo menos dos espaços ao redor das personagens. Isso podia estar mais explorado. Tal como a ação. Compreendo o foco nas personagens, nos seus diálogos, pensamentos e atitudes, mas podia haver mais momentos de ação, contada por uma perspetiva mais distante, uma vez que o enredo tem os seus alicerces nos diálogos e não tanto na ação por detrás destes. Podia haver um equilíbrio maior a este nível, o que faria, também, aumentar o número de páginas. A história é muito boa e está tão bem trabalhada e criada que podia ter mais páginas.

Mas este é um título excelente da coleção e é sempre bom ler livros nacionais, bons, novos e interessantes e este livro tem tudo isso: novidade, interesse e qualidade. É muito bom. Portanto, recomendo-o vivamente a todos aqueles que gostam deste género literário e que apreciam ficar a conhecer melhor a nossa História.

NOTA (0 a 10): 8

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Espada que Sangra, de Nuno Ferreira

Sinopse:

"A palavra dos homens teve muito crédito, em tempos idos. Mas quando a soberba e a sede de poder e glória moldam o comportamento humano, a mentira torna-se um instrumento para pentear as suas próprias fraquezas." 

Espada Que Sangra é o primeiro volume de Histórias Vermelhas de Zallar, um delicioso cocktail de fantasia, intriga, mistério, suspense, erotismo, aventura e ação, passado num mundo fantástico de civilizações que nos apaixonam a cada página. Zallar é um mundo complexo, onde três continentes lutam arduamente pela sua sobrevivência. No Velho Continente existe uma terra almejada há milénios, desde os tempos em que os medonhos Homens Demónio dominavam a região: Terra Parda, onde as cidades-estado são chamadas de espadas e um minério conhecido por tormento negro tornou possível a existência de armas de fogo. Hoje, são os descendentes dos extintos Homens Demónio quem ameaça as fronteiras desta terra próspera em vegetação, savanas e desertos - os malévolos mahlan. A guerra Mahlan está prestes a atingir o seu ápice, e agora, tudo pode acontecer. Mas Lazard Ezzila e Ameril Hymadher, reis das principais fortalezas de Terra Parda que viveram um intenso romance na sua juventude, vão perceber de uma forma perturbadoramente selvagem que os seus maiores inimigos poder viver consigo ou partilharem dos seus próprios lençóis. (in Goodreads)



Opinião:

Depois de ter este livro durante algum tempo na estante, eis o momento de o ler! Estava à espera de ser surpreendida e foi isso que aconteceu, apesar de esperar algo bom. Foi muito bom! 

Gostei muito da forma como o livro começa. O autor consegue criar um mundo de raíz, com uma cultura, religião, política...tudo. Tem uma contextualização perfeita, que permite ao leitor saltar para dentro de Zallar com pujança e à vontade. O que também promove estes aspetos é a excelente escolha das palavras para as descrições, que estão muitíssimo visuais, 

Também gostei das personagens. Todas elas são fortes e cheias de personalidade, o que faz com que a ação seja constante e frenética. Gostei de todas elas, portanto. Fortes, credíveis e cheias de garra, todas elas têm um propósito único e bem definido. São muitas e é um leque bastante ambicioso! 

As descrições, como já mencionei, são parte constituinte desta obra de modo muito vivo. Não é só na primeira parte, mas ao longo de toda a narrativa. Os espaços são muito interessantes e grandiosos; todos eles são distintos, o que revela uma imensa criatividade. 

Outro aspeto de sumo relevo é a intriga. Tudo gira à volta do poder, que leva à intriga. É uma constante ao longo da obra e é a chave de tudo. E está muito bem elaborada. Não há falhas na lógica das situações e os planos das personagens, bem como os seus objetivos, estão sempre um passo à frente, fazendo com que o leitor esteja sempre na expectativa de descobrir algo mais, acabando por se surpreender, o que é fantástico! 

Existe de tudo. Ação, emoção, amor, sedução, guerras, momentos de grande mistério e perigo...o autor oferece aos leitores uma magnífica trama eletrizante, a um ritmo estrondoso. A mestria com que a história foi tecida, tanto a nível de criação/imaginação como a nível da escrita, permite uma submersão total neste universo. 

Este é um género que não temos muito por cá, também porque é provável que, tendo em conta o mercado, existam outros géneros mais rentáveis. Na minha opinião, não apostar nestes autores é um erro. Tanto a nível editorial como de leitura. As editoras não deviam ter medo de apostar na Fantasia nacional e os leitores também não deviam ter este medo. É um prazer enorme ter o privilégio de percorrer mundos bem imaginados, bem criados. Poder estar presente nesses ambientes de magia, poder e mistério. Temos cá autores fantásticos, que só enaltecem a literatura nacional e que muitas vezes não tem o destaque merecido! Temos de mudar isto. Temos de apoiar os nossos autores e o género fantástico. Os leitores só têm a ganhar, bem como a Literatura em si.

Em suma, recomendo totalmente! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O Jardim dos Segredos, de Kate Morton

Sinopse:

Uma criança perdida: em 1913, uma criança é encontradas só, num barco que se dirigia à Austrália. Uma mulher misteriosa prometera tomar conta dela, mas desapareceu sem deixar rasto. 

Um terrível segredo: no seu 21º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst.

Uma herança misteriosa: aquando do falecimento de Nell, a neta, Cassandra, depara-se com uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvendar a verdade sobre a família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida. (in Goodreads)



Opinião:

Li, no ano passado, As Horas Distantes e gostei bastante. Fiquei muito agradada e decidi apostar na escritora. Agora, em O Jardim dos Segredos, posso voltar a afirmar: Kate Morton é, dentro do seu género, uma escritora única e maravilhosa. 

O livro apresenta-nos várias personagens e três gerações principais, desde 1900 até 2005, aproximadamente. Começa com uma menina de três anos à espera de uma senhora que a acompanhava numa viagem para a Austrália, mas que nunca chegou a aparecer para a acompanhar até ao país tão distante. Essa menina acaba por crescer na família do capitão do porto, que a tinha descoberto e, até aos 21 anos, cresceu a acreditar pertencer àquela família. Porém, quando o pai adotivo lhe anuncia o seu passado, Nell (o nome dado pela nova família) afasta-se da família e começa a tentar descobrir o seu passado, para melhor se conhecer a si mesma. Nell acaba por ficar a meio do mistério e a sua neta, Cassandra, empreende a missão de descobrir o que faltava. Quem era Nell? De onde viera? Quem era a misteriosa mulher, a Autora, que a tinha deixado sozinha num navio? E porquê? Este é o mote para uma história densa, complexa e trágica que vai sendo revelada aos poucos, através dos pontos de vista das várias personagens das várias gerações. 

Eliza, Nell e Cassandra. Estas são as vozes principais da narrativa, havendo outras pelo meio e que acabam por ser tremendamente importantes para o conhecimento do mistério e dos porquês da sua existência. Todas elas são excelentes. Todas são complexas e com passados recheados de mistérios e acontecimentos diversos, que, todos juntos, acabam por influenciar toda a trama. Gostei de todas elas, tanto destas três como das outras, uma vez que são todas elas únicas e distintas. O leque é variado e há de tudo um pouco. Mas devo dizer que gostei mais de Eliza e da sua parte da história e o seu mistério foi muito bem guardado e criado. 

A narrativa está muito bem conduzida. O mistério vai sendo deslindado com mestria e requinte e o que parece óbvio num momento acaba por tornar-se bastante denso e complexo. A história de Nell acaba por enviar Cassandra rumo a mistério e a uma história muito mais sombria do que aquela que podia ser imaginada primeiramente. A autora não poupa nos detalhes e na criação de momentos de grande emoção. 

Outro aspeto importantíssimo para a história é o espaço. Os locais presentes ao longo da narrativa acabam por ser eles mesmos personagens. O jardim de Eliza, na propriedade para onde foi viver na Cornualha, é a fonte de tudo: do mistério, das respostas. A vida dela está ali para ser descoberta, e com isso, a história de Nell. Todas as descrições estão extremamente vívidas, coloridas...quase que é possível cheirar os aromas das flores, da macieira plantada há tanto tempo atrás. Também as descrições das ações e atitudes das personagens estão muito bem, uma vez que deixam-nos antever e ver como as personagens estão a pensar e como poderão agir em função de tais pensamentos e emoções. 

Esta história é feita de muitos ingredientes, que foram extremamente bem doseados para criar uma romance bastante denso e sombrio. O passado de Eliza na casa Blackhurst e a vivência com a sua família, em especial com a sua prima, Rose, é tudo menos perfeito e os segredos encerrados naquelas paredes são muitos e negros. A autora conduz o leitor muito bem, por caminhos labirínticos, sempre deixando antever alguma coisa, recuando e avançando devagar. 

Também gostei muito da forma como os contos de fadas de Eliza foram aparecendo e como estes foram importantes para o deslindar do mistério. Outro ponto a favor! 

Não há nada negativo a apontar nesta história, tal como não o houve em As Horas Distantes. Não vou comparar os dois livros, mas, entre os dois, acabei por gostar mais d' As Horas Distantes. O mistério desse foi mais esquivo do que o deste e tornou-se mais difícil de descobrir, o que me agradou mais. 

Em suma, recomendo vivamente a todos os que gostam de um bom romance, repleto de emoção e mistério. 

NOTA (0 a 10): 10 

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Heart of Darkness, de Joseph Conrad

Sinopse: 

Romancista britânico de origem polaca, Joseph Conrad, notabilizou-se como um dos melhores prosadores em língua inglesa, através das suas histórias em que conjuga a aventura romântica e a reflexão moral. Em O Coração das Trevas (Heart of Darkness), o escritor evoca o espírito da África negra e, através da personagem de Kurtz, um misterioso comerciante branco, mostra que no homem civilizado permanecem os impulsos mais selvagens e destrutivos. Além de reflectir o choque entre as culturas colonizadas e os colonizadores europeus, esta obra conduz o leitor às trevas da selva africana e, simultaneamente, do coração humano (in Goodreads).


Opinião:

Um livro pequeno, uma leitura fluída, mas densa. Isto porque o conteúdo e as cenas descritas muitas vezes acabam por fazer refletir. 

Não posso dizer que tenha gostado muito do livro. Estava à espera de outro género de história, apesar de ter lido a sinopse e várias opiniões. Estava à espera de algo mais marcante no campo do mistério e, apesar de haver uma grande dose de mistério durante a história, esse mistério não me cativou.

As personagens estão interessante e bem elaboradas e o mistério que envolve Kurtz é bastante grande e bem construído. A história é narrada por Marlow, que conta a sua história em África a um grupo de amigos, em Londres. Dei por mim a querer saber quem ele era, o que fazia, qual a sua real função em toda a narrativa...o porquê da sua fama. Isto por causa do mistério, pois a sua fama advinha de factos horrendos.

De facto, o que me prendeu foi mesmo descobrir isso: o porquê da sua fama. O autor conseguiu criar um ambiente bastante nebulado à volta desta personagem e, com isso, criar um clima de grande expectativa. Foi o ponto forte do livro, na minha opinião. 

É uma história que faz refletir sobre a colonização da África, como foi feita e por quem. 

As descrições são outro ponto bastante forte da narrativa, uma vez que são a linguagem usada é bastante visual, permitindo ao leitor "ver" os cenários, as personagens e os acontecimentos.

Recomendo a todos os que gostam dos livros do autor e a quem tenha interesse por estes temas. 

NOTA (0 a 10): 5

sábado, 28 de janeiro de 2017

Jardins da Lua, de Steven Erikson

Sinopse:

O primeiro volume de uma obra-prima que revolucionou a fantasia Épica

Quebrado pela guerra, o vasto império Malazano ferve de descontentamento. Os Queimadores de Pontes do Sargento Whiskeyjack e Tattersail, a feiticeira sobrevivente, nada mais desejam do que chorar os mortos do cerco de Pale. Mas Darujhistan, a última das Cidades Livres, ainda resiste perante a ambição sem limites da Imperatriz Laseen. 

Todavia, parece que o Império não está sozinho neste grande jogo. Sinistras forças das trevas estão a ser reunidas à medida que os próprios deuses se preparam para entrar na contenda...

Concebido e escrito a uma escala panorâmica, Jardins da Lua é uma fantasia épica da mais elevada qualidade, uma aventura cativante da autoria de excecional nova voz. (in Edições Saída de Emergência)


Opinião: 

Depois de muito ler sobre este autor e sobre esta história era com grande expectativa que esperava por ler este livro. De facto, correspondeu a todas as minhas expectativas. Os meus parabéns à Saída de Emergência por ter apostado no autor e na saga, porque, realmente, faz jus ao Manifesto Bang! Espero que continue a editar os seguintes, porque depois deste volume maravilhoso, o leitor fica a ansiar pelos seguintes. 

Uma história ambiciosa, escrita de um modo especial e também ambicioso, com personagens maravilhosamente misteriosas e complexas, Jardins da Lua é uma livro magistral. A premissa da história é boa, cheia de suspense e muita adrenalina e merece todos os elogios que tem tido. 

As personagens estão excelentes. Todas elas são uma caixinha de surpresas. Da aparentemente mais simples até à mais complexa de todas, cada personagens é única e uma potencial causa de reviravolta para o enredo. Não há nenhuma que esteja a mais e todas têm o seu papel bastante definido. São muitas, em vários cenários e com missões bastante especiais e únicas. Gostei muito de todas e não consigo nomear nenhuma que tenha gostado mais em detrimento das outras. Porém...lá no fundo...posso dizer que a que me causou mais mistério foi o Rake. 

O que senti que me prendeu mais foi o contexto dos grupos de personagens. A história tem uma visualização panorâmica, o que faz com que o leitor consiga ver a história "de cima", podendo estar presente em momentos diferentes, que acabam por se encaminhar todos para o mesmo local, onde grande parte das personagens acabam por se encontrar todas, num desfecho emocionante e gigantesco, primorosamente orquestrado ao longo de toda a narrativa. Houve contextos que me emocionaram mais do que outros, em especial aqueles em que a magia está presente, os momentos em Darujhistan, os sonhos de Kruppe e os momentos em que a História destas civilizações é abordada e contada. 

A narrativa, como já referi, foi conduzida de forma magistral. Logo desde o começo é possível constatar o poder narrativo do autor. O que pode parecer, no começo, uma grande confusão de personagens e contextos, acaba por tornar-se num quadro de retalhos em que cada retalho é colocado no quadro no momento certo, de modo a criar uma tapeçaria gigante, complexa e perfeita. Tudo se encaixa e o puzzle cresce e conjuga-se todo à medida que a narrativa avança. Gostei muito desta perspetiva, pois, apesar de não ser a primeira vez que a encontro neste género literário, a aparente confusão inicial prende automaticamente o leitor, porque a atenção é presa num instante, bem como o interesse em deslindar toda aquela situação. 

O mundo criado também é de se lhe tirar o chapéu. Eriskson criou um mundo totalmente novo e fresco. Não há aqui nada que se possa dizer "parece...", "foi tirar ideias ali...". Não. Aqui é tudo original e isso é importante e crucial. Como grande fã deste género literário, é sempre com algum receio que começo a ler uma nova saga, porque por vezes tenho algum receio que seja parecido com algo que já exista. Neste caso, tal não acontece. Ainda não tinha lido nada parecido dentro do género e fiquei completamente convencida, tanto com a história, como com o mundo criado. 

Uma História bem contextualizada, com um passado estudado, criado de raiz, num mundo credível e bem explorado, onde as bases estão bem definidas e enraizadas, as personagens fluem naturalmente, como se fossem mesmo reais. É um mundo ambicioso, com leis e realidades diferentes e uma magia e um conjunto de deuses e deusas únicos, que está tão bem elaborado que se torna natural. Gostei da forma como a magia entra na história e molda tudo à sua volta. Está bem incrementada e é um sistema bem complexo. 

Quanto às descrições, estas são fabulosas, de cortar a respiração. O autor joga com as palavras, criando verdadeiras maravilhas. É possível visualizar perfeitamente todos os cenários que são apresentados e mesmo o que possa parecer mais estranho, de tão bem descrito, acaba por se tornar visível e compreensível. 

Em suma, um livro fantástico, com personagens fantásticas, com uma história grandiosa e cheia de estilo. É um mundo novo a ser explorado e uma aposta ganha pela Editora. O escritor é excelente! Espero ver os próximos livros brevemente por cá, para fazerem as delicias dos leitores! Recomendo vivamente, a todos aqueles que gostam de um livro cheio aventuras, mistério, magia, momentos de grande emoção, batalhas, estratégia, romance e muita, muita ação! Deixem-se levar por este mundo de magia e mergulhem em Jardins da Lua.

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O Bizarro Incidente do Tempo Roubado, de Rachel Joyce

Sinopse:

Em 1972, foram adicionados ao tempo dois segundos para compensar o movimento de rotação da Terra. Byron Hemmings está fascinado por este fenómeno. Nesse mesmo ano, envolve-se num acidente de consequências devastadoras.

Byron e James Lowe, o seu melhor amigo, estão convencidos de que a culpa foi daqueles dois segundos. Assim, decidem iniciar uma investigação para apurar as verdadeiras razões de tal acidente. Mas desafiar o destino pode ser perigoso...

Rachel Joyce confirma o seu talento de grande romancista, com este retrato de uma família levada ao desespero pela obsessão de uma criança. (in Goodreads)



Opinião:

Este é um livro muito interessante e bem trabalhado. O que parece ser uma simples história sobre dois amigos na casa dos dez anos, acaba por tornar-se nalgo muito mais denso e complexo, com contornos bastante sérios. A história é narrada de uma forma bastante engraçada e descontraída, o que provoca ainda mais a subtil tristeza e complexidade da história. Com personagens carismáticas e bem construídas, este livro lê-se de uma forna interessante, exigente por vezes, e não nos deixa indiferentes. Esta divido entre passado e presente e essa divisão está muito bem conseguida, tendo como grande mérito dar solidez é corpo à história.

Byron e James andam numa escola particular, são ricos e estão protegidos de tudo. Um tanto diferentes de outros colegas, ambos sãos os melhores amigos. James, o mais inteligente dos dois, é a âncora de Byron e está sempre disposto a ajudá-lo. Quando, no início de 1972, lhe diz que aquele ano teria mais dois segundos, Byron entra em pânico, temendo esse tempo a mais e o que tal provocaria ao mundo no geral. 

Toda a história nasce em torno deste medo de Byron, que acaba por desencadear os mais graves acontecimentos ao longo da narrativa. A forma como a história roda e roda em torno dos dois segundos e dos medos de Byron e James acaba por dar a forma ao enredo e por ser o contexto todo da obra.  Um medo de nada, de uma criança, acaba por provocar danos irreparáveis nas vidas de todos ao redor de Byron. Mesmo que sejam, primeiramente, atitudes e acontecimentos pouco preocupantes, acabam por se transformar num mar revolto, onde James, Byron e Diana, a mãe de Byron, se veem ligados de uma forma muito unida. 

Existem vários temas abordados na história. Desde as diferenças sociais e económicas, até a questões psicológicas muito sérias, passando pela amizade e o preconceito, as personagens dão à história um contexto rico em desenvolvimentos e temas. O preconceito, principalmente, acaba por estar na base de muitas das atitudes das personagens, bem como o medo, que é gerado pelo preconceito, que também é gerado pelo medo, como um círculo. Preconceitos sociais, económicos, físicos, psíquicos são os principais e estão muito bem trabalhados, mesmo que nem sempre sejam logo notados à primeira vista. Tudo é tão subtil que nada está dito expressamente.  

Todas as personagens são interessantes e complexas, se bem que o grande trunfo acabam por não ser tanto as personagens mas as suas ações e sentimentos. O que gira em torno delas é que faz com que a história aconteça. 

Não é uma leitura fácil, pelo menos a partir do meio do livro. Inicialmente é como que uma história engraçada com um contexto original. No entanto, a dado momento o que era engraçado e original passa a ser muito sério e acontece uma espécie de decadência das personagens. Não que percam interesse, mas que elas próprias, nas suas realidades, acabam por desfazer-se e modificar-se tanto, mas tanto, que a decadência é grande. O que era belo torna-se feio, o que era ativo, passivo e até apático. As personagens sofrem imensas transformações ao longo da história, o que faz com que a história siga o seu percurso. 

A escrita é muito bela e original. A autora consegue criar imagens visuais muito fortes e marcantes através do uso de determinados vocábulos, expressamente usados de modo a criar tais imagens. Os significados das ações, descrições e acontecimentos também estão muito bem descritos e apresentados. 

Em suma, gostei bastante da história e recomendo-a a todos os que gostam de um bom livro. 

NOTA (0 a 10): 9

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Os Hóspedes, de Sarah Waters

Sinopse:

1922. Londres vive dias de tensão.

Numa casa de gente bem-nascida, no sul da cidade, cujos habitantes ainda não recuperaram das perdas devastadoras da Primeira Guerra Mundial, a vida está prestes a modificar-se. 

A senhora Wray, e a sua filha Frances - uma mulher com um passado interessante a caminho de se tornar uma solteirona - vêem-se obrigadas a alugar quartos. 

A chegada de Lilian e Leonard Barber, um jovem casal da "classe média", traz uma série de perturbações: a música do gramofone, o colorido, o divertimento. As portas abertas permitem a Frances conhecer os hábitos dos recém-chegados. 

À medida que ela e Lilian são empurradas para uma amizade inesperada, as lealdades começam a mudar. Confessam-se segredos e admitem-se desejos perigosos; a mais vulgar das vidas pode explodir de paixão e drama. 

A autora de Afinidade e Falsas Aparências, entre outros, surpreende-nos, uma vez mais, com esta história de amor que é também a história de um crime.

Esta é Sarah Waters no seu melhor: tensão permanente, ternura verdadeira, personagens autênticos e surpresas constantes. (in Goodreads)



Opinião;

Desde que li O Indesejado que fiquei fascinada pela mestria da autora. Mestria a todos os níveis necessários e desejados para que o livro seja uma obra prima...uma obra de arte. Assim, tendo gostado muitíssimo d' O Indesejado, esperei atentamente pela edição portuguesa de The Paying Guests ou Os Hóspedes. Quero agradecer à Editora por me ter dado a oportunidade de ler este maravilhoso livro e por me ter dado a conhecer esta autora, aquando da leitura do já mencionado O Indesejado

Neste livro, a autora dá-nos a conhecer personagens muito interessantes e complexas, envoltas numa trama quotidiana, mas cujo centro é bem denso e intrincado. 

Miss Frances é uma mulher forte, autónoma e senhora de si mesma. Quando põe a sua casa senhorial com para alugar uma parte da casa, não estava à espera de tanta diferença à sua volta, uma vez que o casal que para lá vai morar é bastante diferente dela e de sua mãe: um autêntico casal dos anos 20 ou seja, despreocupado, com algum sucesso e que fingem euforia para não mostrar os seus reais sentimentos e realidades. Frances acaba por ficar inebriada pela extraordinária Mrs. Lilian e um tanto na dúvida quanto a Leonard. E, à medida, que se vão conhecendo, vai crescendo uma amizade que é mais do que aquilo que parece...uma amizade pouco convencional para a época e que vai acabar por influenciar toda a história. 

Gostei muito da forma como a autora introduz a história e as personagens. Aparentemente, tudo é normal e do dia a dia. Nada é estranho ou está fora dos padrões de normalidade de uma vida quotidiana da classe média alta inglesa, a viver algumas dificuldades no pós-guerra. As tarefas do dia a dia são descritas e tratadas de uma forma bastante normal, mas que acaba por ter a sua própria melodia e a magia. São descritas e elaboradas de forma natural, mas têm no seu teor uma certa ironia muito bem disfarçada. 

Tal também está presente nas relações entre as personagens. Mais uma vez, é-nos apresentada um complexa rede de emoções e relações entre as personagens. Não que sejam muitas personagens! Nada disso. Aliás, são bastante poucas. Mas isso mesmo provoca uma enorme tensão entre elas, tensão essa que está tão vincada, tão vincada que é possível sentir as vibrações de tal tensão. Existe uma multitude de emoções vividas pelas personagens ao longo  que despoletam as mais diferentes ações e reações. O que parece ser algo de pouco acaba por ser como que uma onda gigante na teia que é o enredo onde as personagens habitam. A autora é, de facto, uma mestre nesta arte. 

Mas é também uma mestre em manipular as personagens, o enredo e o leitor. Apesar de a história ser um pouco previsível (coisa que O Indesejado não é!), até se chegar a tal momento tudo é imprevisível e estonteante. O que começa por ser calmo e trivial, transforma-se nalgo revolto e violento. 

As descrições são de grande beleza, beleza essa que não tem nada de grandioso, mas sim banal. E nessa sua banalidade mostra-nos a sua subtil beleza, a beleza do dia a dia e das tarefas rotineiras. É de facto muito inteligente. 

Mais uma vez fiquei rendida à autora e espero poder ler mais das suas obras, porque são maravilhosas e cada uma traz sempre momentos de grande emoção e admiração. Recomendo vivamente a todos os que gostam de uma história inteligente e poderosa, onde a amizade e o romance estão por trás de momentos muito marcantes. Uma excelente aposta da editora! 

NOTA (0 a 10): 9