quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Sangue da Virtude - Parte 1, de Terry Goodkind

Sinopse:

Richard aceita o seu novo papel: um homem nascido com o dom e destinado a ser um feiticeiro guerreiro. Contudo, nas terras dos dois Mundos, nem todos encaram a magia com bons olhos. O Sangue da Virtude, uma seita formada por mercenário fanáticos, para quem a magia é o meio através do qual o Guardião influencia os homens, tem como missão enviar para o mundo dos mortos todos os seres mágicos.

A destruição da Grande Barreira tem consequências que nem um seeker poderia prever - a Ordem Imperial, o governo do Velho Mundo, avança com os seus exércitos para conquistar o Novo Mundo. A única opção de Richard para deter a invasão é reivindicar a sua herança, unindo todos os reinos sob uma só lei - um pacto entre a magia e o aço - e uma só autoridade - a do único homem que, nascido para a verdade, foi tocado pela morte e cuja ira, libertada, pode finalmente trazer o equilíbrio aos Mundos.


Opinião:

Depois de algum tempo (muito...!) de espera, saiu por cá a continuação da saga A Espada da Verdade. Como fiquei fã logo no primeiro livro, fiquei muto contente e assim que pude comecei a sua leitura.

Nesta primeira parte, encontramos várias personagens, em vários momentos da sua própria narrativa: Richard a braços com o poder e com a necessidade de se impor enquanto chefe de toda a Terra Central; a Irmã da Luz Verna, a tentar não ser consumida pelas tarefas enquanto Madre Superiora; as Irmãs das Trevas que conseguiram fugir; o chefe do grupo Sangue da Virtude. Todas as partes encaixam-se na narrativa global, formando uma história bastante poderosa e cheia de grandes emoções. 

As personagens continuam no seu melhor, cheias de segredos e dilemas complexos para enfrentar e resolver. Também apareceram algumas mais misteriosas que têm tudo para tornar a história ainda melhor. 

Gostei muito da forma como a história foi desenvolvida. Alguns aspetos surpreenderam-me e agradaram-me, porém outros acabaram por quebrar um pouco o ritmo dos livros anteriores, na minha opinião. 

A parte do Sangue da Virtude não me agradou por aí além, criando alguns momentos mais parados e não tão interessantes. Outra parte que me surpreendeu, e não pela positiva, foi a parte do Richard. Estava à espera do ritmo frenético e cheio de emoção dos livros anteriores, algo que não aconteceu nesta parte. O facto dele ter outras responsabilidades e novas funções fez com que os seus momentos se tornassem mais lentos e metódicos, compreendo isso...mas não gostei muito. Felizmente, todas as outras partes da narrativa compensam esses aspetos menos interessantes. Fiquei agradada com o desenvolvimento de todas as outras partes, em especial porque trouxeram muito mistério e emoção para a próxima parte e próximos livros. 

A complexidade narrativa mantém-se. Os detalhes, os diálogos, a intriga...tudo está excelente e muito bem coeso e interligado. Continua a haver uma grande duplicidade nas personalidades das personagens, o que promove a intriga e mistério, que, a juntar com a magia e a fantasia, criam um ambiente muito denso e forte. 

Outro aspeto que também mantém o mesmo nível é a descrição. O autor continua a promover descrições soberbas, simples, úteis e eficazes, que fazem com que o leitor visualize automaticamente o que está a acontecer. Mesmo a nível das emoções e ações das personagens é possível sentir e acompanhar tudo o que acontece. Este é um dos fatores que mais me agradaram nesta história, a par da riqueza da narrativa e de algumas das personagens. 

Em suma, mais uma grande história que vou querer continuar a acompanhar. Recomendo a todos os que gostam de um bom livro de Fantasia, cheio de ação, mistério, magia, intriga e muitas emoções. Espero que a segunda parte esteja para sair em breve, porque fiquei muito curiosa! 

NOTA (0 a 10): 8

domingo, 16 de julho de 2017

Uma Magia Mais Escura, de V. E. Schwab

Sinopse:

Kell é um dos últimos viajantes, magos com a capacidade rara e muito desejada de viajar entre universos paralelos, ligados através de uma cidade mágica.

Existe a Londres Cinzenta, suja e aborrecida, desprovida de qualquer magia e regida por um rei louco: George III.

Existe a Londres Vermelha, onde a vida e a magia são veneradas e onde Kell cresceu com Rhy Maresh, o herdeiro irreverente de um império próspero.

Existe a Londres Branca, um lugar onde as pessoas lutam para controlar a magia e a magia contra-ataca, consumindo a cidade até aos ossos.

Outrora, existiu a Londres Negra. Mas já ninguém fala dela.

Kell é oficialmente o viajante da Londres Vermelha, embaixador do império Maresh, guardião da correspondência mensal entre as realezas de cada Londres. Não oficialmente, é um contrabandista, servindo as pessoas dispostas a pagar pelo mais pequeno vislumbre de um mundo que nunca verão. É um passatempo difícil, cujas consequências perigosas Kell sofrerá em primeira mão. Fugitivo na Londres Cinzenta, conhece Delilah Bard, uma fora da lei com aspirações grandiosas. 

Primeira, rouba-o, depois, salva-o de um inimigo mortífero e, por fim, obriga-o a levá-la para outro mundo à procura de uma verdadeira aventura. Mas uma magia perigosa cresce e a traição está em todas as esquinas. Para salvar todos os mundos, têm, antes de mais, de sobreviver. (in Goodreads)



Opinião:

Aqui está um livro com uma história nova e que me fez sentir como da primeira vez que li Rowling, Tolkien, Hobb, Lynch, Clare, Martin. Não podia ser melhor! A história agarrou-me completamente, logo nas primeiras páginas e puxou-me para o seu interior e não me largou. Estava com expectativas bastante altas para este livro, mas foram ultrapassadas em grande escala, pois superou todas as expectativas. Tudo na história está perfeito, desde as personagens, aos acontecimentos...tudo! Assim, este é o primeiro de uma trilogia que promete muita magia e ação.

O livro conta a história de Kell, um dos dois últimos Antari nos Mundos, e das suas missões entre Londres, uma vez que ele tem a capacidade de criar portas para as diferentes Londres, de modo a viajar por cada uma. Ele é um viajante entre Mundos, um mago com a poder da magia de sangue, a mais forte de todas, bem como um olho de cada cor: um azul muito bonito e um completamente negro, em ter iris ou parte branca. Existem quatro Londres: a Cinzenta, a Vermelha, a Branca e a Negra. A Cinzenta é a Londres normal, a real, no tempo do Rei George III, em 1819. Nela não há magia. A Londres Vermelha é aquela onde há magia, é onde Kell mora, fazendo parte da família real. A Branca é uma Londres ressentida e cruel, onde todos têm fome de magia e onde é preciso lutar para ser rei, sendo governada pelos irmãos Dane, Athos e Astrid, cruéis e com capacidades mágicas imensas, tendo como ajudante Holland, o outro Antari existente. Depois, há a Londres Negra, que é uma espécie de lenda: consumida pela magia há séculos atrás, caiu em desgraçada, tendo sofrido uma grande catástrofe mágica. Todos os objetos vindos de lá, as relíquias, foram escondidos e destruídos, bem como pessoas com poderes mágicos, tendo sido aqui que muitos Antari foram mortos, não poque fossem maus, mas porque as pessoas tinham medo que eles fossem um género de peste de contágio de magia para as outras Londres. Sendo que, na ordem de posicionamento das Londres, a Branca era a mais próxima da Negra, foi ela que teve de criar mais defesas e lutar sozinha contra a força da magia negra que envolveu a Londres Negra, sendo esse o motivo do seu ódio para com a Londres Vermelha, que, estando mais distante, não teve de se preocupar tanto (isto na opinião da Branca). Todas elas são acessíveis para os Antari, excepto a Negra, na teoria, uma vez que todas as portas para ela foram seladas. Ou seja, Londres é um ponto fixo em vários mundos paralelos.

Kell faz parte da família real desde os cinco anos, mas o seu passado é um mistério. Com cerca de vinte, não se recorda de onde veio nem quem eram os seus pais de verdade. Sendo que a magia Antari não segue nenhum vínculo de parentesco nem nada, aparecendo de forma aleatória, segundo os conhecimentos dos sábios, Kell não tem forma de saber as suas origens. Tem nos reis uns pais e no príncipe, um irmão. Rhy e Kell são unha e carne e uma bela dupla. Kell tem como funções as questões diplomáticas e o ensino de Rhy quanto à magia. Porém, nas horas vagas tem como passatempo negociar objetos das diferentes Londres com possíveis curiosos ou colecionadores, que o procuram para trocar objetos. 

Mas Kell não é a única personagem com maior relevo. A história também acompanha Lila, uma jovem ladra e aspirante a pirata, habitante da Londres Cinzenta, desconhecedora da existência das outras Londres. Quando os caminhos de Lila e Kell se cruzam, a aventura ganha asas. 

Kell e Lila estavam sossegados nas suas vidas, até que Kell vai à Londres Branca numa missão diplomática e quando se estava a preparar para regressar a casa, aparece uma mulher das sombras com um pedido para um irmão moribundo. Ela entrega uma carta a Kell e pede-lhe para a entregar ao irmão, dando-lhe também um pagamento, algo embrulhado num pano. Dentro desse pano está uma pedra mágica, com uma runa da mais antiga magia: Vitari, um objeto da Londres Negra. Depois de ser atacado e de chegar à conclusão que aquilo tinha sido uma cilada, Kell foge para a Londres Vermelha, onde volta a ser atacado e bastante ferido. Então, decide fugir para a Cinzenta. Assim que lá chega cai aos pés de Lila, que o vê aparecer do meio da parede. No meio da confusão, Lila acaba por roubar-lhe a pedra, sem ter noção do que é que estava a roubar. Assim começa uma grande aventura, onde a magia está presente em grande estilo e em que não param de acontecer grandes momentos de ação e emoção. 

Tudo no livro é bom. 

As personagens são fantásticas. Fiquei completamente apaixonada por Kell, pois ele é uma maravilha. Bastante bondoso, nunca quer fazer realmente mal durante as lutas por que vai passando, muitas delas terríveis e horrendas, acabando quase sempre bastante mal tratado. Lila é um ladra muito engraçada, valente e inteligente. Gostei muito da forma como ela apoiou Kell e de como a relação deles foi progredindo, sempre no meio de muitos perigos. Holland também é excelente e, sem ele, Kell não teria tido oportunidade de se revelar, uma vez que a força de Holland estava sempre num nível mais elevado que a de Kell. Athos e Astrid são uma bela dupla, vilões fortes e bastante alucinados, que trouxeram muita ação e momentos de loucura à história. Rhy também é engraçado, sempre a espalhar charme. Gostei muito da forma como os destinos das personagens se foram entrelaçando e de como a autora orquestrou todos os momentos, todos os detalhes que culminaram em desfechos brilhantes e grandes momentos de cortar a respiração ao longo da narrativa. 

A narrativa, por seu lado, também está excelente. Cheia de dinamismo, ousadia e brilho, a narrativa é bastante alucinante. A magia que a preenche e lhe dá vida e cor é algo novo no campo do Fantástico, pelo menos em relação ao que tenho lido. Se bem que a manipulação dos elementos naturais esteja sempre na base destes sistemas, o que acontece geralmente na Literatura, aqui também há a manipulação do sangue, que vai ligar à manipulação do interior do corpo humano e dos seus órgãos. Isso permitiu à autora descrever cenários de certas lutas onde o sangue aparece em grandes quantidades, mas que está feito de um modo bastante harmonioso. 

A existência de várias Londres pode parecer confusa no início, mas é um conceito bastante bem explorado e simplificado logo no começo da obra, o que permite uma familiarização com o contexto da história que permite uma compreensão total do mundo imaginado pela autora, que é bastante rico e complexo. Gostei muito da forma como a autora a contextualizou e como tornou tudo tão simples e normal. Toda a história por trás dos acontecimentos presentes na obra também está muito bem elaborada, com momentos bem definidos, sem serem forçados, aparecendo no decorrer da história, de diálogos entre as personagens e nas suas memórias, de modo a criar uma naturalidade e um contexto rico e interessante, uma história com a sua História.

A intriga também está bem presente no enredo, aliás, tudo nele é intriga. Todos os movimentos, todos as ações e motivações das personagens têm por base uma intriga muito maior, um conjunto de intrigas paralelas entre si, que vão culminar num grande momento de apoteose brilhante, muito bem conjurado pela autora, que faz um trabalho excelente de modo a interligar todos os acontecimentos e aspetos de modo a criar algo único, rico e complexo.

Outro aspeto que me conquistou foi a ação. A narrativa é repleta de ação, é como que uma montanha russa de emoções. Não existem momentos parados, mas sim uma completa aventura imensa, cheia de grandes duelos, perseguições e fugas, onde nem tudo o que parece o é. A magia é engenhosa e também as personagens, o que cria momentos de grande tensão e adrenalina. A constante ação, aliada a uma escrita fluída e cheia de ritmo e à curiosidade em saber como é que Kell e Lila se vão desenvencilhar dos problemas, promove uma leitura muito rápida e constante. Confesso que, por vezes, abrandei o ritmo da leitura para fazê-la durar mais tempo! 

Mas há algo mais para além da ação. Há os dilemas das personagens, os laços criados entre si, entre a família, o dever. Há ainda a luta entre a vontade e a submissão. Pode-se fazer uma leitura muito mais metafórica do que vai acontecendo às personagens, em especial a Kell, quando começa a usar a pedra mágica. Se bem que não seja novidade a possessão por parte de objetos mágicos na Literatura (o Anel e Frodo, em O Senhor dos Anéis, por exemplo), é sempre um momento de grande tensão acompanhar personagens em que tal acontece. O duelo entre Kell e e a pedra faz com que tudo se torne ainda mais negro e nebuloso, tornando-se numa metáfora para além de um perigo constante que tal oferece à personagem. Também gostei desta parte da história e acho que lhe deu um toque mais profundo e denso, criando ainda mais laços entre o leitor e Kell. 

Também gostei das descrições, sendo que estas são uma constante da história, criando uma imagem visual muito forte e real, o que permite ao leitor visualizar perfeitamente tudo o que está descrito, tanto a nível ambiental e das roupas e outros detalhes, como das ações das personagens e até dos duelos mágicos. 

Sem dúvida, uma das leituras do ano, que recomendo vivamente a todos os que gostam de uma bela aventura, repleta de ação, perigo, loucura, magia e muitas reviravoltas. O começo de uma trilogia que tem tudo para ser uma das melhores aventuras literárias, que já tem interesses para o cinema. 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 9 de julho de 2017

O Terceiro Desejo, de Andrzej Sapkowski

Sinopse:

"(...) uma perspetiva refrescante no género da fantasia." - Foundation

O seu nome é Geralt de Rivia. Dizem que é um bruxo e um assassino sem misericórdia que vagueia pelo mundo à caça de monstros e predadores. Mas na verdade vive de acordo com o seu próprio código de conduta. A sua espada serve, em troca de uma recompensa, poderosos reis amaldiçoados, mas também os mais desfavorecidos.

Ao longo das suas viagens, Geralt encontra todo o tipo de criaturas - algumas saídas da mitologia eslava e dos contos populares dos irmãos Grimm - como vampiros e lobisomens, elfos, quimeras e estriges, trolls e génios que o tentam, satisfazendo todos os desejos.

Mas este é apenas é o início das suas aventuras como viajante e feiticeiro que irá desafiar o destino num mundo em que criaturas de todas as raças coabitam numa paz precária prestes a despedaçar-se... (in Edições Saída de Emergência) 



Opinião:

Depois de ter lido grandes opiniões em relação a este livro não podia ficar indiferente. A saga que inspirou um dos jogos mais famosos de sempre (The Witcher), chegou à Edições Saída de Emergência. Decidi apostar e ainda bem, pois foi uma excelente experiência! Gostei imenso, foi uma lufada de ar fresco. Agradeço desde já a oportunidade de o ler em conjunto com a Edições Saída de Emergência.

Neste primeiro livro da saga é nos apresentado Geralt de Rivia, o famoso bruxo que tem alcançado enormes feitos relativos à caça de seres mágicos e perigosos e outros assuntos relacionados com magia e sobrenatural. O livro está dividido como que em duas partes: presente e passado. No presente, os capítulos intitulados A Voz da Razão, é apresentado Geralt no período de convalescência após a primeira aventura narrada. Ao longo desses capítulos ou seja, ao longo desse período de calma, Geralt vai relembrando algumas das suas missões e aventuras enquanto conversa com outras personagens que vão aparecendo, como Jaskier, um poeta e trovador, muito engraçado e brincalhão. Confesso que quando Jaskier apareceu ainda tornou as aventuras de Geralt mais engraçadas e mirabolantes, fazendo com que gostasse mais do livro.

Geralt é uma personagem muito interessante. Com um passado misterioso, dei por mim a querer saber mais sobre ele, sobre como se tornou bruxo e como foram as suas aventuras que lhe deram a sua fama. A curiosidade, em conjunto com a forma como a prosa está encadeada, fizeram com que o livro fosse lido num ápice. Em relação às outras personagens, todas elas são encantadoras. Ou seja, todas tem um papel importante, muito divertidas e sombrias, ao mesmo tempo. O autor conseguiu criar um leque imenso de personagens, várias para cada aventura, praticamente, e todas elas são diferentes, todas elas são riquíssimas e dinâmicas. Jaskier foi a personagem que mais gostei, em conjunto com Geralt e Yennefer, que também é muito engraçada. 

O enredo é muito bom, repleto de aventuras e ação. O autor não se poupa nos acontecimentos e na forma como os narra, havendo de tudo. São várias aventuras que servem como pano de fundo para a fama de Geralt e todas elas são únicas e cheias de emoção. Gostei muito, tanto da narrativa em si, como da prosa, como das diferentes aventuras. Sempre com humor, ação e aventura, o autor criou algo novo dentro de um género onde há várias outras histórias. 

A existência de seres mágicos "tradicionais" (elfos, anões, vampiros...) e de outras personagens presentes nas histórias tradicionais recolhidas pelos Irmãos Grimm, fez com que tudo ainda se tornasse melhor. O autor deu um olhar totalmente novo e remodelado a histórias, personagens e seres já conhecidos. Achei este aspeto totalmente fantástico e inovador. 

As descrições também estão muito boas, elaboradas e sempre presentes para dar algo à história e à ação em si. Nunca são demasiadas nem exaustivas e têm sempre um quê de humor e diversão. Tal como a escrita. 

A escrita é excelente e, a meu ver, um dos maiores trunfos da história e do autor. Ela é fluída, dinâmica, mordaz e irreverente. O autor não tem problemas em usar determinados vocábulos e jogos de palavras, indo sempre ao cerne da questão e mostrando audácia tanto na escrita como na narrativa. 

Em suma, uma excelente aposta da editora e espero ler em breve o segundo volume, que já saiu por cá e tem como título A Espada do Destino. Recomendo totalmente a todos os que gostam de uma aventura sem limites! 

NOTA (0 a 10): 10  

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O Segredo da Casa de Riverton, de Kate Morton

Sinopse:

Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar. 

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta. 
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente. 

Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor. (in Goodreads)


Opinião:

Mais um arrebatador romance escrito por uma das autoras que mais gosto de ler dentro deste género, que acaba por ser um misto de romance com mistério e thriller. Kate Morton tem-se mostrado como uma autora fantástica, dotada de uma escrita fabulosa e de um enorme poder para contar histórias, encadeando todos os detalhes, todos os momentos de modo a criar algo único e excelente. Este é o terceiro livro que leio dela e só tenho a referir aspetos positivos!

Riverton. Uma casa antiga, com mais de 300 anos de história. Uma família nobre, famosa e ilustre. Uma época de mudança, guerra e paixão. Contada na perspetiva de Grace, criada da família, esta é a história que assombra as paredes de Riverton e que nunca foi contada verdadeiramente. Uma história forte, cheia de emoções e muitas surpresas, que faz com que a leitura seja feita de forma frenética e veloz, uma vez que o leitor está sempre na expectativa de descobrir mais...de descobrir o segredo de Riverton.

Gostei muito da história e das personagens.

Em relação às personagens, posso afirmar que gostei de todas. Se bem que tenha acabado por ter um tanto raiva de Emmeline, pela sua personalidade, pelos seus feitos..., todas elas estão excelentes. Grace acabou por ser a minha favorita: discreta, com uma história escondida e crucial nos momentos mais importantes, acabei por gostar muito dela. Hannah é a personagem mais interessante, mais sombria e misteriosa, excepto Robbie, que a ultrapassa. Gostei de todas elas, uma vez que é um leque muito heterogéneo e distinto, cada qual com a sua parte na trama, o seu papel definido e único.

A história está primorosamente contada por Grace, uma excelente narradora. Quase com 100 anos, a antiga criada da casa e depois criada pessoal de Hannah, Grace tem uma história para contar ao seu neto, história essa que a marcou e lhe cria remorsos no seu coração. O que à partida parece ser uma coisa, logo acaba por se mostrar outra. Este aspeto está sempre presente nos livros da autora, o que os faz serem tão bons e imprevisíveis. Este não é excepção. A história das irmãs Hartford é muito forte. A família, o amor e o dever. Eis as bases que as regem e que regem toda a trama. Aqui não há espaço para meias palavras, nem para momentos delicados. Tudo se passa com grande fulgor e paixão e ambas as irmãs têm que enfrentar grandes acontecimentos que acabam por por à prova a sua amizade e amor entre ambas.

Ser guiado por Grace desde os seus 14 anos, quando foi trabalhar para a mansão, até aos seus quase 100 anos é uma experiência interessante, uma vez que ela tem muitos segredos para desvendar e contar. Tendo acompanhado a vida de Hannah e Emmeline desde a sua juventude, sabe tudo sobre elas e sobre o que levou à loucura na famosa festa dada em Riverton em 1924, no auge dos loucos anos 20. O mistério está muito bem contado, as pistas são dadas em pequenas doses e o leitor pode seguir por esta história como se estivesse presente em todos os momentos, como se estivesse de mão dada com Grace através da história. 

O facto dos acontecimentos narrados atravessarem um longo período de tempo, cerca de 20 anos, também dá outras mais valias à história. A Primeira Guerra, as mudanças sociais e económicas, a entrada na década de 1920 e tudo o que estes anos trouxeram (música, emoções, modas...), a liberdade social e de costumes que se começou a viver na época...tudo está aqui presente e tudo faz parte do contexto da obra. Kate Morton, mais uma vez, usou todos esses aspetos para criar um contexto perfeito e único, em que tais aspetos servem a história, dando-lhe coerência e realidade, sendo parte viva das personagens e do enredo em si.

As descrições estão soberbas, magistrais. É como se o leitor estivesse defronte de tudo o que é descrito. Aliás, logo na primeira página é possível entrar na história, começar logo a fazer parte do quadro visual que é ali apresentado. Imaginar logo a primeira cena foi o que me fez entrar automaticamente na história. Assim, a vivacidade das descrições em conjunto com a poesia da forma de escrita, faz com que a leitura da obra seja um momento maravilhoso, onde se entra na trama e se acaba por fazer parte do enredo.

Já tinha acontecido isso nos livros anteriores. A autora consegue sempre dar tudo de si e de tudo o que cria para dar prazer ao leitor, através das variadas descrições das personagens, da ação, dos espaços, dos objetos..., passando pela história e acontecimentos, até chegar ao cerno do mistério que há para desvendar. Porque há sempre um mistério escondido, algo que tem de ser dito, que tem de ser descoberto.

Mais um maravilhoso livro de Kate Morton, que recomendo sem reservas. Romance, mistério e muita emoção numa história bem contada.

NOTA (0 a 10): 10

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Assassino do Bobo, de Robin Hobb

Sinopse:

Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.

Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual... (in Edições Saída de Emergência)



Opinião:

É com imenso gosto que escrevo esta opinião. Robin Hobb é uma das minhas autoras favoritas e desde que a Saída de Emergência começou a editar cá os seus livros que os tenho lido. Ora, depois de duas sagas maravilhosas, é uma delícia poder voltar a entrar neste reino e a visitar os Seis Ducados, Torre do Cervo e, principalmente, a encontrar FitzCavalaria Visionário, a minha personagem literária favorita. Ao começar este livro foi como se voltasse atrás no tempo ou como se voltasse a uma memória ou acontecimento muito querido. Deu-me uma sensação e emoção únicas e foi com grande alegria que me deixei levar pelas páginas desta brilhante aventura. 

O primeiro livro de uma trilogia deliciosa e repleta de emoção!

As personagens continuam perfeitas. Fitz continua o mesmo. Apesar de mais velho, o seu corpo mantém a aparência da casa dos trinta, devido à cura pelo Talento administrada pelo círculo de Respeitador nos livros anteriores. Mas a nível psicológico, de maturidade, continua o mesmo. E continua como só ele podia ser. Confesso que, se ele amadurecesse verdadeiramente, podia deixar de ser tanto como ele é. Acho que não gostava muito que isso acontecesse...talvez para preservar a personagem como a ideia que faço dela, mas acho que, com a história que aqui está, é provável que ele amadureça. No entanto, permanecerá para sempre aquele rapaz que foi levado para o Castelo de Torre do Cervo para servir como assassino. 

Mas, apesar do Fitz ser especial, também há outras personagens e posso dizer que gosto de todas. Moli também me é muito querida. Sempre gostei dela e sempre torci para a ver com o Fitz. Depois de tudo o que lhes aconteceu, o repouso e amor entre os dois é mais do que merecido. Gostei de reencontrar Moli e muitas das emoções mais fortes foram por causa dela. 

Breu, Kettricken, Respeitador, Urtiga, Enigma e muitas outras personagens voltam para fazer as delícias dos leitores e voltam todas cheias de força e pujança, mesmo que nem todas apareçam muito ao longo da história. 

Não querendo estar a contar muito, outra personagem nova que aparece é verdadeira um miminho! Abelha é perfeita. É como que aquilo porque a história tem estado a ser contada. Parece ser a base de todos os livros, o culminar da história. Há muito para descobrir sobre ela, mas espero que o mistério seja bastante adensado ao longo das histórias seguintes! 

E há muitas novas personagens, todas fantásticas. 

Robin Hobb é única. Mais uma vez dá-nos uma história que só ela podia ter escrito. As personagens continuam iguais, cheias de força e carisma, os locais também continuam a transmitir a mesma serenidade emocionante. A escrita continua a ser como que uma viagem serena, pacifica. É como um maravilhoso conto de antigamente, contado oralmente, no princípio dos tempos. Tudo neste livro faz lembrar os anteriores, tudo e nada. 

A história é muito diferente. Fitz vê-se numa situação completamente nova. Casado, ao lado da sua amada que envelhece (e ele não), Fitz só quer paz e sossego. Porém, algo mais está em marcha e ele volta a ser posto em serviço, se bem que de um modo bastante intrigante e esquivo. Mas, para além de todo o enredo de mistérios, profecias e segredos, há mais do que isso, há a vertente familiar. Abelha ganha. não só um lugar privilegiado e único na vida dele, mas também capítulos da sua autoria, deixando-nos entrar no seu mundo, na sua perspetiva e na sua mente tão peculiar e aguçada. 

Se a narrativa não tem tantas aventuras como as que podiam ser esperadas, tem algo mais. Tem um contexto familiar que prende o leitor de um modo mais filial, mais íntimo. E este é apenas o começo de uma trilogia que vai ser fantástica. O final do livro é totalmente comovente, deixando tudo em suspenso, tudo em aberto e pronto para a maior aventura de todas, maior, mais perigosa e mais emocionante. Amizade e família, o maior dilema de Fitz vê-se, mais do que nunca, concretizado. 

Quanto à escrita, Hobb dá-nos mais um doce. É com enorme expectativa que as folhas vão sendo devoradas e dei por mim a tentar abrandar o ritmo da leitura para fazer render a história. Porque, se bem que queria ler mais, também queria saborear tudo em pormenor. As palavras são escolhidas de modo a criar um encadeamento melodioso e delicado que promove uma leitura a dois tempos: veloz nos momentos de ação, calma nos momentos mais descritivos e introspectivos. É o tempo perfeito para a narrativa. 

Em relação às descrições, é um prazer voltar aos locais visitados tantas vezes e encontrar, mesmo que com algumas mudanças, aquele "cheiro" a conhecido, aquela familiaridade tão boa. Gostei muito de encontrar Floresta Mirrada e de conhecer a esplêndida mansão. Tudo é descrito como deve ser. Sem ser demasiado, mas sem ser de menos. Está tudo equilibrado. No fundo, equilíbrio é o que mais pauta esta história. Equilíbrio em todos os aspetos. 

Pois é, mais um maravilhoso livro desta autora que eu tanto aprecio. Quero agradecer à Saída de Emergência por ter voltado a editar Robin Hobb. Muito obrigada. Por favor, continuem. Espero ler em breve o segundo volume desta esplendida trilogia. Estou tão curiosa para ler o próximo! 

Recomendo vivamente a todos os leitores que apreciam uma história excelente, com aventuras, romance, emoções fortes. É do melhor que se pode ler. E também quero referir o excelente design tanto no exterior (a capa é linda!), mas também interior, tanto a nível de formatação e imagens. 

NOTA (0 a 10): 10 

sábado, 20 de maio de 2017

Tatiana e Alexander, de Paullina Simons

Sinopses:

Tatiana

Com apenas dezoito anos, Tatiana está grávida e só. O seu marido, Alexander, foi acusado de espionagem e preso pela infame polícia secreta de Estaline.

Alexander é um herói de guerra condecorado que carrega um segredo fatal. Nascido na América, vive encurralado desde a adolescência na União Soviética, para onde emigrou com os pais, que queriam viver o ideal comunista. Mas o brutal regime do país rapidamente destroçou os seus sonhos. Para se proteger, Alexander serviu o Exército Vermelho e fez-se passar por cidadão soviético. Para ele a II Guerra Mundial é já uma causa perdida: tanto a derrota como a vitória significam a morte.

As notícias que dão conta do triste destino de Alexander levam Tatiana a fugir para a América. Quando chega a Nova Iorque, ela é uma jovem viúva com um filho pequeno nos braços e um passado doloroso. Pouco tempo depois, tem um emprego, amigos e uma vida com que nunca ousou sonhar. Mas a dor pela perda de Alexander nunca a abandona. Algures dentro de si e contra todas as evidências ela continua a ouvir a voz do seu grande amor...

Uma história épica de amor e guerra. Um hino ao poder dos sentimentos e da fé humana. Tatiana é a sequela do bestseller mundial O Grande Amor da Minha Vida. (in Goodreads)



Alexandre

(...)
A viver na América com o seu filho, Tatiana tentou esquecer a mágoa pela perda do seu grande amor, Alexander. A sua vida seria perfeita se essa memória não estivesse presente a cada momento de cada dia. E quando uma improvável réstia de esperança de encontrar Alexander vivo se apodera dela, Tatiana não hesita. 

Deixa o pequeno Anthony aos cuidados da amiga Vikki e parte para uma derradeira e perigosa viagem à Alemanha. Em jogo está tudo o que construiu e a sua própria vida. Se for encontrada, Tatiana sabe que não escapará. É uma mulher marcada.

Mas mais impossível do que o seu sonho é a incapacidade de aceitar a vida sem Alexander. Mais forte do que o medo é a promessa que fizeram um ao outro há tantos anos atrás: "viveremos juntos ou morreremos juntos". 

Tatiana e Alexander protagonizam uma das histórias de amor da ficção contemporânea. Um inesquecível relato de paixão, guerra, coragem e sobrevivência. (in Goodreads)



Opinião:

Esta opinião abrange as duas edições portuguesas do livro original (Tatiana and Alexander). Por cá, a editora resolveu editar o segundo livro da trilogia como sendo o livro final e com duas partes, uma de cerca de 600 páginas e uma de 200 páginas. Não sei qual foi a ideia nem a justificação, só sei que não foi uma grande ideia, uma vez que a a história é maravilhosa e devia ser editado o terceiro livro.

Decisões à parte, decidi ler tudo  de seguida e escrever a opinião dos livros como um todo, uma vez que o segundo ou terceiro por cá (Alexander) faz parte da parte Tatiana.

Depois do maravilhoso e sofrido enredo de O Grande Amor da Minha Vida, não podia deixar de ler as aventuras e grandes perigos pelos quais Tatiana e Alexander passaram na sua odisseia para tentar fugir da União Soviética durante a 2ª Guerra. De uma pujança enorme, com a história mais triste e bela ao mesmo, O Grande Amor da Minha Vida é um dos meus romances favoritos. Personagens fantásticas, fortes e únicas, deixaram-me uma grande marca, bem como os acontecimentos pelos quais passaram. Estava na altura de ler a continuação e saber como é que Tatiana tinha conseguido sair da União Soviética e como Alexander tinha saído da situação difícil em que se encontrava, num hospital de campanha e a ser acusado de traição, com a sua verdadeira identidade quase descoberta.

Não podia ter ficado mais satisfeita com a continuação do primeiro livro. Neste, voltei a encontrar personagens fortes, um enredo forte, descrições cheias de vida e de realidade. Tatiana continua a ser uma rapariga de armas, cheia de força, mesmo nos momentos mais desesperados. Sozinha, grávida e na América, pensando que Alexender estava morto, Tatiana vê-se numa situação difícil. E, à medida, que a sua vida na América se vai desenvolvendo, ela vai sentido cada vez mais a falta do seu amor, mesmo com o seu filho bebé, a sua nova amiga e o médico que a tenta cortejar. Por sua vez, Alexander está muito mal. Depois de quase ter morrido, vê-se a braços com as forças do exército russo, que o quer prender e acusar de traição, enviando-o para um batalhão que tem como função encabeçar as forças russas, servindo de escudo e de bala para canhão. Pelo meio, existem várias outras personagens que são essenciais para todo o enredo.

Gostei muito do livro todo, mas confesso que os capítulos que contam a parte de Alexander marcaram-me mais. Tal deveu-se ao enredo narrado nesses capítulos. Uma parte mais sombria, mais dura, mais medonha na história. Vários são os perigos pelos quais ele passa, sempre com a sombra da traição por cima. Também as personagens são mais nuas, mais frias, mas, ao mesmo tempo, mais calorosas, mais vivas e grandiosas, mesmo que muitas delas só dê vontade de atacar. Alexander é a personagem que transmite, neste volume, toda a paixão, força, coragem e resistência que é o grande tema desta história. Durante todo o percurso que ele fez ao longo do livro é de uma força e resistência imensas, de coragem e amor. Claro que também gostei dos capítulos dedicados a Tatiana, a grande força por detrás de toda a coragem de Alexander. 

Em relação à narrativa, quero referir a grande emoção e força que ela transmite. É uma odisseia, uma ode ao amor, à coragem. O resistir a tudo e a todos, enfrentar tudo e todos por algo maior, pela Vida...esse é o grande tema do livro, é o seu núcleo: a força do amor e da Vida. É uma das histórias mais lindas que li até hoje. É uma história que poderia ter acontecido a qualquer casal durante aquele período e que poderá mesmo ter acontecido. É uma história de amor, de um amor que consegue vencer tudo e todos e que nunca se dá por vencido. Sem dúvida, encontrei nesta história algo de brilhante e muito belo. No meio de toda aquela dor, violência e medo, há esperança, fé e um grande amor, que, mesmo que seja pequeno, é tudo o que é necessário. 

Uma história forte, muito bem narrada, com tudo o que faz uma narrativa grandiosa e alcança um patamar mais elevado, permitindo ao leitor estar com as personagens e acompanhá-las ao longo da sua jornada, jornada essa que é cheia de perigos, mas cheia de ternura e amor.

Quanto às descrições, a autora conseguiu ser tão assertiva na escolha das palavras que criou imagens visuais muito fortes. Não só visuais, como olfativas e auditivas. É como se o leitor lá estivesse no meio de todo aquele caos, ou no meio de toda aquela serenidade ou folia, dependendo das partes da história. 

Ação, amor, guerra, emoção e aventura são os pontos chave desta grande narrativa de proporções épicas. São livros grandes, que se leem num ápice, tal não é o ritmo de grande emoção e adrenalina presente ao longo da história, em conjunto com uma escrita fluída e rica. 

Recomendo totalmente a todos os que gostam de uma história maravilhosa, que é também uma lição de História. Um dos mais belos romances da Literatura! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 14 de maio de 2017

Divulgação - O Assassino do Bobo, de Robin Hobb

Venho divulgar uma das minhas autoras favoritas, uma das minhas sagas favoritas e um das minhas personagens favoritas. Estou a referir-me a Robin Hobb e à sua saga (três sagas, na verdade) de FitzCavalaria Visionário, umas das minhas personagens favoritas. 

Foi com enorme euforia e carinho que recebi a notícia da sua publicação em Portugal, pela Saída de Emergência, depois de alguns anos sem edições por cá. 

Três são as sagas que acompanham FitzCavalaria na sua jornada desde criança até à idade adulta. Duas estão já completas e editadas pela Saída de Emergência, a terceira está a começar por cá, tendo já os três livros publicados em inglês: Fool's Assassin, Fool's Quest e Fool's Fate. 

Agora, todos vamos ter a oportunidade de continuar a seguir as aventuras desta personagem tão amada e especial. Espero que gostem e que tenhamos a continuação em português. Obrigada Saída de Emergência, por continuarem a apostar nesta autora fantástica! 


Sinopse:

Tomé Texugo tem levado uma vida pacífica há anos, retirado no campo na companhia da sua amada Moli, numa vasta propriedade que lhe foi agraciada por serviços leais à coroa. Mas por detrás da sua respeitável fachada de homem de meia-idade, esconde-se um passado turbulento e de violência. Na verdade, ele é FitzCavalaria Visionário, um bastardo real, utilizador de estranhas magias e assassino. Um homem que tudo arriscou pelo seu rei, com grandes perdas pessoais.

Até que, numa noite fatídica, um mensageiro chega com uma mensagem que irá transformar o seu mundo. O passado arranja forma de se intrometer no presente, e os acontecimentos prodigiosos de que foi protagonista na companhia do seu grande amigo, o Bobo, vão voltar a enredá-lo. Se conseguirem, nada na sua vida ficará igual... (in Edições Saída de Emergência)

Recomendo este livro a todos os leitores. A todos os que acompanharam Fitz nas suas demandas ao longo das outras sagas, a todos os que gostam de uma boa história, a todos os que gostam de ler. 

Já conhecem estas sagas? Já leram Robin Hobb? O que têm a dizer?

Star Trek: Ongoing, volume 5, de Mike Johnson

Sinopse:

Bones

Neste conto descobrimos o que levou o Dr. Bones a seguir medicina e a ir para a Academia. 

The Voice of a Falling Star 

A história de Uhura, e do que a fez seguir o seu caminho para a Academia.

Scotty

Como Scotty decidiu ir para a Academia

Red Level Down

Aventuras de Chekov e Sulu na Academia, em especial em momentos de grande emoção e bravura. 



Opinião:

Mais uma bela banda desenhada de Star Trek. Apesar de não ter acrescentado muito à história em si, serve de "background" para as histórias pessoais das personagens, o que promove uma ligação mais forte com elas. 

Spock e Kirk, apesar de aparecerem, ficaram um tanto relegados para segundo plano, deixando assim as outras personagens terem mais destaque, algo que merecem, pois são, também, excelentes. 

Gostei de todos os contos. Gostei da forma como Bones foi apresentado e como a sua história é comovente. Gostei da intimidade entre Uhura e Spock e de como ele ficou a conhecer mais sobre o seu passado. Gostei de saber mais sobre a infância e as aventuras infantis de Scotty, sempre divertido, e gostei bastante da aventura de Chekov e Sulu, no conto mais complexo e completo desta banda desenhada. 

Não há muito para contar sobre os diferentes contos, uma vez que são todos sobre como é que as diferentes personagens chegaram à Academia ou como é que se graduaram lá dentro e das aventuras que por lá passaram. 

Uma leitura fácil, com momentos de grande emoção e aventura, belas imagens e a habitual adrenalina e gosto pelas aventuras das diferentes personagens. Recomendo a todos os que gostam deste universo e àqueles que gostam de boas histórias em banda desenhada! 

NOTA (0 a 10): 10

domingo, 30 de abril de 2017

A Bela e o Vilão, de Julia Quinn

Sinopse:

Libertino. Devasso. Debochado. Três adjetivos que podiam descrever Michael Stirling na perfeição. Bem conhecido nas festas londrinas, quer desempenhasse o papel de sedutor ou o papel de seduzido, uma coisa era certa: nunca estregava o coração. Ele teria até acrescentado a palavra "pecador" ao seu cartão de visita se não achasse que isso mataria a pobre mãe. 

Mas ninguém é imune ao amor. Quando a seta de cupido atinge Michael, dá início a uma longa e tortuosa paixão - pois o alvo dos seus afetos, Francesca Bridgerton, tem casamento marcado com o seu primo. Mas isso foi antes. Agora, Francesca está novamente livre. Infelizmente, ela vê Michael apenas como um ombro amigo - até à fatídica noite em que lhe cai inocentemente nos braços, e a paixão se revela mais poderosa e intensa do que o mais perverso dos segredos... (in Goodreads)


Opinião:

Este é o sexto livro que leio da autora e posso afirmar que gostei bastante, tal como gostei dos anteriores. Como já referi nas outras opiniões referentes a estes livros, volto a referir aqui muito do mesmo. Uma história interessante, cheia de peripécias, de romance, paixão e personagens interessantes e cheias de dilemas para resolver. 

Neste volume, o leitor acompanha a história de Francesca Bridgerton, casada com John Stirling. Uma das irmãs mais reservadas e introspetivas da família Bridgerton. No entanto, quando John morre, vê-se na incumbência de tentar encontrar outro esposo. O que ela não queria acreditar era que isso ia ser bastante difícil, especialmente com Micheal, primo de John, tão perto. 

Gostei de Francesca, de John, de Michael...enfim, das personagens todas. Têm carisma e personalidade, como todas as outras de Julia Quinn. As peripécias por que passam são muitas e os momentos de paixão, ainda mais. Aliás, na minha opinião, este livro é aquele onde a paixão e o romance, com descrições um tanto mais sensuais, aparece em maior destaque e pujança. Boa parte do livro é romance puro, com cenas um tanto escaldantes. Achei interessante, mas confesso que a dado momento começou a ser demais, porque foram um tanto repetitivas. Julgo que podia ter havido um melhor equilíbrio entre o romance e os outros momentos da história. 

Em relação à história em si, também gostei. No entanto, podia ter estado melhor. Podia ter sido um pouco mais forte em determinados momentos, ali no meio da história. Podia ter tido mais do que a grande quantidade de romance que teve. Isto pode soar estranho num livro deste tema, mas nos outros livros da autora nem sempre é apenas romance. Também há aventuras e outras emoções. Tirando isso, a história é muito boa. A autora arriscou num contexto mais denso, o que também se revelou diferente, dando outro ar à história. 

Quanto à escrita, é a habitual. Fluída, divertida, mas muito emotiva nalguns momentos. É uma escrita com o ritmo certo para o tipo de história, que faz com que o livro se leia num instante. As descrições, se bem que não muitas, são sempre relevantes e bem apontadas, com detalhes ricos e palpáveis. 

Em suma, mais uma boa história contada por esta autora que tenho vindo a apreciar bastante. Recomendo vivamente a todos os que gostam de um bom romance! 

NOTA (0 a 10): 9,5

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Comics Star Wars: Clássicos 1, de Roy Thomas

Sinopse:

Contém as histórias:

1. Star Wars
2. Seis Contra a Galáxia
3. A Estrela da Morte!
4. Luta contra Darth Vader
5. Olhem, as Luas de Yavin!
6. Será Este...o Último Episódio?
7. Novos Planetas, Novos Perigos
8. Os Oito Campeões de Aduba-3
9. Confronto Num Mundo Desolado!
10. O Colosso do Mundo Subterrâneo
11. Busca Estelar!

A saga A Long Time Ago, publicada pela Marvel a partir de 1977, assinala o surgimento das personagens de Star Wars no mundo da banda desenhada. Esta série revive a emoção das aventuras galácticas originais e amplia-as com novas personagens e situações que nunca apareceram nos filmes, para deleite dos fãs da saga. Uma coleção imprescindível para os amantes de Star Wars e para os que ainda não conhecem o poder da Força.

Este volume inclui os issues 1 a 11 originalmente publicados pela Marvel Comics. (in Goodreads)


Opinião:

Um livro de banda desenhada que tinha há algum tempo na estante e que foi ao encontro das minhas expectativas. Gostei, pois sabe bem voltar a esta história. Os três primeiros filmes vão ser sempre os primeiros e únicos e, em banda desenhada, continuam maravilhosos. Toda a magia do universo Star Wars está ali presente. 

É possível ficar a conhecer algumas das personagens de forma mais "íntima" e detalhada, que não é possível através dos filmes, apenas. Também a história em si é muito boa. Depois de receber a mensagem enviada pelos rebeldes, a Princesa Leia tenta descobrir Obi-Wan, um dos antigos mestres Jedi, para ajudar na luta contra o Império e na destruição da Estrela da Morte, cuja falha foi descoberta e transmitida. Enquanto isso, Luke Skywalker parte para restituir os droids, C3-PO e R2-D2, a Leia, descobrindo Ben Kenobi pelo caminho. Han Solo, um pirata espacial, vê-se no meio da aventura quando Luke lhe pede para o transportar na missão, na lendária Millennium Falcon. 

Gostei muito de encontrar as personagens, em especial nos contos que se passam após a primeira parte e que contam histórias que narram acontecimentos entre Uma Nova Esperança e O Império Contra Ataca. Gostei especialmente desses, uma vez que não conhecia, ficando assim a conhecê-los e a ter uma perspetiva diferente sobre esses momentos da vida das personagens. 

Tendo em conta a história passada em Rogue One, faz todo o sentido voltar a ver Uma Nova Esperança. Ainda bem que li este livro depois de ver Rogue One, porque foi ainda mais especial e emotivo. 

As ilustrações estão muito interessantes, cheias de cor e vivacidade, indo ao encontro dos primeiros episódios da saga (a trilogia original). 

Uma história cheia de ação e aventura, que certamente vai agradar a todos os fãs de 

NOTA (0 a 10): 9

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Nove Príncipes de Âmbar, de Roger Zelazny

Sinopse:

Âmbar é o único mundo verdadeiramente real. Todos os outros mundos, incluindo a Terra, não passam de sombras que de certa forma o imitam. 

Exilado na Terra desde há séculos, o príncipe Corwin acorda na cama de um hospital, sem memórias da sua existência passada. Gradualmente, descobre a verdade e é forçado a regressar ao mundo paralelo de Âmbar onde descobre que o rei Oberon, seu pai, é dado como desaparecido. Para ganhar o seu direito à sucessão do trono, Corwin terá de enfrentar realidades impossíveis forjadas por assassinos demoníacos, horrores inomináveis e os exércitos e fúria dos seus irmãos, os príncipes de Âmbar. (in Edições Saída de Emergência)




Opinião:

Não conhecia este livro, ou melhor, estas crónicas. Fiquei a conhecê-lo através da Saída de Emergência e tenho a referir que é uma excelente aposta da Editora. Uma obra de Fantasia com um toque muito especial e diferente. Penso que uma potente banda sonora de Rock daquele a ir para o Metal seria a forma mais fiel de o definir: uma balada Rock/Metal. E está excelente! 

Corwin é uma personagem excelente! Uma personagem complexa, forte, inteligente, charmosa, divertida e com um grande carisma. De facto, o único e melhor narrador que a história podia ter, um vez que fez com que a narrativa fosse uma delícia. Mas há mais. Todos os irmãos de Âmbar, os príncipes, são muito bons: cada um há sua maneira, todos diferentes e muito complexos. Gostei de todos os irmãos, em especial de Corwin. 

Como a própria Âmbar. Âmbar é o reino mais real que pode haver e todos os outros, incluindo a Terra, são uma mera sombra dele. Achei este contexto excelente, bastante original e audacioso. Tal como as diferentes formas de comunicação entre as personagens, em especial os Trunfos (cartas mágicas que representam a realeza de Âmbar e a própria Âmbar e que permitem a comunicação e transporte). É uma forma interessante de magia que aqui é encontrada para estabelecer diversas pontes ao longo do enredo. 

Tendo em conta a extensão dos acontecimentos e o enorme número de aventuras que acontecem ao longo da narrativa, esperava um livro maior, mais extenso. Percebo que a forma rápida e frenética com que a história é contada nas partes em que acontecem certos acontecimentos seja uma forma de dar ritmo à história, mas eu gostaria de ter lido mais sobre esses momentos (apesar de ter gostado deste ritmo). 

O autor deu dois grandes ritmos à obra: momentos mais introspetivos e pessoais para Corwin são mais lentos e detalhados, em oposição os momentos mais descritivos e longos, onde a ação é mais constante e diversa. É uma forma original de organizar os acontecimentos e a própria estrutura narrativa, que me agradou por ser diferente e uma lufada de ar fresco dentro do género. 

Outro ponto que me agradou bastante foi a ação constante, a escrita frenética, que permite uma maior velocidade na narrativa, e as personagens complexas e o mistério que as envolve. Espero que no segundo volume muitos desses mistérios comecem a ser desvendados, pois têm muito para oferecer! 

Não é muito possível referir muito mais sem contar aspetos  importantes e dar spoilers. Porém, referir que este é o começo de uma obra que promete deliciar-me é algo que me deixa satisfeita. Uma história bem contada, bem contextualizada, num mundo muito original e diversificado, repleta de personagens intrigantes e complexas, a juntar com um contexto rico em detalhes e história, é a junção perfeita e imensamente original. 

Humor, ação, mistério, muitas batalhas e uma busca incansável pelo poder são os ingredientes mais sonantes desta obra que vai fazer as delícias de todos os fãs do género Fantástico. Recomendo sem reservas. Espero que o segundo volume saía em breve! 

Quero, também, referir o excelente design, tanto a nível da capa como do interior. A capa é linda. 

NOTA (0 a 10): 9,5

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Star Trek: Ongoing, Vol. 4, de Mike Johnson

Sinopse:

Hendorff

Neste conto, o protagonista é Hendorff, um membro dos engenheiros. Ele está a contar aos pais como está a ser a sua estadia na Enterprise, como se dá com o Capitão, com os colegas e como é ser membro dos engenheiros, acabando por contar algumas peripécias e uma aventura bastante interessante. 

Keenser's Story

Keenser, o eterno ajudante do chefe engenheiro Scott. Neste conto, o leitor tem acesso à sua história, conhecendo assim como é que foi para a Frota Estrelar e como conheceu Scott. 

Mirrored

E se os mundos paralelos fossem uma realidade? O que estaria a acontecer nas infinitas linhas temporais em simultâneo com a realidade? E se a realidade não passasse de uma linha de tempo, nenhuma delas sendo a verdadeira, mas sim, todas elas como reais e verdadeiras? Este é o tema de conversa entre Bones e Scott.

Assim, numa dessas linhas de tempo, poderia ser que Spock fosse o capitão, Kirk o comandante e a luta contra Nero tivesse tido outro desfecho. E se Kirk quisesse mais do que aquilo que parece querer e se tornasse num perigo para a Enterprise e para o Império?




Opinião:

Uma banda desenhada recheada de aventuras, ação e mistério. Os contos são todos fantásticos. Gostei de todos, mas, sem dúvida, Mirrored destaca-se imenso. 

O primeiro conto é interessante, pois dá-nos a conhecer o dia-a-dia na Enterprise pelo olhar de uma personagem secundária que não aparece muito. Dá-nos também uma aventura muito engraçada em que as personagens são surpreendidas por elementos bastante exóticos e misteriosos, o que é sempre bom de encontrar nestas histórias. 

O segundo também é muito bom. Keenser é uma das personagens mais misteriosas a bordo da Enterprise, uma vez que não fala, praticamente, é super inteligente e, por isso, misterioso. Gostei de saber sobre o seu passado e de como se tornou tão amigo de Scott. 

Quanto ao terceiro conto, tenho a referir que é o melhor dos três. Isto porque, além de ser mais extenso, apresenta uma história imensamente forte, com um enredo diferente, mais sombrio e perigoso. As personagens estão diferentes, mais misteriosas e estranhas. Nada é o que parece e isso torna-se um tanto assustador. Gostei de ver este lado mais sombrio, tanto da história como das personagens. E também apreciei a forma como a narrativa foi evoluindo. 

Tenho também a mencionar as belas ilustrações, que, tal como nos volumes anteriores, têm sido uma parte crucial de toda a narrativa. 

Em suma, mais uma excelente banda desenhada deste universo, que recomendo a todos os fãs! 

NOTA (0 a 10): 10

sábado, 8 de abril de 2017

Star Trek Ongoing Vol. 3, de Mike Johnson, Stephen Molnar e Claudia Balboni

Sinopse: 

The Return of The Archons

Neste conto, a tripulação da Enterprise vê-se numa missão à revelia da Federação. No planteta Beta III, supostamente, teria desaparecido uma nave da Federação há cem anos: a Archon. No entanto, a Federação nunca revelou a verdade e tal virou mito. Assim, ao passarem perto do planeta, Kirk e companhia decidem investigar. Sulu e um outro membro vão até ao planeta, acabando raptados. Então, Kirk, Spock, Bones e outro elemento, vão até lá para salvar os companheiros. O que eles não estavam à espera era de encontrar uma cultura medieval com um grande e poderoso mistério.

The Truth About Tribbles

Os tribbles são uns dos seres mais fofos da saga. Mas o que não se sabia era como tinham sido encontrados e em que circunstâncias. Neste conto, tal é desvendado. 



Opinião:

Gosto muito de Star Trek, especialmente da versão mais recente, e há algum tempo que não lia nada relacionado. Portanto, decidi continuar a coleção desta banda desenhada, cujos desenhos são excelentes e o enredo, igualmente. 

Tanto o primeiro conto como o segundo estão excelentes. 

O primeiro tem um enredo bastante forte, cheio de ação e mistério. A inspiração medieval e o mistério todo que embala esta aventura está muito bem conseguido. Muitos perigos e conspirações fazem desta aventura, uma das mais interessantes da saga. As personagens também estão muito bem, como seria de esperar, uma vez que são o grande motor. Kirk e Spock continuam uma dupla cheia de adrenalina e emoção, com Bones à mistura para fazer tudo ficar ainda mais engraçado. Gostei da forma como a história evoluiu. 

Quanto ao segundo, também está muito bom. Com um ambiente menos negro e mais descontraído, o Capitão Kirk e os seus companheiros veem-se numa confusão que é bastante engraçada e que serve de introdução e explicação para a existência das famosas bolas de pelo que aparecem de vez em quando nos filmes e séries. Gostei do clima descontraído e bem disposto que a história apresenta e também de ficar a saber mais sobre os tribbles. Claro, as aventuras continuam a ser muitas, bem como os perigos que vão aparecendo às personagens. Portanto, é mais um conto cheio de emoção e ação. 

Todos os desenhos estão fantásticos, tendo os ilustradores feito um excelente trabalho para que o leitor se sinta como um dos membros da tripulação da Enterprise. 

Assim, recomendo a todos os fãs de Star Trek e àqueles que gostam de FC! 

NOTA (0 a 10): 10

terça-feira, 4 de abril de 2017

Illusionarium, de Heather Dixon

Sinopse:

Jonathan é filho de um famoso médico em Fata Morgana (uma bela cidade aérea). Quando uma misteriosa doença (Venen) começa a atacar as mulheres em Arthurise, incluindo a Rainha, o Rei vai até Fata Morgana para pedir ajuda ao pai de Jonathan. Para salvar as mulheres será apenas preciso desenvolver a cura, em conjunto com a médica mais famosa de Arthurise: Lady Florel. E a cura passa por usar um misterioso ingrediente, o fantillium (uma substância que provoca ilusões). 

Quando Jonathan vê a mãe, a irmã e a sua amada ficarem doentes, começa a querer desenvolver a cura a todo o custo, mesmo que para isso se veja enredado na maior confusão da sua existência: a ida para Nodn'ol, uma espécie de Arthurise alterada e louca, onde há um duplo de todos os habitantes de Arthurise e onde impera a ilusão e a mutação: as pessoas estão a fragmentarem-se e a ganharem vários olhos, bocas, dedos e por aí. 

Assim, Jonathan tem como objetivo tentar encontrar a cura e salvar-se a si mesmo, a sua família e todo o povo de tais cidades. 


Opinião:

Há muito tempo que queria ler este livro. Não sei se foi pela capa, se pela sinopse...porventura terão sido ambas as razões para o meu grande interesse na sua leitura. Foi uma experiência bastante interessante.

Gostei do livro. Sem dúvida, a capa é belíssima e todo o seu design interior também. Sendo eu grande apreciadora de Steampunk, e havendo alguns laivos deste ao longo da obra, lancei-me totalmente neste mundo: uma espécie de Londres ou outra cidade por lá perto (Fata Morgana, uma cidade aérea século XIX). A Inglaterra é agora Arthurise e por lá flagra uma epidemia de uma doença que só ataca as mulheres: Venen. Ora, cabe ao filho do médico mais famoso de Fata Morgana, Jonathan, e ao seu pai, a honra de ajudar a mais famosa médica de Arthurise, Lady Florel, na luta contra esta doença, sendo que o Rei vai até Fata Morgana, no seu zepelin gigante e maravilhoso, pedir-lhes ajuda, uma vez que a Rainha ficou doente.

Ora, a premissa é excelente e a promessa de aventuras, ação e muita emoção está lá. Também gostei das personagens, apesar de achar que podiam estar muito melhores, isto é, mais complexas, ricas e adultas. Por vezes, senti um excesso de reações desfazadas da realidade nos comportamentos das personagens: por vezes reagiam um tanto demais, outras de menos, e por vezes não havia uma relação entre as suas ações e os acontecimentos que as despoletavam. Isto fez com que a história ficasse um tanto infantil, o que podia ter sido evitado se a autora tivesse optado por criar personagens com atitudes mais maduras e mais reais.

Outro aspeto bastante interessante prende-se com o mundo criado. A autora conseguiu criar um mundo bastante rico e cheio de interesse, bem imaginado. Todo o ambiente envolvente, a imagem visual que é possível estabelecer...tudo isso promove um excelente contexto para a história. Também a reviravolta que acontece quando Jonathan vai parar a Nodn'ol (uma Londres completamente arruinada, onde as pessoas se estão a transformar e a alterar o seu aspeto de uma forma grotesca e bizarra, onde as pessoas são uma versão arruinada das suas homonímas verdadeiras, onde as leis são completamente estranhas e a rainha é uma outra Honoria, uma versão dantesca de Lady Florel) e vê o seu objetivo de descobrir a cura para a doença de pernas para o ar, está muito interessante.

Também gostei de ver alguma relação entre Steampunk, a lenda do Rei Artur e a História de Inglaterra.

Em relação à narrativa em si, esta é feita a um ritmo frenético, com tantas e tantas reviravoltas que a dado momento dei por mim a pensar: "Vá lá... soluciona isto..."

Não é mau, uma vez que é sinal que o enredo tem vários caminhos. O problema é quando as peripécias são muitas vezes iguais e óbvias, deixando o leitor aperceber-se do que deveria ser uma surpresa ao longo do enredo. Ou seja, a história podia ter sido melhor desenvolvida, no sentido do seu contexto (o mundo criado podia ter sido explorado de uma forma mais calma e mais profunda), bem como também podia ter deixado mais espaço para o relacionamento entre personagens e a própria conclusão, que acabou por ficar um tanto apressada. 

A linguagem utilizada é bastante simples e fluída, permitindo uma leitura rápida e emocionante. As descrições estão muito boas, o que permite imaginar muito bem o mundo criado pela autora. 

Em suma, este é um livro muito interessante e engraçado, com imensas reviravoltas e personagens engraçadas. Porém, podia ter sido todo ele, nas suas diferentes componentes, melhor explorado: personagens, enredo, contexto. Recomendo a todos os que gostam de uma bela aventura! 

NOTA (0 a 10): 8

sábado, 25 de março de 2017

Corações de Pedra, de Simon Scarrow

Sinopse:

A coragem feroz dos homens e mulheres da resistência grega dispostos a sacrificar tudo pela pátria. 

1938: Três jovens vivem um verão perfeito na ilha grega de Lefkas, isolados dos problemas políticos que fervilham na Europa. Peter, de visita da Alemanha enquanto o pai lidera uma expedição arqueológica, desenvolveu uma forte amizade com Andreas e Eleni. À medida que o mundo resvala para a tragédia e Peter é forçado a partir, os amigos juram encontrar-se de novo.

1943: Andreas e Eleni juntaram-se às forças da resistência contra a invasão alemã. Peter regressa - agora um oficial inimigo e espião perigoso. Uma amizade formada em paz irá transformar-se numa batalha desesperada entre inimigos dispostos a sacrificar tudo pelos países que amam... (in Edições Saída de Emergência)


Opinião: 

Este é o segundo livro do autor, tendo sido o primeiro o Britannia. Este é totalmente diferente no contexto e mantém o mesmo nível de qualidade e relevo histórico. 

A história está dividida em diferentes momentos, sendo uns em 2013 e outros em 1943, passando por alguns em 1938, antes da Segunda Guerra. Todos os momentos estão entrelaçados e todos os acontecimentos convergem para os mesmos aspetos, mostrando assim a genialidade do autor. 

Todas as personagens estão extremamente bem criadas e são muito reais. É possível sentir todas as suas emoções e seguir os seus pensamentos e ações. Gostei muito de todas elas, em especial do trio de amigos que se veem numa termenda confusão e conflito, com a sua amizade posta em risco da forma mais cruel e sórdida que poderia haver.

A nível do enredo, é de referir a perfeita sincronia com o passado e presente, bem como o suspense que está sempre no ar, que paira em todas as páginas, permitindo ao leitor andar sempre a tentar levantar um pouquinho do véu de mistério da história. Toda a tensão entre amor, amizade, dever e guerra consegue formar um nó de grande emoção e tensão, que faz com que o leitor esteja constantemente a sofrer pelas personagens. Existe grande drama, ação, aventura, amor e amizade, e tudo o que a estes aspetos está inerente. 

O contexto histórico está muito bem elaborado. O autor criou aqui, mais uma vez, um cenário muito bem contextualizado, com dados importantes e cruciais. Não é tão comum ler sobre a Segunda Guerra noutros países que não "os principais" (ou pelo menos eu não conhecia este lado da guerra). Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, Japão, Rússia... mas tendo a Grécia como pano de fundo, ainda não tinha lido nada. 

Os livros tendo como contexto a Segunda Guerra Mundial são sempre livros com histórias fortes, grandiosas e que comovem. Não esperava algo diferente vindo daqui e foi isso que aconteceu. Encontrei uma história repleta de horrores, mas também de momentos de grande beleza, onde a lealdade, o amor e amizade são a grande base da obra. 

Também gostei muito de ver a História, Arte e Arqueologia aqui presentes, com papéis de grande relevo, servindo como base para ligar todos os momentos espaciais e temporais. Mais uma excelente ideia do autor! 

Em relação à escrita, esta é bastante fluída, encerrando um mundo de beleza e alguma frieza, sendo ela mesma uma das armas do livro. 

Sendo assim, encontrei neste livro uma fonte de conhecimento e uma fonte de beleza, que me comoveu bastante e me alegrou. Tem todos os ingredientes que uma boa obra deve ter, despertando no leitor variados sentimentos e emoções. Mais uma vez, recomendo a todos aqueles que gostam de uma boa história, sendo Romance Histórico ou não. É para todos! E, mais uma vez, aqui está outra excelente aposta da Saída de Emergência!

NOTA (0 a 10): 10

quarta-feira, 22 de março de 2017

Imperador dos Espinhos, de Mark Lawrence

Sinopse:

Um rei em busca de vingança.
Com apenas vinte anos de idade, o príncipe tornou-se o Rei Jorg Ancrath, rei de sete nações, conhecido em todo o Império. Mas os planos de vingança que tem para o seu pai ainda não estão completos. Jorg tem de conseguir o impossível: tornar-se imperador.

Um império sem imperador há cem anos.
Esta é uma batalha desconhecida para o jovem rei, habituado a conquistar tudo pela espada. De quatro em quatro anos, os governantes dos cem reinos fragmentados do Império Arruinado reúnem-se na capital, Vyene, para o Congresso, um período de tréguas durante o qual elegem um novo imperador. Mas há cem anos, desde a morte do último regente, que nenhum candidato consegue assegurar a maioria necessária. 

Um adversário temível e desconhecido.
Pelo caminho, o Rei Jorg vai enfrentar um adversário diferente de todos os outros, um necromante como o Império nunca viu, uma figura ainda mais odiada e temida do que ele: o Rei dos Mortos. (in Goodreads)


Opinião: 

O tão aguardado terceiro volume. Jorg e a sua subida ao poder. A sua subida até ser Imperador do Império Arruinado. Jorg, o pequeno Jorg que tanto sofreu e fez sofrer, finalmente, tenta chegar onde muitos já tentaram chegar: ao Trono Imperial, em Vyene.

Tendo ficado completamente rendida aos dois primeiros livros, era com grande curiosidade que esperava pelo terceiro. E não podia ter sido uma história melhor! 

Depois de conseguir ser príncipe e rei, só o império pode satisfazer Jorg Ancrath. Este livro começa a história cinco anos depois da do livro anterior, tanto na parte presente como na parte passada, onde são narrados os acontecimentos a partir da saída de Jorg do reino dos seus avós maternos, como ficou no livro anterior. Jorg continua a ser aquela personagem forte, imprevisível e brutal, mas há algo que mudou. Ele tornou-se muito mais maduro, mais melancólico e mais preocupado e isso torna-o muito mais interessante. Jorg acaba por mostrar o seu lado mais sensível neste livro, lado esse que sempre lá esteve, mesmo que bem camuflado. As diferentes formas de agir, que vão sendo sempre acompanhadas pelos seus pensamentos, tornam-se mais complexas, havendo muitos dilemas pela sua frente que não lhe passavam pela cabeça nos livros anteriores. 

Em relação às outras personagens, também tenho a referir que todas elas mostraram algumas diferenças, se bem que acabem por ser um tanto eclipsadas pela luminosidade de Jorg. Continuei a gostar muito de Miana. Katherine volta em força, criando situações de grande emoção. Chella também aparece, com a sua própria parte da narrativa, o que se mostrou crucial para o enredo. Há novas personagens, como Kai Summerson, e o Rei Morto, que é o grande mistério da história. Todas as outras personagens, novas e já dos outros livros, estão muito bem e todas têm o seu contributo essencial para a narrativa. 

Este volume é diferente dos anteriores. É mais calmo. A parte do presente é uma narrativa de viagem, narrada enquanto Jorg vai para o Congresso para se eleger Imperador. A parte do passado (cinco anos antes), vai encontrar Jorg a tentar descobrir peças do puzzle do misteriosos Construtor Fexler, partindo para lugares como os Ibéricos, passando pela África e indo até Vyene, onde tudo permanece em segredo. Nesta parte da narrativa, Jorg anda sozinho, estando algumas vezes em contacto com outras personagens, personagens essas que vão ser relevantes para a sua vida. Esses momentos são muito mais introspetivos e serenos, mostrando a plena evolução psicológica de Jorg. Também há alguns capítulos dedicados a Chella, a necromante do Rei Morto, que também acabam por ser essenciais para toda a história. 

Mais uma vez, Jorg mostra-se um narrador exímio. De uma capacidade fantástica para prender o leitor com a sua linguagem forte e ousada, criando autênticos retratados dos locais por onde anda, ele é um narrador único. Sem dúvida, é um dos pontos chave do sucesso desta trilogia: o narrador. 

Mas não só. 

Já tinha referido o meu fascínio pelo contexto da história nas outras opiniões. E aqui volto a referi-lo. A Europa e o Mundo, com cerca de 3000 anos, num pós acidente ou guerra nuclear, de volta à Idade Média. Não há mundos criados de raiz, nada. Há uma Terra que sofreu algo que poderá acontecer e o que acontece depois disso, porventura, imaginado e criado com esmero pelo autor, que conseguiu criar um dos universos mais originais a meu ver, exatamente por ter adaptado a nossa realidade, em especial a Europa e a nossa História. Há vários momentos e descrições que nos fazem sorrir ao lembrar acontecimentos reais ou até personalidades e personagens dos nossos tempos, que ali aparecem, vários séculos depois, num período que nos é estranho e misterioso. É completamente genial. 

A história em si é única. É muito mais do que um livro de aventuras. Para quem acha Jorg um monstro (e muitas das suas ações o comprovam como tal), neste volume tudo acaba por ser visto por outra perspetiva, uma perspetiva muito mais benévola e até bastante agridoce. O final é extremamente diferente daquilo que estava à espera, apesar de, lá bem no fundo, esperar algo assim. Porque, como poderia ser diferente? Comoveu-me bastante, algo que não esperava nesta trilogia e que me surpreendeu. 

As descrições continuam sublimes e cheias de vigor. Há uma pujança enorme na escrita, na escolha de palavras e termos, que promovem uma leitura fluída e frenética. Demorei mais tempo a ler o livro porque fiz de propósito. Andei a prolongar a leitura porque estava a gostar muito e queria ter mais um bocadinho da história comigo. 

Mark Lawrence conseguiu introduzir também algumas criações bastante mecânicas e cheias de detalhes a roçar o Steampunk, que estão muito bem conseguidas, criando um ambiente único e belíssimo. 

Em suma, recomendo este livro a todos os que gostam de um livro bom, com uma história grandiosa, forte e emocionante. Há momentos de grande terror, emoção e drama. Mas também há momentos de extrema beleza, amor e amizade, que, tenho a certeza, não vão abandonar o leitor. Há uma moral da história tão bela e tão grande, tão sensível, que toca todos os leitores, deixando-lhes sentimentos únicos e nada esperados ao longo desta trilogia.  Esta história é um hino ao amor, principalmente ao amor familiar e não podia ter sido contada de outra forma. Uma história de redenção.

NOTA (0 a 10): 10